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Data de lançamento
17 Set. 2025Duração
Y, um músico de jazz em decadência, e Yasmin, sua esposa dançarina, sobrevivem oferecendo sua arte e seus corpos a quem estiver disposto a pagar. Quando despertam o interesse de figuras influentes, passam a se apresentar para a elite do país. Mas tudo muda quando Y recebe uma nova missão: compor o novo hino nacional em troca de uma quantia impensável. Dizer "sim" sempre foi parte do jogo, mas o preço do sucesso pode ser a sua própria consciência.
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"Espero que Deus não exista".
Não é um filme fácil de se compreender. Inclusive tenho visto críticas em sites sobre cinema que parecem não ter entendido muito qual é a do filme. De primeira ele assusta, parece um pastelão over the top, até você entender realmente do que se trata e começar a pescar uma infinidade de simbologias, metáforas, inuendos políticos, e aí o filme se torna uma das narrativas políticas mais ousadas e dedo-na-cara dos últimos anos.
Yes é um filme sobre o papel patético do "estado de israel" na geopolítica mundial. Um país que surgiu como a esperança de um povo massacrado, e virou uma nova máquina de moer gente. Que canta a plenos pulmões sua própria vitória quando na verdade trabalha como uma estado-tampão no oriente médio a serviço das forças estadunidenses. De um "país" e um povo orgulhoso das botas que vivem lambendo.
A história do herói é de alguém patético, e no final do filme é revelado para o desavisado: é baseado em fatos. O herói é patético porque a realidade é patética. Ele reza para que o Deus em que acredita não exista, pois é a única forma de não acabar no inferno. Isso é Israel.
Sem medo de exagerar: trata-se de um dos filmes mais geniais e corajosos da década, brilhante e devastador, efusivo e dilacerante. Caramba! Lembrei muito do que sento quando vi ASSASINOS POR NATUREZA pela primeira vez, no que tange aos recursos céleres de montagem e a um tipo de cumplicidade romântica levada ao extremo. Este filme israelense é bem mais complexo, entretanto: aponta o dedo para o espectador, numa cena genial, mas sob a perspectiva reflexiva, não acusatória, visto que quem o faz é um vilão abjeto. Cabe ao protagonista a maior das torturas, um dilema pessoal que é também artístico e político. O modo como o diretor enquadra Gaza é devastador. O modo como as canções se sucedem é inacreditável, sendo o desenho de som desta obra-prima esplêndido. O modo como o tom do filme torna-se francamente melancólico no segundo segmento é ótimo e mui contundente; a entrega de Ariel Bronz ao seu personagem é absurdamente visceral. Os toques fantásticos do roteiro são intimidadores e supremos. Tudo neste filme é frenesi e questionamento, magnífico do início ao fim. Eu e minha mãe ficamos alucinados! (WPC>)