Durante a Primeira Guerra Mundial, num campo de prisioneiros na fronteira franco-alemã, as dificuldades levam homens antes inimigos a se unirem. Os gestos de solidariedade prevalecem sobre o conceito de nacionalidade e razões políticas. As ligações entre os dois oficiais inimigos parecem mais fortes que as de soldados de um mesmo exército.
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A guerra retratada sob a ótica das relações de classe; os nobres permanecem nobres e os pobres, pobres, independentemente da nação ou do lado em que se encontrem em um conflito. A paz, por sua vez, é apresentada como um desejo universalmente compartilhado. A câmera de Jean Renoir, empática ao romantismo de Von Stroheim, toca o espectador com sua visão de modos prestes a desaparecer. Do mesmo modo, não deixa escapar o companheirismo entre os soldados. O diretor transmite a sensação de uma crença no potencial humano, mas sem oferecer necessariamente esperança; ao contrário, ele encerra o filme deixando a história aberta. Os dois homens caminhando na neve, no final, não transmitem a convicção de um futuro promissor. Renoir (ele mesmo um veterano) criou uma obra profundamente conectada ao período entreguerras, um momento em que uma onda de nacionalismo começava a intoxicar a Europa e que mais tarde resultaria nas atrocidades da Segunda Guerra Mundial.
- comparando com as da segunda, as prisões da primeira guerra eram um parque de diversões
- um filme de guerra, mas que deixa os grandes conflitos e destruições de lado e se foca no lado humano
- como amizades surgem durante esses tempos, como afeta o psicológico das pessoas, como pessoas que tem muito em comum são obrigadas a se enfrentarem por serem apenas de países diferentes
- é mostra os seres humanos como realmente são, até os protagonistas, que deveriam ser os heróis, tem vários tons de cinza, não são aqueles seres perfeitos e sim cheios de pensamentos repreensíveis e preconceituosos
Indicado ao Prêmio Musslini (é, na época da Itália fascista era esse o nome do Leão de Ouro que ainda não havia sido criado) e vencedor do prêmio de Contribuição Artística no Festival de Veneza. Eu tinha esse filme em VHS e nunca havia assistido, um clássico absoluto de Renoir. Acho que o início demora um pouco a engrenar e mostrar ao que veio, mas a partir do momento em que eles mudam de prisão tudo vai tomando um ritmo maravilhoso, o diretor consegue discutir sobre o futuro da Europa antes mesmo dele acontecer, reflexos da aristocracia perdendo lugar para a burguesia industrial e tentas coisas que iriam eclodir a partir daí são nítidos no filme. Há uma cordialidade entre os personagens que faz você pensar em como ela vai por água abaixo depois da derrota da Alemanha até culminar na Segunda Guerra Mundial. Há espaço até para um romance, dá para dizer que o filme é completo com excelentes atuações. Poderia ter mais diálogos entre Boeldieu e Rauffenstein, acho que o filme peca ao não explorar mais a dinâmica entre esses dois personagens.
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PQP, que direção estupenda de Jean Renoir! A guerra é pano de fundo para uma Europa aristocrática que está morrendo sob os novos tempos, e os inimigos percebem isso.
Considerado por muitos um dos maiores filmes já feitos, The Grand Illusion (também chamado La Grande Illusion) é gentil e atencioso demais para um filme de guerra. Embora seja adequado na sua descrição do absurdo e da futilidade da guerra e nas tentativas de apelar à humanidade universal que transcende as fronteiras criadas pelo homem, os seus temas anti-guerra são um tanto diluídos pela sua abordagem excessivamente pacifista.
Co-escrito e dirigido por Jean Renoir, esta é minha primeira passagem por seus trabalhos e, embora as lentes humanistas e as relações de classe sejam um estudo interessante, seu retrato da guerra não é diferente do que uma criança imagina que a guerra seja. A absoluta falta de horror, destruição e sofrimento que a guerra deixa no seu rastro é terrível. É ingénuo condenar a guerra mas não ilustrar por que é digna de condenação.
Renoir aqui possivelmente argumenta que, independentemente das nossas identidades nacionais, a nossa experiência coletiva é mais comum do que parece e, nesse sentido, a guerra é totalmente inútil. Mas a generosidade e a compaixão com que os inimigos interagem entre si são um pouco irrealistas para eu ignorar. Por um lado, o roteiro trata a todos com respeito e não difama ninguém. Um ao outro, nada mais é do que uma ilusão.