Diego Bauer revisita sua história e confronta as marcas da obesidade que moldaram sua vida e carreira. O filme expõe as tensões entre corpo e identidade.
Se, na versão em curta-metragem, o personagem quase não falava, limitando-se a respirar ofegante por conta dos obsessivos treinos a que se submete, neste longa, ele fala demais - e, por ser humano e lidar com traumas mal administrados, comete muitos erros. A decisão de Diego Bauer de emprestar seu nome e mudanças corporais a este protagonista dúbio é mui corajosa e digna, visto que ele foi assaz exitoso na tentativa de conferir humanidade e empatia a alguém que machuca as pessoas ao seu redor, às vezes sem querer. A tensão na cena do Uber é potente, mas não chega aos pés do terror instaurado naquela reunião familiar natalina, na qual percebemos as origens das mazelas disfóricas que Diego (o do filme) sofre. Há momentos escancarados de humor (o comercial da Manaus Gás, a compra do Viagra com energético na farmácia. a tentativa de troca do maço de cigarro, a execução da canção "Cachimblema", a visita ao amigo cocainômano, a encurralada no banheiro da academia), mas mesmo estes associam-se às aflições que perseguem o protagonista, em seu afã por encontrar/manter trabalho, saciar os seus desejos sexuais elementares, e relacionar-se com amigos que o enxergam mais pelas aparências exortadas a muito custo e suor que pela essência interditada. Neste sentido., as interações com os pais são balsâmicas. Minha mãe, ao meu lado na sessão, exclamava o tempo inteiro "coitado!", e eu, obviamente, identifiquei-me bastante com o que vi e senti. Filme forte. Extraordinário. Parabéns pela execução! (WPC>)
Se, na versão em curta-metragem, o personagem quase não falava, limitando-se a respirar ofegante por conta dos obsessivos treinos a que se submete, neste longa, ele fala demais - e, por ser humano e lidar com traumas mal administrados, comete muitos erros. A decisão de Diego Bauer de emprestar seu nome e mudanças corporais a este protagonista dúbio é mui corajosa e digna, visto que ele foi assaz exitoso na tentativa de conferir humanidade e empatia a alguém que machuca as pessoas ao seu redor, às vezes sem querer. A tensão na cena do Uber é potente, mas não chega aos pés do terror instaurado naquela reunião familiar natalina, na qual percebemos as origens das mazelas disfóricas que Diego (o do filme) sofre. Há momentos escancarados de humor (o comercial da Manaus Gás, a compra do Viagra com energético na farmácia. a tentativa de troca do maço de cigarro, a execução da canção "Cachimblema", a visita ao amigo cocainômano, a encurralada no banheiro da academia), mas mesmo estes associam-se às aflições que perseguem o protagonista, em seu afã por encontrar/manter trabalho, saciar os seus desejos sexuais elementares, e relacionar-se com amigos que o enxergam mais pelas aparências exortadas a muito custo e suor que pela essência interditada. Neste sentido., as interações com os pais são balsâmicas. Minha mãe, ao meu lado na sessão, exclamava o tempo inteiro "coitado!", e eu, obviamente, identifiquei-me bastante com o que vi e senti. Filme forte. Extraordinário. Parabéns pela execução! (WPC>)