Acho que, desta série publicitária financiada pela marca Miu-Miu, este foi o curtinha que mais gostei: visual arrebatador; mensagem poderosa, ainda que truísta. Amanda Seyfried confirma a boa parceria com a diretora, revelando-se vigorosamente ao final. E, claro, a trilha musical de Daniel Blumberg é ótima. Direção de arte do cabrunco, de tão boa. Uau! (WPC>)
É o tipo de filme que, fosse dirigido com alguém menos conhecido, ninguém veria ou daria trela. Vindo de quem veio, e tendo a presença da grande artista da música anunciada desde o título, presta-se mais atenção. Mas é um exercício de estilo e percurso, que ganha validação e/ou significado a partir da autoria por detrás da direção. Gracioso e modesto em abordagem, mas gostoso de ser visto e ouvido, que talvez cresça com o tempo... As situações corriqueiras importam, afinal! (WPC>)
A ironia denuncista do co-realizador quanto aos desmandos autoritários do comunismo europeu permanece abundante e mui reconhecível nesta obra, mas senti falta de seu humor corrosivo e explícito, igualmente característico. Aqui, a abordagem é seríssima, ainda que parta de uma situação que beire o exagero canhestro (de lascar imaginar que aquilo, de fato, aconteceu, né?). Para se assistir após a (re)leitura de "A Câmara Clara", do Roland Barthes. Porém, mesmo assim, não curti tanto. Há algo de muito específico nas abordagem. Quem sabe em um novo contato... (WPC>)
Metáforas conjugadas em uma animação muito estilosa, numa estrutura narrativa em formato-painel, que termina com uma maravilhosa intervenção quiróptera. Lembrei de um clássico brasileiro de animação, - NOVELA (1992), de Otto Guerra - por causa das narrativas em comunhão interruptiva (genial o detalhe do 'wi-fi' que não carrega no avião). Ri sozinho, mas, do meio para o final, o traço existencial se sobressai. Inteligentíssimo e muito chique! (WPC>)
Cliquei na sessão de maneira extremamente casual, sem saber do lançamento do EP do artista e focando na curta duração da obra. Mas deixei-me fisgar pelo humor um tanto jarmuschiano do curta-metragem, pela celebração dos encontros, pela maestria de cenas simples, como a movimentação dos dedos fotocopiados em preto-e-branco... A trilha musical jazzística (afinal, central, em seu intuito publicitário extensivo) é muito bacana e o desfecho é gracioso e recompensador. Ótima surpresa! (WPC>)
Pensei muito em O BANHEIRO DO PAPA, mas, aqui, sob o viés do consumidor afito (risos). Há aspectos políticos interessantes no substrato do roteiro - que têm a ver com a necessidade atual dos atuais defenderem uma santa católica no Brasil, por exemplo - e utiliza bem o misticismo religioso da redenção paranóica. O elenco é muito bom e a direção, eficiente. Mas tenho um distanciamento pessoal em relação ao cerne do enredo. Problema meu, lidarei com isso. Mas afetou a minha relação com filme, infelizmente. (WPC>)
A atmosfera 'queer' é fascinante e prometedora, mas não consegui mergulhar naquilo que é sinopticamente anunciado: o protagonista é tão insuportável, em seus pantins classistas e comportamentos omissos/invasivos, que a empatia erótica falha e, ao final, apesar das imagens interessantes, o filme falha, causou-me raiva e enfado. Uma pena! (WPC>)
O ponto de partida é ótimo e o uso característico, neste cinema tailandês rural, do contraste entre modernidade e tradição rende seqüências visualmente precisas. Gosto particularmente do detalhamento da dança masturbatória, e de como a extração de sêmen é mostrada em seu aspecto empregatício, inclusive em relação ao cansaço derivado. Quando o embate patronal/desejoso aumenta, senti que o filme ficou refém de "uma única piada", de modo que o desfecho, em vez de soar impactante em seu pendor denuncista/existencial, pareceu-me anticlimático, desperdiçando a potência do ato violento que ali ocorre. Mas o filme é visualmente deslumbrante: vou em busca dos demais trabalhos do diretor... (WPC>)
No segundo contato, doeu mais... Por mais que eu estivesse deslumbrado com os efeitos de montagem e fotografia, a trama esmigalhou-me, em termos emocionais, no sentido de que aquilo segue a acontecer, cem anos depois... Fotogenia em seu auge. Expressividade actancial, idem. Ótima utilização dos espaços urbanos, naquilo que eles contêm de restos de sofrimentos (e tênues alegrias). Um filme bonito, inegavelmente, mas que doeu... Tive de sair correndo da sala de exibição. Assaz pungente! (WPC>)
Achei curioso assistir a um curta-metragem proveniente de Fiji e gostei da sonoridade titular. Porém, a trama parece o capítulo inicial de um folhetim: acontecem algumas lutas, há uma fuga, sabemos que se trata de um episódio lendário na história do país, mas o desenvolvimento é rasteiro e as situações rapidamente contornadas, a despeito doo suspense desejado, quanto ao empreendimento executado pela corajosa protagonista. É um filme que não engrena, infelizmente, algo quase imperdoável num trabalho de gênero. (WPC>)
Como nordestino, a identificação situacional foi imediata: na rua em que moro, há um rapaz que segue o percurso deste protagonista real (risos). Muito simpático - e astuto - o Silvo Silva, que chega a duvidar até mesmo do pagamento que recebe por sua participação no filme. Certo ele em verificar! kkkkkkkkkkkkkkk Achei linda a explicação sobre o porquê de "Sunshine on My Shoulders", do John Denver, ser uma canção tão importante em sua vida. O desfecho é ótimo, ao inserir a canção titular enquanto composição própria. Muito bacana observar as reações das pessoas ao fundo - inclusive, na banca de vibradores, numa feira popular. Bacana. E, como diz o cantor, ao se despedir: "tcheu"! - WPC>
Vi o curta por acaso, apenas para fornecer imagens ao meu subconsciente, antes de dormir, e deparei-me com um texto inteligentíssimo (achei a voz do narrador muito parecida com a do Pasolini), que atualiza o texto borgesiano para uma conjuntura político-existencial que pode ser estendida para os anseios contemporâneos, na lida com os problemas recorrentes de enfrentamento dos fantasmas da extrema-direita. Incrível!! (WPC>)
Não vi o longa famoso do diretor, favorito de vários amigos, mas gostei muito de seu senso estético e de sua percepção astuta da fetichização da violência enquanto elemento de sensualidade periférica e dos códigos de hombridades associados a este processo. Fotograficamente, o filme é um primor; o desfecho surrealista é ótimo; mas quis/precisei que demorasse um pouco mais, para eu compreender as características políticas do enredo. Pesquisarei mais sobre! (WPC>)
Coletivo em feitura e temática, este curta-metragem poético e musical concatena as idéias de maneira orgânica, em termos de militância identitária, demonstrando mais que conhecimento de causa, vivência na pele, acerca do que é apresentado. O que começa como reivindicação, avança como demonstração afetiva, resinificando pequenos instantes do cotidiano negro - inclusive, em elã festivo. Um tanto videoclipesco, por vezes, mas muitíssimo bem sucedido nesta seara! (WPC>)
Vi este curta-metragem numa homenagem à roteirista Yoya Wursch. Curti o ponto de partida - bastante engraçado! - mas torna-se "um filme de uma piada só", que logo fica cansativo, a despeito da rápida duração e do elenco mui competente. Ri com o canto da boca e fiquei aflito quando a protagonista despedaça um exemplar de "Ulysses", do James Joyce (risos). O desfecho é anticlimático, mas, àquela altura, ei já tinha desistido de "embarcar" no humor saturado da obra. Insisto: vale pelo talento das atrizes envolvidas - e só! (WPC>)
Filme pesado, desconfortável, doloroso... Apesar de ser incisivo contra o oportunismo dos produtores pornográficos, o filme não é contra a pornografia em si, mas sobre como o dinheiro se interpõe em relação ao prazer, sobre como as atitudes mercenárias convertem o sexo nalgo desconfortável e doloroso, justamente. A cena em que um recrutador enfia o dedo na boca de um dos entrevistados - passivo, ansioso para ser remunerado - é violenta demais, o que referenda a crítica geral da obra, uma tese que pode ser estendida a toda a situação capitalista atual. Lindos os rapazes, tadinhos. Um documentário que demonstra o quão ambíguo pode ser o anseio por prazer, em seus atravessamentos classistas, na constatação de que sexo é - também e sobretudo - uma relação de poder. Muito, muito bom: icônico e assertivo! (WPC>)
Dentre todos os componentes fílmicos deste "Pelotasverso", este é o enredo que mais desperta empatia em relação aos personagens, inclusive quanto ao mau humor contínuo do pelego interpretado pelo muso Leandro Gomes. Paradoxalmente, é justamente tal aspecto que fez com que eu não apreciasse tanto o curta-metragem (não obstante o inequívoco fascínio e identificação - mediada pela alteridade - que ele provoca) no cotejo com seus "primos fílmicos", pois eu quis que ele durasse mais, quis ouvir mais aqueles homens sofridos, cansados, carentes, explorados física e espiritualmente... A situação do boné é indignante, mas infelizmente recorrente naquele tipo de espaço de convivência forçada. Um dos diretores adiantou que os monólogos advêm de relatos verídicos dos trabalhadores, o que é evidente na própria feitura da obra, com apanágios documentais (vide o aproveitamento dos nomes verdadeiros dos intérpretes para os personagens). Intrigante foi perceber que, não importa o quanto Leandro varresse aquele chão, enquanto vigiava as tarefas dos outros, tudo permanecia sujo. Doloroso desfecho, em que até mesmo o suicídio parecia mais consolador que a constatação de uma greve. Para quem aprecia os dilemas proletários de roteiros como os de ELES NÃO USAM BLACK-TIE ou o recente ARÁBIA, trata-se de um complemento benfazejo. Não obstante não ter o mesmo impacto que as demais obras citadas, trata-se de um filme poderoso, em sua conjuntura emocional e reivindicativa! (WPC>)
Aconteceu algo que desgosto: ficar no meio-termo apreciativo em relação a um filme tão divisivo, que causou reações tão extremas por onde passou, na chave do "ame ou odeie". Gostei muito das comparações e referências que direcionam a esta obra, que faz com um carro o mesmo que Stan Brakhage concede aos indivíduos humanos em O ATO DE VER COM OS PRÓPRIOS OLHOS. O problema: na montagem, acompanhamos a dissolução do objeto, de um lado; do outro, testemunhamos as mãos e pernas de quem manuseia a máquina que destrói máquinas. Ao optar por esta abordagem, o foco sai do objeto que "morre" para renascer reciclado ou da própria experiência imersiva (sobretudo, em eixo sonoro) da destruição, para abordar uma relação entre ato em si e trabalho, de modo que o que a diretora pretende com o choque das sessões - "em volume máximo, por favor" - soa como um fetiche, para não passa diuturnamente por aquele tipo extenuante de atividade. Como proletário, senti-me agredido pelo olhar exibicionista da diretora, que não permite que o objeto sacrificado se instaure como tal: é apenas mais um componente na ansiedade por incomodar, tornar-se manchete nos festivais por onde passa, estimular as efêmeras e agressivas brigas do FilmTwitter. Quando o ângulo da câmera está naquilo que é anunciado pela onomatopeia titular, o filme se engrandece; quando a edição revela que a diretora está ciente de que aquele não é o seu cotidiano, e que só é "divertido" porque isolado do contexto, soou-me uma declaração involuntária (?) dos privilégios de classe dos envolvidos. Daí, o meu empasse: gosto do filme, mas não do que ele representa, enquanto discurso. Pendo mais para qual lado, na contenda (WPC>)
Por conta de todo o auê crítico envolvendo o longa-metragem derivado do que começou com este curta-metragem, resolvi conferi-lo. E, infelizmente, não funcionou: como sói acontecer com os modismos neogeracionais, a "homenagem" ao experimentalismo esbarra num formalismo barato e sem vida, revelando a falta de conhecimento de causa e/ou relação com aquilo que se tenta emular - no caso, os defeitos de projeção em VHS como "linguagem". Apreciei a utilização inteligente do espaço infinito, no que parecia uma apropriação genérica daquilo que Michael Snow propõe em COMPRIMENTO DE ONDA, mas a montagem picotada estraga tanto a imersão quanto a suposição de que estamos diante de algo à la 'found footage'. De repente, há algo perseguindo o protagonista. E termina... O vazio predomina, bem como o saudosismo por aquilo que o realizador não viveu - e que, como tal, não compreendeu. Falhei ao cair nesta esparrela, não deu! (WPC>)
Muito contundente em abordagem e feitura, com as marcas registradas do diretor, no que tange à tênue distinção entre ficção e documentário - ainda que as primeiras intenções sejam evidentes. Há um trabalho inspiradíssimo de utilização dos dramas reais do elenco juvenil na composição dos dramas de seus personagens e achei brilhante que os créditos de abertura sejam pronunciados pelo trio central, numa cena que abre espaço para a extraordinária e progressiva fala em que uma mãe de família recita, com mudanças significativas na redução de horário disponível para a vida doméstica pessoal, a rotina de seu estafante trabalho. Mui doloroso e bem realizado, com aberturas a múltiplas reflexões, já que há tanto o ponto de vista da professora quanto o dos jovens em contínua experimentação dramática (cientes de que estão atuando e de que são eles mesmos). Comovente e sagaz na maneira como é conduzido! (WPC>)
Conheço os trabalhos e múltiplos talentos de Everlane faz tempo, mas sempre surpreendo-me a cada novo contato com as suas obras. Aqui, ela adere a um estilo computadorizado de animação que, ao mesmo tempo em que nos seduz pela beleza em preto-e-branco dos traços dos ambientes e personagens, instaura uma dúvida, a partir dos elementos em sépia que surgem, eventualmente. A trama começa como se fosse um relato bíblico, uma cosmogonia afro-americana, cujo caráter mitológico desemboca numa genial troca de narrações (e, por extensão discursiva, de narrativas), em que um mesmo evento, sob uma voz masculina e sob uma voz feminina, manifesta diferentes conotações. Trata-se, portanto, de um inusitado relato feminista, que nos ensina a desconfiar das versões oficiais de mitologias, mesmo quando amparadas pelo leque identitarista. Bastante inventivo e provocador - e diferente, em formato, do que a diretora nos legou até então, ainda que confirme as suas preferências iconoclastas, no que tange à necessidade de estraçalhar o patriarcado por dentro. Gostei bastante! (WPC>)
Eu simplesmente desconhecia este curta-metragem e, como estou assistindo a estes filmes indicados e estudando a premiação, achei maravilhosa tanto a homenagem quanto a execução. Que lindo! Amei as caricaturas, o uso da música, a felicidade do/no cortejo. Maravilhoso! (WPC>)
Estava ansiosíssimo por conferir este título, pois: 1 - os prêmios e a sinopse chamam bastante a nossa atenção; 2 - o diretor é muito simpático, cordial e interativo em suas redes sociais; e 3 - a potência política orgânica das produções pernambucanas agrada-me particularmente, ainda que nem sempre eu concorde com a auto-zombaria hiperelogiosa. O que conduz-me, diretamente, a um ponto que causava-me alguns breves incômodos na narração do filme: a insistência dos chistes adjetivos, definindo Olinda como "a melhor cidade do mundo" e afins. Porém, isso faz todo sentido na lógica irônica da obra, que, trazendo a estética de ILHA DAS FLORES para a contemporaneidade , costura argumentos mui relevantes, demonstrando que, em nosso cotidiano, tudo, absolutamente tudo, é político, sobretudo aquilo que (não) comemos. Além de muito divertido, o curta-metragem é elucidativo e esclarecedor, tanto em questões enciclopédicas quanto discursivas. Os detalhes da disputa entre as duas candidatas à prefeitura de Olinda, no ano 2000 são impressionantes, e trazem à tona questões que voltarão na disputa presidencial/governamental de 2026. Muito bem dirigido e montado, este filme já nasceu como clássico. Belezura de trabalho inteligentíssimo. Ansioso pela oportunidade de ele ser exibido oficialmente em meu Estado, para eu intimar os meus amigos para conferi-lo. Incrível e necessário, com um detalhe que encanta-me pessoalmente: a apresentação de uma de minhas bandas favoritas de todos os tempos, Textículos de Mary. Incrível! (WPC>)
Ter visto o curta depois do longa (do qual gostei muito) foi algo que depôs contra ele, pois a extensão acrescentou dados e relações, no que tange ao evento real que serviu de inspiração tramática, que deixa a impressão de incompletude nalgumas subtramas - já que, aqui, o impacto da situação surpreendente envolvendo o neto da senhora que lidera a campanha pela soltura de Sapinho é central -, mas a idéia é boa, o elenco está bem e a inserção das notícias verídicas durante os créditos finais foi sagaz. Só achei a montagem confusa, mas pode ser efeito da inevitável comparação com o longa-metragem posterior, o qual recomendo bastante! (WPC>)
Discipline
4.0 1Acho que, desta série publicitária financiada pela marca Miu-Miu, este foi o curtinha que mais gostei: visual arrebatador; mensagem poderosa, ainda que truísta. Amanda Seyfried confirma a boa parceria com a diretora, revelando-se vigorosamente ao final. E, claro, a trilha musical de Daniel Blumberg é ótima. Direção de arte do cabrunco, de tão boa. Uau! (WPC>)
Avec Kim
3.0 1É o tipo de filme que, fosse dirigido com alguém menos conhecido, ninguém veria ou daria trela. Vindo de quem veio, e tendo a presença da grande artista da música anunciada desde o título, presta-se mais atenção. Mas é um exercício de estilo e percurso, que ganha validação e/ou significado a partir da autoria por detrás da direção. Gracioso e modesto em abordagem, mas gostoso de ser visto e ouvido, que talvez cresça com o tempo... As situações corriqueiras importam, afinal! (WPC>)
Shot Reverse Shot
3.0 1A ironia denuncista do co-realizador quanto aos desmandos autoritários do comunismo europeu permanece abundante e mui reconhecível nesta obra, mas senti falta de seu humor corrosivo e explícito, igualmente característico. Aqui, a abordagem é seríssima, ainda que parta de uma situação que beire o exagero canhestro (de lascar imaginar que aquilo, de fato, aconteceu, né?). Para se assistir após a (re)leitura de "A Câmara Clara", do Roland Barthes. Porém, mesmo assim, não curti tanto. Há algo de muito específico nas abordagem. Quem sabe em um novo contato... (WPC>)
The End
4.0 1Metáforas conjugadas em uma animação muito estilosa, numa estrutura narrativa em formato-painel, que termina com uma maravilhosa intervenção quiróptera. Lembrei de um clássico brasileiro de animação, - NOVELA (1992), de Otto Guerra - por causa das narrativas em comunhão interruptiva (genial o detalhe do 'wi-fi' que não carrega no avião). Ri sozinho, mas, do meio para o final, o traço existencial se sobressai. Inteligentíssimo e muito chique! (WPC>)
7 Piano Sketches
4.0 1Cliquei na sessão de maneira extremamente casual, sem saber do lançamento do EP do artista e focando na curta duração da obra. Mas deixei-me fisgar pelo humor um tanto jarmuschiano do curta-metragem, pela celebração dos encontros, pela maestria de cenas simples, como a movimentação dos dedos fotocopiados em preto-e-branco... A trilha musical jazzística (afinal, central, em seu intuito publicitário extensivo) é muito bacana e o desfecho é gracioso e recompensador. Ótima surpresa! (WPC>)
Spiritus Sanctus
2.5 1Pensei muito em O BANHEIRO DO PAPA, mas, aqui, sob o viés do consumidor afito (risos). Há aspectos políticos interessantes no substrato do roteiro - que têm a ver com a necessidade atual dos atuais defenderem uma santa católica no Brasil, por exemplo - e utiliza bem o misticismo religioso da redenção paranóica. O elenco é muito bom e a direção, eficiente. Mas tenho um distanciamento pessoal em relação ao cerne do enredo. Problema meu, lidarei com isso. Mas afetou a minha relação com filme, infelizmente. (WPC>)
Stallion Y la Bola de Cristal
1.5 1A atmosfera 'queer' é fascinante e prometedora, mas não consegui mergulhar naquilo que é sinopticamente anunciado: o protagonista é tão insuportável, em seus pantins classistas e comportamentos omissos/invasivos, que a empatia erótica falha e, ao final, apesar das imagens interessantes, o filme falha, causou-me raiva e enfado. Uma pena! (WPC>)
The Bovine Comedy
3.0 1O ponto de partida é ótimo e o uso característico, neste cinema tailandês rural, do contraste entre modernidade e tradição rende seqüências visualmente precisas. Gosto particularmente do detalhamento da dança masturbatória, e de como a extração de sêmen é mostrada em seu aspecto empregatício, inclusive em relação ao cansaço derivado. Quando o embate patronal/desejoso aumenta, senti que o filme ficou refém de "uma única piada", de modo que o desfecho, em vez de soar impactante em seu pendor denuncista/existencial, pareceu-me anticlimático, desperdiçando a potência do ato violento que ali ocorre. Mas o filme é visualmente deslumbrante: vou em busca dos demais trabalhos do diretor... (WPC>)
Ménilmontant
4.2 12No segundo contato, doeu mais... Por mais que eu estivesse deslumbrado com os efeitos de montagem e fotografia, a trama esmigalhou-me, em termos emocionais, no sentido de que aquilo segue a acontecer, cem anos depois... Fotogenia em seu auge. Expressividade actancial, idem. Ótima utilização dos espaços urbanos, naquilo que eles contêm de restos de sofrimentos (e tênues alegrias). Um filme bonito, inegavelmente, mas que doeu... Tive de sair correndo da sala de exibição. Assaz pungente! (WPC>)
Daunitukutuku
1.5 1Achei curioso assistir a um curta-metragem proveniente de Fiji e gostei da sonoridade titular. Porém, a trama parece o capítulo inicial de um folhetim: acontecem algumas lutas, há uma fuga, sabemos que se trata de um episódio lendário na história do país, mas o desenvolvimento é rasteiro e as situações rapidamente contornadas, a despeito doo suspense desejado, quanto ao empreendimento executado pela corajosa protagonista. É um filme que não engrena, infelizmente, algo quase imperdoável num trabalho de gênero. (WPC>)
Recife Tem um Coração
3.0 1Como nordestino, a identificação situacional foi imediata: na rua em que moro, há um rapaz que segue o percurso deste protagonista real (risos). Muito simpático - e astuto - o Silvo Silva, que chega a duvidar até mesmo do pagamento que recebe por sua participação no filme. Certo ele em verificar! kkkkkkkkkkkkkkk Achei linda a explicação sobre o porquê de "Sunshine on My Shoulders", do John Denver, ser uma canção tão importante em sua vida. O desfecho é ótimo, ao inserir a canção titular enquanto composição própria. Muito bacana observar as reações das pessoas ao fundo - inclusive, na banca de vibradores, numa feira popular. Bacana. E, como diz o cantor, ao se despedir: "tcheu"! - WPC>
La maschera del minotauro
3.9 2Vi o curta por acaso, apenas para fornecer imagens ao meu subconsciente, antes de dormir, e deparei-me com um texto inteligentíssimo (achei a voz do narrador muito parecida com a do Pasolini), que atualiza o texto borgesiano para uma conjuntura político-existencial que pode ser estendida para os anseios contemporâneos, na lida com os problemas recorrentes de enfrentamento dos fantasmas da extrema-direita. Incrível!! (WPC>)
Peloton Trueno
3.0 1Não vi o longa famoso do diretor, favorito de vários amigos, mas gostei muito de seu senso estético e de sua percepção astuta da fetichização da violência enquanto elemento de sensualidade periférica e dos códigos de hombridades associados a este processo. Fotograficamente, o filme é um primor; o desfecho surrealista é ótimo; mas quis/precisei que demorasse um pouco mais, para eu compreender as características políticas do enredo. Pesquisarei mais sobre! (WPC>)
Diálogo Bulbul
4.0 1Coletivo em feitura e temática, este curta-metragem poético e musical concatena as idéias de maneira orgânica, em termos de militância identitária, demonstrando mais que conhecimento de causa, vivência na pele, acerca do que é apresentado. O que começa como reivindicação, avança como demonstração afetiva, resinificando pequenos instantes do cotidiano negro - inclusive, em elã festivo. Um tanto videoclipesco, por vezes, mas muitíssimo bem sucedido nesta seara! (WPC>)
O Bebê
3.3 5Vi este curta-metragem numa homenagem à roteirista Yoya Wursch. Curti o ponto de partida - bastante engraçado! - mas torna-se "um filme de uma piada só", que logo fica cansativo, a despeito da rápida duração e do elenco mui competente. Ri com o canto da boca e fiquei aflito quando a protagonista despedaça um exemplar de "Ulysses", do James Joyce (risos). O desfecho é anticlimático, mas, àquela altura, ei já tinha desistido de "embarcar" no humor saturado da obra. Insisto: vale pelo talento das atrizes envolvidas - e só! (WPC>)
The Fall of Communism as Seen in Gay Pornography
3.1 6Filme pesado, desconfortável, doloroso... Apesar de ser incisivo contra o oportunismo dos produtores pornográficos, o filme não é contra a pornografia em si, mas sobre como o dinheiro se interpõe em relação ao prazer, sobre como as atitudes mercenárias convertem o sexo nalgo desconfortável e doloroso, justamente. A cena em que um recrutador enfia o dedo na boca de um dos entrevistados - passivo, ansioso para ser remunerado - é violenta demais, o que referenda a crítica geral da obra, uma tese que pode ser estendida a toda a situação capitalista atual. Lindos os rapazes, tadinhos. Um documentário que demonstra o quão ambíguo pode ser o anseio por prazer, em seus atravessamentos classistas, na constatação de que sexo é - também e sobretudo - uma relação de poder. Muito, muito bom: icônico e assertivo! (WPC>)
Braço Forte
3.8 1Dentre todos os componentes fílmicos deste "Pelotasverso", este é o enredo que mais desperta empatia em relação aos personagens, inclusive quanto ao mau humor contínuo do pelego interpretado pelo muso Leandro Gomes. Paradoxalmente, é justamente tal aspecto que fez com que eu não apreciasse tanto o curta-metragem (não obstante o inequívoco fascínio e identificação - mediada pela alteridade - que ele provoca) no cotejo com seus "primos fílmicos", pois eu quis que ele durasse mais, quis ouvir mais aqueles homens sofridos, cansados, carentes, explorados física e espiritualmente... A situação do boné é indignante, mas infelizmente recorrente naquele tipo de espaço de convivência forçada. Um dos diretores adiantou que os monólogos advêm de relatos verídicos dos trabalhadores, o que é evidente na própria feitura da obra, com apanágios documentais (vide o aproveitamento dos nomes verdadeiros dos intérpretes para os personagens). Intrigante foi perceber que, não importa o quanto Leandro varresse aquele chão, enquanto vigiava as tarefas dos outros, tudo permanecia sujo. Doloroso desfecho, em que até mesmo o suicídio parecia mais consolador que a constatação de uma greve. Para quem aprecia os dilemas proletários de roteiros como os de ELES NÃO USAM BLACK-TIE ou o recente ARÁBIA, trata-se de um complemento benfazejo. Não obstante não ter o mesmo impacto que as demais obras citadas, trata-se de um filme poderoso, em sua conjuntura emocional e reivindicativa! (WPC>)
Crash
1.5 1Aconteceu algo que desgosto: ficar no meio-termo apreciativo em relação a um filme tão divisivo, que causou reações tão extremas por onde passou, na chave do "ame ou odeie". Gostei muito das comparações e referências que direcionam a esta obra, que faz com um carro o mesmo que Stan Brakhage concede aos indivíduos humanos em O ATO DE VER COM OS PRÓPRIOS OLHOS. O problema: na montagem, acompanhamos a dissolução do objeto, de um lado; do outro, testemunhamos as mãos e pernas de quem manuseia a máquina que destrói máquinas. Ao optar por esta abordagem, o foco sai do objeto que "morre" para renascer reciclado ou da própria experiência imersiva (sobretudo, em eixo sonoro) da destruição, para abordar uma relação entre ato em si e trabalho, de modo que o que a diretora pretende com o choque das sessões - "em volume máximo, por favor" - soa como um fetiche, para não passa diuturnamente por aquele tipo extenuante de atividade. Como proletário, senti-me agredido pelo olhar exibicionista da diretora, que não permite que o objeto sacrificado se instaure como tal: é apenas mais um componente na ansiedade por incomodar, tornar-se manchete nos festivais por onde passa, estimular as efêmeras e agressivas brigas do FilmTwitter. Quando o ângulo da câmera está naquilo que é anunciado pela onomatopeia titular, o filme se engrandece; quando a edição revela que a diretora está ciente de que aquele não é o seu cotidiano, e que só é "divertido" porque isolado do contexto, soou-me uma declaração involuntária (?) dos privilégios de classe dos envolvidos. Daí, o meu empasse: gosto do filme, mas não do que ele representa, enquanto discurso. Pendo mais para qual lado, na contenda (WPC>)
The Backrooms (Found Footage)
3.7 22Por conta de todo o auê crítico envolvendo o longa-metragem derivado do que começou com este curta-metragem, resolvi conferi-lo. E, infelizmente, não funcionou: como sói acontecer com os modismos neogeracionais, a "homenagem" ao experimentalismo esbarra num formalismo barato e sem vida, revelando a falta de conhecimento de causa e/ou relação com aquilo que se tenta emular - no caso, os defeitos de projeção em VHS como "linguagem". Apreciei a utilização inteligente do espaço infinito, no que parecia uma apropriação genérica daquilo que Michael Snow propõe em COMPRIMENTO DE ONDA, mas a montagem picotada estraga tanto a imersão quanto a suposição de que estamos diante de algo à la 'found footage'. De repente, há algo perseguindo o protagonista. E termina... O vazio predomina, bem como o saudosismo por aquilo que o realizador não viveu - e que, como tal, não compreendeu. Falhei ao cair nesta esparrela, não deu! (WPC>)
Disciplina
4.0 1Muito contundente em abordagem e feitura, com as marcas registradas do diretor, no que tange à tênue distinção entre ficção e documentário - ainda que as primeiras intenções sejam evidentes. Há um trabalho inspiradíssimo de utilização dos dramas reais do elenco juvenil na composição dos dramas de seus personagens e achei brilhante que os créditos de abertura sejam pronunciados pelo trio central, numa cena que abre espaço para a extraordinária e progressiva fala em que uma mãe de família recita, com mudanças significativas na redução de horário disponível para a vida doméstica pessoal, a rotina de seu estafante trabalho. Mui doloroso e bem realizado, com aberturas a múltiplas reflexões, já que há tanto o ponto de vista da professora quanto o dos jovens em contínua experimentação dramática (cientes de que estão atuando e de que são eles mesmos). Comovente e sagaz na maneira como é conduzido! (WPC>)
O Segredo Sagrado
4.0 1Conheço os trabalhos e múltiplos talentos de Everlane faz tempo, mas sempre surpreendo-me a cada novo contato com as suas obras. Aqui, ela adere a um estilo computadorizado de animação que, ao mesmo tempo em que nos seduz pela beleza em preto-e-branco dos traços dos ambientes e personagens, instaura uma dúvida, a partir dos elementos em sépia que surgem, eventualmente. A trama começa como se fosse um relato bíblico, uma cosmogonia afro-americana, cujo caráter mitológico desemboca numa genial troca de narrações (e, por extensão discursiva, de narrativas), em que um mesmo evento, sob uma voz masculina e sob uma voz feminina, manifesta diferentes conotações. Trata-se, portanto, de um inusitado relato feminista, que nos ensina a desconfiar das versões oficiais de mitologias, mesmo quando amparadas pelo leque identitarista. Bastante inventivo e provocador - e diferente, em formato, do que a diretora nos legou até então, ainda que confirme as suas preferências iconoclastas, no que tange à necessidade de estraçalhar o patriarcado por dentro. Gostei bastante! (WPC>)
Desfile dos Indicados
3.5 3Eu simplesmente desconhecia este curta-metragem e, como estou assistindo a estes filmes indicados e estudando a premiação, achei maravilhosa tanto a homenagem quanto a execução. Que lindo! Amei as caricaturas, o uso da música, a felicidade do/no cortejo. Maravilhoso! (WPC>)
Os Arcos Dourados de Olinda
4.6 2Estava ansiosíssimo por conferir este título, pois: 1 - os prêmios e a sinopse chamam bastante a nossa atenção; 2 - o diretor é muito simpático, cordial e interativo em suas redes sociais; e 3 - a potência política orgânica das produções pernambucanas agrada-me particularmente, ainda que nem sempre eu concorde com a auto-zombaria hiperelogiosa. O que conduz-me, diretamente, a um ponto que causava-me alguns breves incômodos na narração do filme: a insistência dos chistes adjetivos, definindo Olinda como "a melhor cidade do mundo" e afins. Porém, isso faz todo sentido na lógica irônica da obra, que, trazendo a estética de ILHA DAS FLORES para a contemporaneidade , costura argumentos mui relevantes, demonstrando que, em nosso cotidiano, tudo, absolutamente tudo, é político, sobretudo aquilo que (não) comemos. Além de muito divertido, o curta-metragem é elucidativo e esclarecedor, tanto em questões enciclopédicas quanto discursivas. Os detalhes da disputa entre as duas candidatas à prefeitura de Olinda, no ano 2000 são impressionantes, e trazem à tona questões que voltarão na disputa presidencial/governamental de 2026. Muito bem dirigido e montado, este filme já nasceu como clássico. Belezura de trabalho inteligentíssimo. Ansioso pela oportunidade de ele ser exibido oficialmente em meu Estado, para eu intimar os meus amigos para conferi-lo. Incrível e necessário, com um detalhe que encanta-me pessoalmente: a apresentação de uma de minhas bandas favoritas de todos os tempos, Textículos de Mary. Incrível! (WPC>)
Três Tipos de Medo
3.5 4Ter visto o curta depois do longa (do qual gostei muito) foi algo que depôs contra ele, pois a extensão acrescentou dados e relações, no que tange ao evento real que serviu de inspiração tramática, que deixa a impressão de incompletude nalgumas subtramas - já que, aqui, o impacto da situação surpreendente envolvendo o neto da senhora que lidera a campanha pela soltura de Sapinho é central -, mas a idéia é boa, o elenco está bem e a inserção das notícias verídicas durante os créditos finais foi sagaz. Só achei a montagem confusa, mas pode ser efeito da inevitável comparação com o longa-metragem posterior, o qual recomendo bastante! (WPC>)