A trama, uma tragédia jacobina, trata de um aspirante a samurai que quer vingança sobre o casal que o enganou. Matsumoto não poderia ter alcançado seu objetivo de forma mais aterrorizante do que com um exorcismo. O estilo de filmagem formal e reflexivo faz com que o filme se torne uma complexa metáfora. Sua integridade e ousadia estética foram o que, sem dúvida, fizeram com que o censor britânico o proibisse.
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Uou
Simplesmente um clássico japonês , de grande beleza estética.
Shura é um filme minimalista, com poucos recursos e poucos atores, mas que entrega uma boa performance. Somos levados a ter uma conexão mais intima com o personagem quando entendemos seus sonhos e pensamentos, que são os motores que inicialmente coordenam suas ações. É interessante perceber que o protagonista que iria simplesmente ir embora, acaba tomando uma decisão contraria com medo de que ocorresse sua visão, e ironicamente, era o caminho que o levava a isso. As sequencias entre as cenas e pensamentos também são pontos chaves para pensarmos sobre a ordem cronológica das coisas. O que pode ser sonho e o que pode ser realidade? Os pensamentos de um assassino são o verdadeiro inferno.
"- raining pain, brooding blood, jealous anger
open wound, open heart, drowning, yearning
searching for connections, a hope, a future, something
finding a path to, to, to together"
- Magnificamente desolador e sinistro, te dilacera como uma espada afiada, consigo lidar com todo tipo de violência visual perversa mas isso aqui realmente me atingiu de uma forma diferente e é incrível pra mim quando um filme ainda consegue alcançar tal "feito", mesmo que a sensação não seja nada agradável
- Uma visão pessimista de um samurai, atraído por dinheiro, sexo, assassinato, vingança e ignorância, talvez exagero ou apenas uma representação da mentalidade japonesa feudal, a verdade é que ao contrário da maioria dos filmes japoneses dessa época, apresenta uma vida de vergonha e luxúria, não de honra.
- Visões e sonhos horríveis dominam as cenas, sendo a imaginação a grande precursora das decisões morais dos personagens. As pessoas são torturadas por memórias e demônios quase aprisionam seus personagens dentro delas, imagens de homens moribundos pintados de sangue e corpos flutuando no ar. Os rostos sempre estão divididos entre a sombra e a luz, representando a ambiguidade da dor. O filme visita o inferno, literalmente indo para o lugar mais escuro que se possa imaginar. É absolutamente perturbador, um soco no estômago, uma espiral de pesadelo e loucura impulsionada por uma sede insaciável de vingança. "Demons" aka "Shura" é a história de um samurai que se tornou um demônio, um homem tão injustiçado que nunca mais poderia ser justo outra vez.
O mundo é um mar de sangue. Os demônios nunca acabam.
Cada enquadramento desse filme poderia ser emoldurado e pendurado – uma encenação mergulhada em um jogo de sombras que não somente evoca a corrupção moral desse conto de horrores, mas concebe espetáculos visuais dos mais penetrantes. Uma tragédia em que os demônios são aquilo o que feito dos homens depois que eles são destituídos de qualquer sentimento e qualquer ilusão, e, sem resquício de humanidade, só lhes resta o nada – e, como filosofa um dos personagens, eles passam a ter tudo. Imagens difíceis de tirar da cabeça.