Um professor descobre que está com uma rara inflamação nas artérias e tem poucos meses de vida. Ele concorda, então, em tomar uma droga experimental e começa a se recuperar. Porém, ao abusar na dose do remédio, ele começa a ter reações imprevisíveis.
Embora o desfecho deste filme me pareça um tanto forçado, toda a jornada é estranhamente palpável. Não por acaso, Delírio de Loucura é mais um exemplar expressivo do mal-estar do pós-guerra no cinema. Tanto neste filme quanto em obras como No Silêncio da Noite e Juventude Transviada, Nicholas Ray mergulha nos conflitos internos de seus personagens, que vão implodindo sorrateiramente e consumindo tudo ao redor.
A família de Ed Avery parecia perfeita, mas, em certo ponto, o vazio em suas relações fica gritante. Em Delírio de Loucura, Ray pende para um realismo social que se revela chocante em comparação com a estética inicialmente dócil do filme. Na metade, a obra assume um aspecto expressionista, com sombras e ângulos baixos transformando a casa dos Avery em uma projeção da perturbação mental do protagonista.
Ao retratar a dinâmica do espaço doméstico, Ray se revela um poeta sincero que utiliza imagens de grande força. Pense bem: quantos "Ed's" você conhece que escondem uma depressão ou um pensamento corrosivo sob a farsa do lar impecável, da família ideal, da carreira de sucesso ou do consumismo sem freios?
Às vezes exagerado e com um quê de desajeitado, é sempre, no entanto, profundamente emocionante. É o cinema de Nick Ray.
Drama em CinemaScope e DeLuxe Color da 20th Century Fox indicado ao Leão de Ouro de melhor filme no Festival de Cinema de Veneza. Um dos melhores filmes de Nicholas Ray (1911-1979), feito logo após Juventude transviada (55). James Mason (1909-1984) foi o produtor do filme.
Os pesquisadores da Clínica Mayo que descobriram a cortisona e sua aplicação médica ganharam o Prêmio Nobel de medicina em 1950. O artigo da revista no qual este filme se baseou, "Ten Feet Tall", foi publicado na edição de 10 de setembro de 1955 do escritor e médico Berton Roueché (1910-1994), da "The New Yorker". É sobre o caso real de um professor de Long Island em 1948, quando a droga cortisona era nova no mercado.
Tanto Jean-Luc Godard como François Truffaut elogiaram muito o filme. Verdadeiramente à frente de seu tempo e ainda atemporal. é um filme repleto de contradições, paradoxos e confusões de emoção e razão; na verdade, isso faz parte do que o torna grande, feio e belo como a vida, mesmo em suas proporções descomunais. Melhor frase “A infância é uma doença congênita e o objetivo da educação é curá-la”. Mason é extremamente bom neste papel difícil e tem excelente assistência de Barbara Rush (1927-2024) em seu 1° papel substancial. Walter Matthau (1920-2000), como coadjuvante, aparece pouco mas tem uma participação importante na trama. O garoto Christopher Olsen também atuou em O homem que sabia demais (56), de Hitchcock.
O final foi meio covarde, mas o filme em si definitivamente não é. Tem toda uma vibe ''anti conformidade suburbana'' disfarçado de algo que beira o terror (muito ''O iluminado'')
Em muitos momentos a versão psicótica do pai lembra muito o americano típico. Mas é claaro que ele tinha que ''blasfemar'' pro estadunidense não se identificar tanto...ou será que se identificou?
Ver James Mason se tornando um psicótico, pra mim é o melhor aqui. Grande atuação.
que doideira, amei