O ponto de partida é ótimo e o uso característico, neste cinema tailandês rural, do contraste entre modernidade e tradição rende seqüências visualmente precisas. Gosto particularmente do detalhamento da dança masturbatória, e de como a extração de sêmen é mostrada em seu aspecto empregatício, inclusive em relação ao cansaço derivado. Quando o embate patronal/desejoso aumenta, senti que o filme ficou refém de "uma única piada", de modo que o desfecho, em vez de soar impactante em seu pendor denuncista/existencial, pareceu-me anticlimático, desperdiçando a potência do ato violento que ali ocorre. Mas o filme é visualmente deslumbrante: vou em busca dos demais trabalhos do diretor... (WPC>)
No segundo contato, doeu mais... Por mais que eu estivesse deslumbrado com os efeitos de montagem e fotografia, a trama esmigalhou-me, em termos emocionais, no sentido de que aquilo segue a acontecer, cem anos depois... Fotogenia em seu auge. Expressividade actancial, idem. Ótima utilização dos espaços urbanos, naquilo que eles contêm de restos de sofrimentos (e tênues alegrias). Um filme bonito, inegavelmente, mas que doeu... Tive de sair correndo da sala de exibição. Assaz pungente! (WPC>)
Achei curioso assistir a um curta-metragem proveniente de Fiji e gostei da sonoridade titular. Porém, a trama parece o capítulo inicial de um folhetim: acontecem algumas lutas, há uma fuga, sabemos que se trata de um episódio lendário na história do país, mas o desenvolvimento é rasteiro e as situações rapidamente contornadas, a despeito doo suspense desejado, quanto ao empreendimento executado pela corajosa protagonista. É um filme que não engrena, infelizmente, algo quase imperdoável num trabalho de gênero. (WPC>)
Como nordestino, a identificação situacional foi imediata: na rua em que moro, há um rapaz que segue o percurso deste protagonista real (risos). Muito simpático - e astuto - o Silvo Silva, que chega a duvidar até mesmo do pagamento que recebe por sua participação no filme. Certo ele em verificar! kkkkkkkkkkkkkkk Achei linda a explicação sobre o porquê de "Sunshine on My Shoulders", do John Denver, ser uma canção tão importante em sua vida. O desfecho é ótimo, ao inserir a canção titular enquanto composição própria. Muito bacana observar as reações das pessoas ao fundo - inclusive, na banca de vibradores, numa feira popular. Bacana. E, como diz o cantor, ao se despedir: "tcheu"! - WPC>
Vi o curta por acaso, apenas para fornecer imagens ao meu subconsciente, antes de dormir, e deparei-me com um texto inteligentíssimo (achei a voz do narrador muito parecida com a do Pasolini), que atualiza o texto borgesiano para uma conjuntura político-existencial que pode ser estendida para os anseios contemporâneos, na lida com os problemas recorrentes de enfrentamento dos fantasmas da extrema-direita. Incrível!! (WPC>)
Não vi o longa famoso do diretor, favorito de vários amigos, mas gostei muito de seu senso estético e de sua percepção astuta da fetichização da violência enquanto elemento de sensualidade periférica e dos códigos de hombridades associados a este processo. Fotograficamente, o filme é um primor; o desfecho surrealista é ótimo; mas quis/precisei que demorasse um pouco mais, para eu compreender as características políticas do enredo. Pesquisarei mais sobre! (WPC>)
Coletivo em feitura e temática, este curta-metragem poético e musical concatena as idéias de maneira orgânica, em termos de militância identitária, demonstrando mais que conhecimento de causa, vivência na pele, acerca do que é apresentado. O que começa como reivindicação, avança como demonstração afetiva, resinificando pequenos instantes do cotidiano negro - inclusive, em elã festivo. Um tanto videoclipesco, por vezes, mas muitíssimo bem sucedido nesta seara! (WPC>)
Vi este curta-metragem numa homenagem à roteirista Yoya Wursch. Curti o ponto de partida - bastante engraçado! - mas torna-se "um filme de uma piada só", que logo fica cansativo, a despeito da rápida duração e do elenco mui competente. Ri com o canto da boca e fiquei aflito quando a protagonista despedaça um exemplar de "Ulysses", do James Joyce (risos). O desfecho é anticlimático, mas, àquela altura, ei já tinha desistido de "embarcar" no humor saturado da obra. Insisto: vale pelo talento das atrizes envolvidas - e só! (WPC>)
Filme pesado, desconfortável, doloroso... Apesar de ser incisivo contra o oportunismo dos produtores pornográficos, o filme não é contra a pornografia em si, mas sobre como o dinheiro se interpõe em relação ao prazer, sobre como as atitudes mercenárias convertem o sexo nalgo desconfortável e doloroso, justamente. A cena em que um recrutador enfia o dedo na boca de um dos entrevistados - passivo, ansioso para ser remunerado - é violenta demais, o que referenda a crítica geral da obra, uma tese que pode ser estendida a toda a situação capitalista atual. Lindos os rapazes, tadinhos. Um documentário que demonstra o quão ambíguo pode ser o anseio por prazer, em seus atravessamentos classistas, na constatação de que sexo é - também e sobretudo - uma relação de poder. Muito, muito bom: icônico e assertivo! (WPC>)
Dentre todos os componentes fílmicos deste "Pelotasverso", este é o enredo que mais desperta empatia em relação aos personagens, inclusive quanto ao mau humor contínuo do pelego interpretado pelo muso Leandro Gomes. Paradoxalmente, é justamente tal aspecto que fez com que eu não apreciasse tanto o curta-metragem (não obstante o inequívoco fascínio e identificação - mediada pela alteridade - que ele provoca) no cotejo com seus "primos fílmicos", pois eu quis que ele durasse mais, quis ouvir mais aqueles homens sofridos, cansados, carentes, explorados física e espiritualmente... A situação do boné é indignante, mas infelizmente recorrente naquele tipo de espaço de convivência forçada. Um dos diretores adiantou que os monólogos advêm de relatos verídicos dos trabalhadores, o que é evidente na própria feitura da obra, com apanágios documentais (vide o aproveitamento dos nomes verdadeiros dos intérpretes para os personagens). Intrigante foi perceber que, não importa o quanto Leandro varresse aquele chão, enquanto vigiava as tarefas dos outros, tudo permanecia sujo. Doloroso desfecho, em que até mesmo o suicídio parecia mais consolador que a constatação de uma greve. Para quem aprecia os dilemas proletários de roteiros como os de ELES NÃO USAM BLACK-TIE ou o recente ARÁBIA, trata-se de um complemento benfazejo. Não obstante não ter o mesmo impacto que as demais obras citadas, trata-se de um filme poderoso, em sua conjuntura emocional e reivindicativa! (WPC>)
Aconteceu algo que desgosto: ficar no meio-termo apreciativo em relação a um filme tão divisivo, que causou reações tão extremas por onde passou, na chave do "ame ou odeie". Gostei muito das comparações e referências que direcionam a esta obra, que faz com um carro o mesmo que Stan Brakhage concede aos indivíduos humanos em O ATO DE VER COM OS PRÓPRIOS OLHOS. O problema: na montagem, acompanhamos a dissolução do objeto, de um lado; do outro, testemunhamos as mãos e pernas de quem manuseia a máquina que destrói máquinas. Ao optar por esta abordagem, o foco sai do objeto que "morre" para renascer reciclado ou da própria experiência imersiva (sobretudo, em eixo sonoro) da destruição, para abordar uma relação entre ato em si e trabalho, de modo que o que a diretora pretende com o choque das sessões - "em volume máximo, por favor" - soa como um fetiche, para não passa diuturnamente por aquele tipo extenuante de atividade. Como proletário, senti-me agredido pelo olhar exibicionista da diretora, que não permite que o objeto sacrificado se instaure como tal: é apenas mais um componente na ansiedade por incomodar, tornar-se manchete nos festivais por onde passa, estimular as efêmeras e agressivas brigas do FilmTwitter. Quando o ângulo da câmera está naquilo que é anunciado pela onomatopeia titular, o filme se engrandece; quando a edição revela que a diretora está ciente de que aquele não é o seu cotidiano, e que só é "divertido" porque isolado do contexto, soou-me uma declaração involuntária (?) dos privilégios de classe dos envolvidos. Daí, o meu empasse: gosto do filme, mas não do que ele representa, enquanto discurso. Pendo mais para qual lado, na contenda (WPC>)
Por conta de todo o auê crítico envolvendo o longa-metragem derivado do que começou com este curta-metragem, resolvi conferi-lo. E, infelizmente, não funcionou: como sói acontecer com os modismos neogeracionais, a "homenagem" ao experimentalismo esbarra num formalismo barato e sem vida, revelando a falta de conhecimento de causa e/ou relação com aquilo que se tenta emular - no caso, os defeitos de projeção em VHS como "linguagem". Apreciei a utilização inteligente do espaço infinito, no que parecia uma apropriação genérica daquilo que Michael Snow propõe em COMPRIMENTO DE ONDA, mas a montagem picotada estraga tanto a imersão quanto a suposição de que estamos diante de algo à la 'found footage'. De repente, há algo perseguindo o protagonista. E termina... O vazio predomina, bem como o saudosismo por aquilo que o realizador não viveu - e que, como tal, não compreendeu. Falhei ao cair nesta esparrela, não deu! (WPC>)
Muito contundente em abordagem e feitura, com as marcas registradas do diretor, no que tange à tênue distinção entre ficção e documentário - ainda que as primeiras intenções sejam evidentes. Há um trabalho inspiradíssimo de utilização dos dramas reais do elenco juvenil na composição dos dramas de seus personagens e achei brilhante que os créditos de abertura sejam pronunciados pelo trio central, numa cena que abre espaço para a extraordinária e progressiva fala em que uma mãe de família recita, com mudanças significativas na redução de horário disponível para a vida doméstica pessoal, a rotina de seu estafante trabalho. Mui doloroso e bem realizado, com aberturas a múltiplas reflexões, já que há tanto o ponto de vista da professora quanto o dos jovens em contínua experimentação dramática (cientes de que estão atuando e de que são eles mesmos). Comovente e sagaz na maneira como é conduzido! (WPC>)
Conheço os trabalhos e múltiplos talentos de Everlane faz tempo, mas sempre surpreendo-me a cada novo contato com as suas obras. Aqui, ela adere a um estilo computadorizado de animação que, ao mesmo tempo em que nos seduz pela beleza em preto-e-branco dos traços dos ambientes e personagens, instaura uma dúvida, a partir dos elementos em sépia que surgem, eventualmente. A trama começa como se fosse um relato bíblico, uma cosmogonia afro-americana, cujo caráter mitológico desemboca numa genial troca de narrações (e, por extensão discursiva, de narrativas), em que um mesmo evento, sob uma voz masculina e sob uma voz feminina, manifesta diferentes conotações. Trata-se, portanto, de um inusitado relato feminista, que nos ensina a desconfiar das versões oficiais de mitologias, mesmo quando amparadas pelo leque identitarista. Bastante inventivo e provocador - e diferente, em formato, do que a diretora nos legou até então, ainda que confirme as suas preferências iconoclastas, no que tange à necessidade de estraçalhar o patriarcado por dentro. Gostei bastante! (WPC>)
Eu simplesmente desconhecia este curta-metragem e, como estou assistindo a estes filmes indicados e estudando a premiação, achei maravilhosa tanto a homenagem quanto a execução. Que lindo! Amei as caricaturas, o uso da música, a felicidade do/no cortejo. Maravilhoso! (WPC>)
Estava ansiosíssimo por conferir este título, pois: 1 - os prêmios e a sinopse chamam bastante a nossa atenção; 2 - o diretor é muito simpático, cordial e interativo em suas redes sociais; e 3 - a potência política orgânica das produções pernambucanas agrada-me particularmente, ainda que nem sempre eu concorde com a auto-zombaria hiperelogiosa. O que conduz-me, diretamente, a um ponto que causava-me alguns breves incômodos na narração do filme: a insistência dos chistes adjetivos, definindo Olinda como "a melhor cidade do mundo" e afins. Porém, isso faz todo sentido na lógica irônica da obra, que, trazendo a estética de ILHA DAS FLORES para a contemporaneidade , costura argumentos mui relevantes, demonstrando que, em nosso cotidiano, tudo, absolutamente tudo, é político, sobretudo aquilo que (não) comemos. Além de muito divertido, o curta-metragem é elucidativo e esclarecedor, tanto em questões enciclopédicas quanto discursivas. Os detalhes da disputa entre as duas candidatas à prefeitura de Olinda, no ano 2000 são impressionantes, e trazem à tona questões que voltarão na disputa presidencial/governamental de 2026. Muito bem dirigido e montado, este filme já nasceu como clássico. Belezura de trabalho inteligentíssimo. Ansioso pela oportunidade de ele ser exibido oficialmente em meu Estado, para eu intimar os meus amigos para conferi-lo. Incrível e necessário, com um detalhe que encanta-me pessoalmente: a apresentação de uma de minhas bandas favoritas de todos os tempos, Textículos de Mary. Incrível! (WPC>)
Ter visto o curta depois do longa (do qual gostei muito) foi algo que depôs contra ele, pois a extensão acrescentou dados e relações, no que tange ao evento real que serviu de inspiração tramática, que deixa a impressão de incompletude nalgumas subtramas - já que, aqui, o impacto da situação surpreendente envolvendo o neto da senhora que lidera a campanha pela soltura de Sapinho é central -, mas a idéia é boa, o elenco está bem e a inserção das notícias verídicas durante os créditos finais foi sagaz. Só achei a montagem confusa, mas pode ser efeito da inevitável comparação com o longa-metragem posterior, o qual recomendo bastante! (WPC>)
Lembro que, quando foi lançado, este filme causou um verdadeiro rebuliço: o pessoal de minha turma de Jornalismo amava, o filme foi discutido em congressos, reuniões de estudantes, ocupação grevista da universidade, uma série de eventos... Mas eu não apreciei a glorificação da violência (mesmo que reivindicativa e "justificada") à época. Hoje, mais de vinte anos depois, tendo lido o livro do Sérgio Buarque e compreendendo algumas funções da luta armada, sigo desgostando do filme. Sinto que, nele, o protesto dos seqüestradores justiceiros de classe é muito mais motivo pela piada com o sotaque e os xingamentos relacionados que pela situação militante em si, relegada a segundo plano. Ao invés de reflexão, o chiste (que, OK, tem lá a sua função contestatória). Não me desce bem. Prefiro outro tipo de percurso no enfrentamento das opressões raciais e de classe, para além da generalização cômica das classes inimigas de cabelos brancos...! (WPC>)
No debate sobre este curta afetivo, em presença de um dos destinatários (Fernando de Mendonça, maravilhoso), foi tematizada a questão do desparecimento. Como o filme termina com a câmera urgindo para filmar uma rua vazia, enquanto os membros do Alumbramento cantam, dançam, riem e conversam, o que permite uma interpretação mui peculiar do que fôra registrado, a partir de outros relatos complementares, compartilhados a posteriori pelo diretor. Minúsculo em duração, mas imenso no que transmite. Amor um tanto dodói, mas amor - e música! (WPC>)
Na revisão, as virtudes e apanágios contestatórios do filme crescem ainda mais: a direção é extremamente segura, o roteiro é repleto de camadas interpretativas, e a personificação de Ticiane Simões é sublime, prenhe de surpreendente graça (no sentido religioso do termo). O modo como os abusos comumente direcionados às mulheres é ressignificado aqui impressiona pela audácia, pela amoralidade, pela superação do modelo de opressão. Trabalho de gênia, a Mayra Costa começou por cima, mereceu todos os prêmios que recebeu - e que venham mais e mais. Sou fã absoluto! (WPC>)
OK, ao meu redor, gargalhavam, o filme chegou em quem ansiava por ele, despejou os seus chistes de incitação 'trash', com um pano de fundo "sociológico", reduzindo ao mero escracho o que engendrou uma aparente onda de regravações, após a empreitada do Costa-Gravas em O CORTE. As más condições de filmagem, justificadas pelo baixíssimo orçamento da produção, validam a impressão de "mal-feito de propósito", o que torna canhestra toda e qualquer tentativa de analisar com um mínimo de seriedade a obra. Para que, né? Não avançarei neste sentido, então. Não funcionou comigo, não curti a moral invertida de empoderamento, não acho engraçado o modo como a contagem de assassinatos aparece aqui (com uma lógica internamente falida, no que tange ao TOC da psicopatia) e, realmente, considero improdutiva a bazófia pleonástica, relacionada à punição direcionada à babaquice de um dos rapazes, justamente o que declina da vaga e que, portanto, poderia garantir a sua liberação na lista de eliminações "motivadas" pela necessidade de trabalhar. O vilão está lá fora (o empregador é ainda mais machista que os concorrentes da protagonista), mas é mais fácil investir na gaiatice competitiva dos grupos inferiorizados. "Ah, mas é só uma comédia, Wesley!". Aham! É assim que o cancelamentismo de Twitter segue vigorando... Até compreendo o auê que ele provoca, mas, comigo realmente não funciona! :( - WPC>
Fui pego de surpresa, aqui: realmente, não sabia o que esperar deste curta-metragem e deparei-me com uma aplicação mui contundente da realidade LGBTQIAPN+ em meio às limitações vinculadas aos embargos sofridos pelo povo cubano. Algo no desenvolvimento da narrativa fez com que eu pensasse nos ótimos filmes do pernambucano Henrique Arruda, sobretudo no recente ERA UMA VEZ DIVERSIONES. Porém, o que é trazido à tona nesta obra possui um viés melancólico, que é transcendido através do pulso da resistência. Não curto muito os espetáculos de 'lipsync', mas adorei a seleção de canções efetivadas pelas 'drag queens' do local. Queria estar lá, em verdade, para ajudar a iluminar a Elizabeth, em sua estréia. O fiz à distância, numa empolgada sessão em grupo. Foi bonito! (WPC>)
As idéias são boas, o clima de ficção científica, a crise de consciência robótica... Mas tudo decai por conta da insistência em tematizar um tipo de incomunicabilidade induzida pela má vontade das envolvidas (por questões traumáticas, que seja). Gostei bem mais da personagem da professora lidando com as suas possibilidades de adaptação no ambiente escolar tradicional que na toxicidade relacional entre cientistas e invenção feminina. Os diálogos chegam a ser risíveis, na busca de uma pela entrada HDMI da outra, na oferta "voyager", no pedido de entrada no 'feed' do simulacro materno travestido em amante nomenclaturalmente ressignificada. As pessoas que estava comigo na sessão ficaram repetindo os chistes involuntários do roteiro por bastante tempo. Não funcionou. Prefere o pantim pós-adolescente à reflexão conscienciosa, urgh! (WPC>)
Abordagem adulta e contundente, com uma denúncia que, justamente por ser acachapante, adere à obviedade discursiva, perdoada pela urgência do que é apresentado. A protagonista é muito boa e, por conta das subtramas cotidianas, este curta poderia ser expandido enquanto longa-metragem. É sempre interessante acompanhar novos olhares e abordagens sobre o trabalho. Dói, inclusive! (WPC>)
The Bovine Comedy
3.0 1O ponto de partida é ótimo e o uso característico, neste cinema tailandês rural, do contraste entre modernidade e tradição rende seqüências visualmente precisas. Gosto particularmente do detalhamento da dança masturbatória, e de como a extração de sêmen é mostrada em seu aspecto empregatício, inclusive em relação ao cansaço derivado. Quando o embate patronal/desejoso aumenta, senti que o filme ficou refém de "uma única piada", de modo que o desfecho, em vez de soar impactante em seu pendor denuncista/existencial, pareceu-me anticlimático, desperdiçando a potência do ato violento que ali ocorre. Mas o filme é visualmente deslumbrante: vou em busca dos demais trabalhos do diretor... (WPC>)
Ménilmontant
4.2 12No segundo contato, doeu mais... Por mais que eu estivesse deslumbrado com os efeitos de montagem e fotografia, a trama esmigalhou-me, em termos emocionais, no sentido de que aquilo segue a acontecer, cem anos depois... Fotogenia em seu auge. Expressividade actancial, idem. Ótima utilização dos espaços urbanos, naquilo que eles contêm de restos de sofrimentos (e tênues alegrias). Um filme bonito, inegavelmente, mas que doeu... Tive de sair correndo da sala de exibição. Assaz pungente! (WPC>)
Daunitukutuku
1.5 1Achei curioso assistir a um curta-metragem proveniente de Fiji e gostei da sonoridade titular. Porém, a trama parece o capítulo inicial de um folhetim: acontecem algumas lutas, há uma fuga, sabemos que se trata de um episódio lendário na história do país, mas o desenvolvimento é rasteiro e as situações rapidamente contornadas, a despeito doo suspense desejado, quanto ao empreendimento executado pela corajosa protagonista. É um filme que não engrena, infelizmente, algo quase imperdoável num trabalho de gênero. (WPC>)
Recife Tem um Coração
3.0 1Como nordestino, a identificação situacional foi imediata: na rua em que moro, há um rapaz que segue o percurso deste protagonista real (risos). Muito simpático - e astuto - o Silvo Silva, que chega a duvidar até mesmo do pagamento que recebe por sua participação no filme. Certo ele em verificar! kkkkkkkkkkkkkkk Achei linda a explicação sobre o porquê de "Sunshine on My Shoulders", do John Denver, ser uma canção tão importante em sua vida. O desfecho é ótimo, ao inserir a canção titular enquanto composição própria. Muito bacana observar as reações das pessoas ao fundo - inclusive, na banca de vibradores, numa feira popular. Bacana. E, como diz o cantor, ao se despedir: "tcheu"! - WPC>
La maschera del minotauro
3.9 2Vi o curta por acaso, apenas para fornecer imagens ao meu subconsciente, antes de dormir, e deparei-me com um texto inteligentíssimo (achei a voz do narrador muito parecida com a do Pasolini), que atualiza o texto borgesiano para uma conjuntura político-existencial que pode ser estendida para os anseios contemporâneos, na lida com os problemas recorrentes de enfrentamento dos fantasmas da extrema-direita. Incrível!! (WPC>)
Peloton Trueno
3.0 1Não vi o longa famoso do diretor, favorito de vários amigos, mas gostei muito de seu senso estético e de sua percepção astuta da fetichização da violência enquanto elemento de sensualidade periférica e dos códigos de hombridades associados a este processo. Fotograficamente, o filme é um primor; o desfecho surrealista é ótimo; mas quis/precisei que demorasse um pouco mais, para eu compreender as características políticas do enredo. Pesquisarei mais sobre! (WPC>)
Diálogo Bulbul
4.0 1Coletivo em feitura e temática, este curta-metragem poético e musical concatena as idéias de maneira orgânica, em termos de militância identitária, demonstrando mais que conhecimento de causa, vivência na pele, acerca do que é apresentado. O que começa como reivindicação, avança como demonstração afetiva, resinificando pequenos instantes do cotidiano negro - inclusive, em elã festivo. Um tanto videoclipesco, por vezes, mas muitíssimo bem sucedido nesta seara! (WPC>)
O Bebê
3.3 5Vi este curta-metragem numa homenagem à roteirista Yoya Wursch. Curti o ponto de partida - bastante engraçado! - mas torna-se "um filme de uma piada só", que logo fica cansativo, a despeito da rápida duração e do elenco mui competente. Ri com o canto da boca e fiquei aflito quando a protagonista despedaça um exemplar de "Ulysses", do James Joyce (risos). O desfecho é anticlimático, mas, àquela altura, ei já tinha desistido de "embarcar" no humor saturado da obra. Insisto: vale pelo talento das atrizes envolvidas - e só! (WPC>)
The Fall of Communism as Seen in Gay Pornography
3.1 6Filme pesado, desconfortável, doloroso... Apesar de ser incisivo contra o oportunismo dos produtores pornográficos, o filme não é contra a pornografia em si, mas sobre como o dinheiro se interpõe em relação ao prazer, sobre como as atitudes mercenárias convertem o sexo nalgo desconfortável e doloroso, justamente. A cena em que um recrutador enfia o dedo na boca de um dos entrevistados - passivo, ansioso para ser remunerado - é violenta demais, o que referenda a crítica geral da obra, uma tese que pode ser estendida a toda a situação capitalista atual. Lindos os rapazes, tadinhos. Um documentário que demonstra o quão ambíguo pode ser o anseio por prazer, em seus atravessamentos classistas, na constatação de que sexo é - também e sobretudo - uma relação de poder. Muito, muito bom: icônico e assertivo! (WPC>)
Braço Forte
3.8 1Dentre todos os componentes fílmicos deste "Pelotasverso", este é o enredo que mais desperta empatia em relação aos personagens, inclusive quanto ao mau humor contínuo do pelego interpretado pelo muso Leandro Gomes. Paradoxalmente, é justamente tal aspecto que fez com que eu não apreciasse tanto o curta-metragem (não obstante o inequívoco fascínio e identificação - mediada pela alteridade - que ele provoca) no cotejo com seus "primos fílmicos", pois eu quis que ele durasse mais, quis ouvir mais aqueles homens sofridos, cansados, carentes, explorados física e espiritualmente... A situação do boné é indignante, mas infelizmente recorrente naquele tipo de espaço de convivência forçada. Um dos diretores adiantou que os monólogos advêm de relatos verídicos dos trabalhadores, o que é evidente na própria feitura da obra, com apanágios documentais (vide o aproveitamento dos nomes verdadeiros dos intérpretes para os personagens). Intrigante foi perceber que, não importa o quanto Leandro varresse aquele chão, enquanto vigiava as tarefas dos outros, tudo permanecia sujo. Doloroso desfecho, em que até mesmo o suicídio parecia mais consolador que a constatação de uma greve. Para quem aprecia os dilemas proletários de roteiros como os de ELES NÃO USAM BLACK-TIE ou o recente ARÁBIA, trata-se de um complemento benfazejo. Não obstante não ter o mesmo impacto que as demais obras citadas, trata-se de um filme poderoso, em sua conjuntura emocional e reivindicativa! (WPC>)
Crash
1.5 1Aconteceu algo que desgosto: ficar no meio-termo apreciativo em relação a um filme tão divisivo, que causou reações tão extremas por onde passou, na chave do "ame ou odeie". Gostei muito das comparações e referências que direcionam a esta obra, que faz com um carro o mesmo que Stan Brakhage concede aos indivíduos humanos em O ATO DE VER COM OS PRÓPRIOS OLHOS. O problema: na montagem, acompanhamos a dissolução do objeto, de um lado; do outro, testemunhamos as mãos e pernas de quem manuseia a máquina que destrói máquinas. Ao optar por esta abordagem, o foco sai do objeto que "morre" para renascer reciclado ou da própria experiência imersiva (sobretudo, em eixo sonoro) da destruição, para abordar uma relação entre ato em si e trabalho, de modo que o que a diretora pretende com o choque das sessões - "em volume máximo, por favor" - soa como um fetiche, para não passa diuturnamente por aquele tipo extenuante de atividade. Como proletário, senti-me agredido pelo olhar exibicionista da diretora, que não permite que o objeto sacrificado se instaure como tal: é apenas mais um componente na ansiedade por incomodar, tornar-se manchete nos festivais por onde passa, estimular as efêmeras e agressivas brigas do FilmTwitter. Quando o ângulo da câmera está naquilo que é anunciado pela onomatopeia titular, o filme se engrandece; quando a edição revela que a diretora está ciente de que aquele não é o seu cotidiano, e que só é "divertido" porque isolado do contexto, soou-me uma declaração involuntária (?) dos privilégios de classe dos envolvidos. Daí, o meu empasse: gosto do filme, mas não do que ele representa, enquanto discurso. Pendo mais para qual lado, na contenda (WPC>)
The Backrooms (Found Footage)
3.7 22Por conta de todo o auê crítico envolvendo o longa-metragem derivado do que começou com este curta-metragem, resolvi conferi-lo. E, infelizmente, não funcionou: como sói acontecer com os modismos neogeracionais, a "homenagem" ao experimentalismo esbarra num formalismo barato e sem vida, revelando a falta de conhecimento de causa e/ou relação com aquilo que se tenta emular - no caso, os defeitos de projeção em VHS como "linguagem". Apreciei a utilização inteligente do espaço infinito, no que parecia uma apropriação genérica daquilo que Michael Snow propõe em COMPRIMENTO DE ONDA, mas a montagem picotada estraga tanto a imersão quanto a suposição de que estamos diante de algo à la 'found footage'. De repente, há algo perseguindo o protagonista. E termina... O vazio predomina, bem como o saudosismo por aquilo que o realizador não viveu - e que, como tal, não compreendeu. Falhei ao cair nesta esparrela, não deu! (WPC>)
Disciplina
4.0 1Muito contundente em abordagem e feitura, com as marcas registradas do diretor, no que tange à tênue distinção entre ficção e documentário - ainda que as primeiras intenções sejam evidentes. Há um trabalho inspiradíssimo de utilização dos dramas reais do elenco juvenil na composição dos dramas de seus personagens e achei brilhante que os créditos de abertura sejam pronunciados pelo trio central, numa cena que abre espaço para a extraordinária e progressiva fala em que uma mãe de família recita, com mudanças significativas na redução de horário disponível para a vida doméstica pessoal, a rotina de seu estafante trabalho. Mui doloroso e bem realizado, com aberturas a múltiplas reflexões, já que há tanto o ponto de vista da professora quanto o dos jovens em contínua experimentação dramática (cientes de que estão atuando e de que são eles mesmos). Comovente e sagaz na maneira como é conduzido! (WPC>)
O Segredo Sagrado
4.0 1Conheço os trabalhos e múltiplos talentos de Everlane faz tempo, mas sempre surpreendo-me a cada novo contato com as suas obras. Aqui, ela adere a um estilo computadorizado de animação que, ao mesmo tempo em que nos seduz pela beleza em preto-e-branco dos traços dos ambientes e personagens, instaura uma dúvida, a partir dos elementos em sépia que surgem, eventualmente. A trama começa como se fosse um relato bíblico, uma cosmogonia afro-americana, cujo caráter mitológico desemboca numa genial troca de narrações (e, por extensão discursiva, de narrativas), em que um mesmo evento, sob uma voz masculina e sob uma voz feminina, manifesta diferentes conotações. Trata-se, portanto, de um inusitado relato feminista, que nos ensina a desconfiar das versões oficiais de mitologias, mesmo quando amparadas pelo leque identitarista. Bastante inventivo e provocador - e diferente, em formato, do que a diretora nos legou até então, ainda que confirme as suas preferências iconoclastas, no que tange à necessidade de estraçalhar o patriarcado por dentro. Gostei bastante! (WPC>)
Desfile dos Indicados
3.5 3Eu simplesmente desconhecia este curta-metragem e, como estou assistindo a estes filmes indicados e estudando a premiação, achei maravilhosa tanto a homenagem quanto a execução. Que lindo! Amei as caricaturas, o uso da música, a felicidade do/no cortejo. Maravilhoso! (WPC>)
Os Arcos Dourados de Olinda
4.6 2Estava ansiosíssimo por conferir este título, pois: 1 - os prêmios e a sinopse chamam bastante a nossa atenção; 2 - o diretor é muito simpático, cordial e interativo em suas redes sociais; e 3 - a potência política orgânica das produções pernambucanas agrada-me particularmente, ainda que nem sempre eu concorde com a auto-zombaria hiperelogiosa. O que conduz-me, diretamente, a um ponto que causava-me alguns breves incômodos na narração do filme: a insistência dos chistes adjetivos, definindo Olinda como "a melhor cidade do mundo" e afins. Porém, isso faz todo sentido na lógica irônica da obra, que, trazendo a estética de ILHA DAS FLORES para a contemporaneidade , costura argumentos mui relevantes, demonstrando que, em nosso cotidiano, tudo, absolutamente tudo, é político, sobretudo aquilo que (não) comemos. Além de muito divertido, o curta-metragem é elucidativo e esclarecedor, tanto em questões enciclopédicas quanto discursivas. Os detalhes da disputa entre as duas candidatas à prefeitura de Olinda, no ano 2000 são impressionantes, e trazem à tona questões que voltarão na disputa presidencial/governamental de 2026. Muito bem dirigido e montado, este filme já nasceu como clássico. Belezura de trabalho inteligentíssimo. Ansioso pela oportunidade de ele ser exibido oficialmente em meu Estado, para eu intimar os meus amigos para conferi-lo. Incrível e necessário, com um detalhe que encanta-me pessoalmente: a apresentação de uma de minhas bandas favoritas de todos os tempos, Textículos de Mary. Incrível! (WPC>)
Três Tipos de Medo
3.6 4Ter visto o curta depois do longa (do qual gostei muito) foi algo que depôs contra ele, pois a extensão acrescentou dados e relações, no que tange ao evento real que serviu de inspiração tramática, que deixa a impressão de incompletude nalgumas subtramas - já que, aqui, o impacto da situação surpreendente envolvendo o neto da senhora que lidera a campanha pela soltura de Sapinho é central -, mas a idéia é boa, o elenco está bem e a inserção das notícias verídicas durante os créditos finais foi sagaz. Só achei a montagem confusa, mas pode ser efeito da inevitável comparação com o longa-metragem posterior, o qual recomendo bastante! (WPC>)
O Fim do Homem Cordial
2.6 7Lembro que, quando foi lançado, este filme causou um verdadeiro rebuliço: o pessoal de minha turma de Jornalismo amava, o filme foi discutido em congressos, reuniões de estudantes, ocupação grevista da universidade, uma série de eventos... Mas eu não apreciei a glorificação da violência (mesmo que reivindicativa e "justificada") à época. Hoje, mais de vinte anos depois, tendo lido o livro do Sérgio Buarque e compreendendo algumas funções da luta armada, sigo desgostando do filme. Sinto que, nele, o protesto dos seqüestradores justiceiros de classe é muito mais motivo pela piada com o sotaque e os xingamentos relacionados que pela situação militante em si, relegada a segundo plano. Ao invés de reflexão, o chiste (que, OK, tem lá a sua função contestatória). Não me desce bem. Prefiro outro tipo de percurso no enfrentamento das opressões raciais e de classe, para além da generalização cômica das classes inimigas de cabelos brancos...! (WPC>)
Carta do Ceará #02
3.5 1No debate sobre este curta afetivo, em presença de um dos destinatários (Fernando de Mendonça, maravilhoso), foi tematizada a questão do desparecimento. Como o filme termina com a câmera urgindo para filmar uma rua vazia, enquanto os membros do Alumbramento cantam, dançam, riem e conversam, o que permite uma interpretação mui peculiar do que fôra registrado, a partir de outros relatos complementares, compartilhados a posteriori pelo diretor. Minúsculo em duração, mas imenso no que transmite. Amor um tanto dodói, mas amor - e música! (WPC>)
Entre Corpos
4.0 1Na revisão, as virtudes e apanágios contestatórios do filme crescem ainda mais: a direção é extremamente segura, o roteiro é repleto de camadas interpretativas, e a personificação de Ticiane Simões é sublime, prenhe de surpreendente graça (no sentido religioso do termo). O modo como os abusos comumente direcionados às mulheres é ressignificado aqui impressiona pela audácia, pela amoralidade, pela superação do modelo de opressão. Trabalho de gênia, a Mayra Costa começou por cima, mereceu todos os prêmios que recebeu - e que venham mais e mais. Sou fã absoluto! (WPC>)
Quatro Cadeiras
1.0 1OK, ao meu redor, gargalhavam, o filme chegou em quem ansiava por ele, despejou os seus chistes de incitação 'trash', com um pano de fundo "sociológico", reduzindo ao mero escracho o que engendrou uma aparente onda de regravações, após a empreitada do Costa-Gravas em O CORTE. As más condições de filmagem, justificadas pelo baixíssimo orçamento da produção, validam a impressão de "mal-feito de propósito", o que torna canhestra toda e qualquer tentativa de analisar com um mínimo de seriedade a obra. Para que, né? Não avançarei neste sentido, então. Não funcionou comigo, não curti a moral invertida de empoderamento, não acho engraçado o modo como a contagem de assassinatos aparece aqui (com uma lógica internamente falida, no que tange ao TOC da psicopatia) e, realmente, considero improdutiva a bazófia pleonástica, relacionada à punição direcionada à babaquice de um dos rapazes, justamente o que declina da vaga e que, portanto, poderia garantir a sua liberação na lista de eliminações "motivadas" pela necessidade de trabalhar. O vilão está lá fora (o empregador é ainda mais machista que os concorrentes da protagonista), mas é mais fácil investir na gaiatice competitiva dos grupos inferiorizados. "Ah, mas é só uma comédia, Wesley!". Aham! É assim que o cancelamentismo de Twitter segue vigorando... Até compreendo o auê que ele provoca, mas, comigo realmente não funciona! :( - WPC>
Babilônia
3.0 1Fui pego de surpresa, aqui: realmente, não sabia o que esperar deste curta-metragem e deparei-me com uma aplicação mui contundente da realidade LGBTQIAPN+ em meio às limitações vinculadas aos embargos sofridos pelo povo cubano. Algo no desenvolvimento da narrativa fez com que eu pensasse nos ótimos filmes do pernambucano Henrique Arruda, sobretudo no recente ERA UMA VEZ DIVERSIONES. Porém, o que é trazido à tona nesta obra possui um viés melancólico, que é transcendido através do pulso da resistência. Não curto muito os espetáculos de 'lipsync', mas adorei a seleção de canções efetivadas pelas 'drag queens' do local. Queria estar lá, em verdade, para ajudar a iluminar a Elizabeth, em sua estréia. O fiz à distância, numa empolgada sessão em grupo. Foi bonito! (WPC>)
Notas sobre a Identidade
2.0 1As idéias são boas, o clima de ficção científica, a crise de consciência robótica... Mas tudo decai por conta da insistência em tematizar um tipo de incomunicabilidade induzida pela má vontade das envolvidas (por questões traumáticas, que seja). Gostei bem mais da personagem da professora lidando com as suas possibilidades de adaptação no ambiente escolar tradicional que na toxicidade relacional entre cientistas e invenção feminina. Os diálogos chegam a ser risíveis, na busca de uma pela entrada HDMI da outra, na oferta "voyager", no pedido de entrada no 'feed' do simulacro materno travestido em amante nomenclaturalmente ressignificada. As pessoas que estava comigo na sessão ficaram repetindo os chistes involuntários do roteiro por bastante tempo. Não funcionou. Prefere o pantim pós-adolescente à reflexão conscienciosa, urgh! (WPC>)
Benedita
3.2 1Abordagem adulta e contundente, com uma denúncia que, justamente por ser acachapante, adere à obviedade discursiva, perdoada pela urgência do que é apresentado. A protagonista é muito boa e, por conta das subtramas cotidianas, este curta poderia ser expandido enquanto longa-metragem. É sempre interessante acompanhar novos olhares e abordagens sobre o trabalho. Dói, inclusive! (WPC>)