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Duração
Pierre tem 58 anos e angustia-se cada vez mais com a solidão, o passar do tempo e o mundo lá fora. Recorre aos psicotrópicos e se fecha em si mesmo, único abrigo onde se sente menos mal, à espera de uma inspiração que não chega para voltar a escrever. Nem mesmo um antigo amigo de mais de trinta anos está por perto para lhe dar consolo na infelicidade. Decide então manter um garoto como companheiro, um gigolô soropositivo que trará um pouco de sossego aos seus fantasmas. Como é habitual em seus filmes, o diretor Jacques Nolot protagoniza a história.
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História muito linda. Elenco top.
Porém faltou trabalhar mais e só esse tempo foi bem curto pra tudo.
Poderia se equiparar ao filme "O Juiz", "Pai" e "Viver duas vezes",etc.
Tiveram momentos que me tiraram lágrimas, mas não pôde ser mais contundente por que a história foi muito curta.
A velhice e o processo de envelhecimento é algo que é visto raramente com olhar complacente pelos cineastas, mas eu não lembro jamais de qualquer outro filme que tenha me apresentado um olhar tão devastador e deprimente desta fase da vida. Até mesmo 'medalhões' do gênero, notórios pela melancolia, como Amour e Era Uma Vez em Tóquio apresentam seus personagens idosos com suas várias limitações e dramas sem nunca fazê-los perder a dignidade, o que não ocorre aqui. Jacques Nolot se desnuda de forma tão completamente na tela que muitas vezes a obra torna-se desconfortável e incômoda. A busca desesperada por um sentido quando se toma consciência do fim de seus melhores e mais saudáveis anos de vida é ilustrada de forma tão crua e sem concessões pelo cineasta que fica impossível para mim não admitir: é um dos mais brilhantes e sinceros filmes já feitos a respeito do universo LGBT.
Os anseios e fraquezas de um homossexual adentrando a terceira idade nunca antes foram expostos de forma tão aberta e direta.
Os dias não são os mais floridos, nem tão produtivos como antes, e as lembranças são tidas como fantasmas que flutuam em conversas aleatórias. Pierre se sujeita da forma que mais consegue alcalçar, tudo por um momento de prazer e companhia. Tudo o que restou foram a rotina, o sexo e a depressão.
De andamento lento e difícil, é preciso ter paciência para encarar o filme, mas isso não é um problema quando você sabe que o diretor abordou o assunto de forma natural, sem utilizar elementos comumente do cinema europeu. É como se tudo fosse mostrado da forma que é; crua, despida e sem caracterização de máscaras ou esteriótipos.
É um assunto delicado e raramente explorado no âmbito do cinema gls, que Jacques Nolot aos 63 anos de idade (na época do lançamento do filme)
teve a cara e a coragem de dirigir e atuar.
Nunca esqueci da última cena que a princípio me causou até um sorriso de escárnio mas que aos poucos foi se dissipando ao som das notas da Symphonie nº3 de Gustav Mahler.
Continuísta pra quê, né?! Cortes bruscos que assustam visualmente e deixam aquele ar de: Tá faltando algo aqui!
A sinopse promete muito mais do que os 100 minutos de filme, o roteiro por mais compreensível que seja, deixa muito a desejar.
Com essa sinopse até veria de novo.
Engana bem.