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Os Safados é um herdeiro direto das clássicas comédias screwball da era de ouro de Hollywood. Dirigido com a típica sofisticação britânica e a leveza de Frank Oz, o filme apresenta uma trama inteligente e cativante, recheada de tiradas espirituosas, humor físico e ritmo agradável. O grande destaque, porém, está na química genuína entre seus dois protagonistas. Michael Caine interpreta um vigarista refinado, quase um dândi, sempre calmo e calculista, enquanto Steve Martin encarna o trapaceiro atrapalhado e impulsivo. Juntos, formam a alma e o coração do filme — assim como Paul Newman e Robert Redford em Golpe de Mestre. Uma das comédias mais divertidas dos anos 1980. Prime Vídeo 4K.
É curioso como este filme demorou para ser redescoberto, muito tempo depois da febre inexplicável de Cinquenta Tons de Cinza. Não posso dizer que consegui abarcar totalmente o universo mostrado por Steven Shainberg, mas, por outro lado, acredito que ele oferece um retrato honesto dos impactos emocionais de uma relação sadomasoquista. Particularmente, gosto de como o filme se posiciona de forma antirromântica, e a resolução, no final, parece ser os personagens encontrando uma maneira de alinhar seus interesses nesse relacionamento (ainda que não saibamos até onde isso vai). É um jogo sutil, que sabe exatamente quando ser engraçado ou desconfortável, sem nunca cair numa mimese forçada. Isso porque Lee e Mr. Gray são personagens excêntricos, que tentam encontrar seu caminho em um mundo que não é exatamente acolhedor para suas personalidades. James Spader e Maggie Gyllenhaal estão em perfeita sintonia; mas sinto que Spader vive uma variação de sua persona de Crash (será que Robert California, de The Office, não é uma extensão de ambos os personagens?). Um filme que, talvez, precise de algumas visitas mais para ser totalmente absorvido. Prime Video, 4K. Como Robert California diz: "Jim, você prefere uma metáfora da natureza ou uma metáfora sexual?"
Esta releitura aprofunda as possibilidades narrativas do texto de Clive Barker e apresenta um ritmo mais fluido que o filme original de 1987, ainda que seja mais contida no que diz respeito ao gore — elemento que se tornou característico da franquia. O couro e o humor sombrio foram deixados de lado. Os cenobitas, nesta versão, surgem como figuras ainda mais ambíguas, posicionadas entre anjos e demônios. No fim, trata-se de um filme que busca discutir a responsabilidade nas escolhas e as dinâmicas de poder, ao mesmo tempo em que homenageia o material de origem sem necessariamente reproduzir à risca suas ideias.