Últimas opiniões enviadas
Embarquei na brincadeira de Ti West de criar uma trilogia de filmes que tomam como base referências visuais e narrativas de outros filmes de terror para pagar tributo sem deixar de criar algo novo desde X, passando por Pearl, e esperei animado por essa terceira parte, que dialoga com a estética dos giallo (e de como esse estilo foi filtrado, nos anos 80, por diretores como Brian De Palma), mas terminei com a impressão de que, dessa vez, ficou a homenagem pela homenagem, somente. O problema é que o interesse que esse Maxxxine tem em estilizar tudo não sobra para fechar a saga daquela protagonista que, embora conte com a potência de Mia Goth, não tem muito o que dizer ou fazer ali, e termina meio perdida dentro de um filme que deixa essa sensação de que não sabe bem que história queria contar.
É bom ver como Shyamalan segue impondo para si mesmo diferentes desafios a cada novo filme e evitando zonas de conforto seja em estilo ou temática, como faz com essa inesperada comédia sombria em que a onda está menos em compreender o assassino por uma abordagem psicológica e muito mais em acompanhá-lo como um mastermind que está sempre um passo à frente, com a graça de ver como o filme vai resolver visualmente os truques do cara para se safar num espaço limitado e cheio de interrupções. Só que o fôlego dessa brincadeira acaba quando o filme deixa aquele espaço e precisa resolver os próprios conflitos noutro lugar; é nesse momento que as viradas vão se acumulando e se atropelando para registrar o tom meio debochado que permeia tudo (e dá o tom da cena final, inclusive), mas que, a essa altura, em que o ação precisa concluir, a sensação que fica é a de que as coisas vão se esvaziando e o terceiro ato soa como um anticlímax. A cena pós crédito é bem boa.
Últimos recados
Olá, Jr. Adorei os Favoritos. Espero que troquemos ideias. Abraço!
“How can a heart
That's filled with love
Start to cry?”
Os versos de Questions in a World of Blue são entoados pela voz celestial de Julee Cruise, que performa na Road House, enquanto Laura Palmer entra, inebriada pela canção e pela profecia da Senhora do Tronco que ela ouviu há pouco. Ela senta em uma das mesas. Chora, inconsolável. "Os ternos arcos de inocência queimam primeiro nesse fogo", dizia a prenúncio. Laura vai morrer e já sabemos disso enquanto acompanhamos sua via-sacra, mas mais importante é a percepção dela de que irá morrer, e a escolha que ela faz a partir disso para encerrar a um ciclo. O que poderia ser um conto moral explorativo sobre a figura descortinada dessa rainha do baile torna-se um estudo de personagem mais complexos, que entrega à Laura Palmer não apenas a agência derradeira sobre uma vida marcada por abusos nesse plano, mas a libertação espiritual e a graça salvadora pela qual ela ansiava em outro. As imagens finais que Lynch concebeu aqui estão entre as mais devastadoras e ao mesmo tempo redentoras que devo ter visto num filme.