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Duração
No verão de 2006, a câmera de vigilância instalada pelo pai do diretor na rua de sua casa, no chamado “gueto” palestino da cidade de Ramle, capta mais do que o ato de vandalismo que se buscava desvendar. Transformando em dispositivo fílmico esse arquivo ordinário, como uma âncora a se agarrar às asperezas do cotidiano, Aljafari investiga os pequenos grandes acontecimentos que constituem essa comunidade, revelando a poesia em um horizonte de pixelada aridez. Ele toma as imagens como indícios de afetos e lembranças, assegurando uma existência incontornável a essas vidas que vibram em intensidade.
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É estranho o quão variada é a gama de sentimentos que experimentei durante a audiência a este filme: emocionei-me bastante lendo as informações finai, torci para que o quebrador do carro fosse desvendado e enfadei-me um pouco pelo excesso de manipulações experimentais, à guisa de videoinstalação. Interessante é que, se o filme tivesse uma hora e meia de câmera de vigilância contínua, talvez eu curtisse bem mais (risos). Mas o diretor tem outro intento: como ele lida com um país que não deixam reconhecer e com imagens de pessoas que porventura já morreram, ele precisa ir e vir no tempo, dominar o relato, compartilhar as impressões e descobertas com outras pessoas. É um trabalho de minuciosa reconstituição afetiva, uma arqueologia familiar e vicinal atravessado por elementos inequivocamente identitários e políticos. Muito bonito. Extenuante, às vezes, mas bonito! (WPC>)