Alexander Hammid dirige com maestria Aimless Walk, que em poucos minutos conta uma história bem contextualizada para a época, mas o que mais chama atenção são os aspectos técnicos. A montagem é ótima, com bons jogos de câmeras e cenas com panorâmicas, exaltando ainda mais a fotografia do curta.
Um belo exercício de montagem e composição rítmica aliado a um estilo vertoviano do cinema-olho (kino-eye). O filme parece tratar do contraste de movimentos opostos (cenas do bonde viajando com sentidos ou pontos de vista diferentes), contrabalanceado por cenas de cenários inertes ou personagens em repouso (água parada, gente cochilando), que no final se cristaliza na figura de um doppelganger que toma um destino oposto de sua versão espelhada. Uma das últimas cenas é um belíssimo take do caminhante refletido na água, que juntamente com outras cenas com o mesmo elemento, pontua essa ideia de mundo espelhado. Historicamente também é interessante por invocar, aos olhos de hoje, uma certa calmaria cismática; visto que, não muito tempo depois, Praga, palco desta obra, seria invadida pela Wehrmacht.
Alexander Hammid dirige com maestria Aimless Walk, que em poucos minutos conta uma história bem contextualizada para a época, mas o que mais chama atenção são os aspectos técnicos. A montagem é ótima, com bons jogos de câmeras e cenas com panorâmicas, exaltando ainda mais a fotografia do curta.
**** (Ótimo)
Um belo exercício de montagem e composição rítmica aliado a um estilo vertoviano do cinema-olho (kino-eye). O filme parece tratar do contraste de movimentos opostos (cenas do bonde viajando com sentidos ou pontos de vista diferentes), contrabalanceado por cenas de cenários inertes ou personagens em repouso (água parada, gente cochilando), que no final se cristaliza na figura de um doppelganger que toma um destino oposto de sua versão espelhada. Uma das últimas cenas é um belíssimo take do caminhante refletido na água, que juntamente com outras cenas com o mesmo elemento, pontua essa ideia de mundo espelhado. Historicamente também é interessante por invocar, aos olhos de hoje, uma certa calmaria cismática; visto que, não muito tempo depois, Praga, palco desta obra, seria invadida pela Wehrmacht.