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Duração
Drama brasileiro produzido e filmado em Porto Alegre, e dividido em dois episódios que contam com diferentes núcleos de personagens e estruturas narrativas independentes. Foi o primeiro longa-metragem brasileiro assinado por um diretor negro, Odilon Lopez.
No primeiro episódio, “Com Um Pouquinho de Sorte”, o motorista de ônibus Jorge se casa com Maria. Grávida, ela é despedida do emprego. Quando Jorge sofre um acidente e tem o mesmo destino, precisa virar camelô e bicheiro para pagar as prestações do apartamento. No segundo episódio, “Vida Nova Por Acaso”, os batedores de carteiras Magrão e Crioulo saem da cadeia dispostos a começar uma vida nova. Um deles apaixona-se perdidamente por uma loira de alta classe social, mas o destino lhe reserva uma surpresa.
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- a restauração que fizeram desse filme está maravilhosa, são poucos filmes da época e até mais novos que eu vi com essa qualidade de imagem
- parece que as histórias seriam de comédia, mas rumam para ótimos dramas bem pesados com discussões sociais importantes, para a época e ainda hoje
A cada nova experiência, defendo mais e mais a importância de rever filmes. Neste caso em particular, o problema foi outro: vi o único episódio até então existente e, de maneira isolada, ele não funcionou comigo. Assistindo à integralidade da obra, fiquei encantado perante a genialidade do Odilon, tão injustamente rejeitado (desconhecido, em verdade) pela cinefilia brasileira. Tive trabalho até para encontrar notícias biográfica, que dirá sobre a sua carreira. Felizmente, o acesso ao longa-metragem ocorreu numa mostra com debate, o que estimulou as novas gerações a conhecerem este petardo incrível, que, ao contrário do que tantos dizem, não "é mais fraca no drama que na comédia". Por mais que, sim, no segundo episódio, a ironia do diretor é elevada a patamares impressionantes, o que senti no episódio inicial, com o qual identifiquei-me bastante, em relação a situações de minha própria vida, foi dilacerador. Que controle extraordinário de todos os elementos fílmicos. Trabalho de gênio indubitavelmente: amei a direção de atores, os jogos com a perspectiva da câmera, a falta de pudor em apontar o capitalismo especulativo e o racismo estrutural como os vilões do enredo, tudo. Tudinho! Tanto que, no debate com a crítica Kênia Freitas, no evento local supracitado, pedi desculpas ao Odilon, por meu rechaço (involuntariamente) inorgânico anterior. Onde quer que tu estejas, querido pioneiro, meus parabéns - e obrigado por este filmaço! (WPC>)
Pode assistir sem medo à novíssima e espetacular restauração, filme engraçadíssimo e extremamente importante na nossa genealogia.