"Um filme comovente, filmado quase inteiramente em close-up: uma jovem nos conta uma história de exclusão e violência, ela nos olha nos olhos e suas feições nos tocam profundamente. Como se desenrola o ostracismo de uma minoria, os ciganos, em uma aldeia húngara? As palavras são lacônicas e repetitivas, porém misteriosas: Grunwalsky transcende o sociologismo de seus colegas do BBS [estúdio de Béla Balázs] e repensa radicalmente o lugar da narrativa e do testemunho no cinema direto. O poder do rosto, do silêncio, do não dito, dá origem a uma nova perspectiva, inteiramente interna."
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Bom documentário. O mestre Wesley foi sucinto e muito feliz em seu comentário como sempre. Assino embaixo. (ou em cima kkkk).
Interessante que tenha aparecido alguém com o sobrenome Farkas nos créditos finais, pois este filme lembrou-me o tipo de produção realizada, aqui no Brasil, dentro do escopo daquilo que é analisado por Jean-Claude Bernardet em "Cineastas e Imagens do Povo": lembra algumas produções levadas a cabo pelo fotógrafo Aloysio Raulino, no que tange à maneira como algo se estabelece conflituosamente, ainda que sob o espectro da beleza, entre a presença humana em foco e o ambiente ao seu redor. Fiquei desesperado ao constatar tanto o aparente abandono de várias crianças, em meio à conjuntura rural, quando ao testemunhar os prolongados maus tratos a porcos, cachorrinhos, etc. Mas uma violência ainda maior surge no depoimento repetido daquela garota, casada tão cedo, engravidada tão cedo, que foge das agressões renitentes de seu também jovem esposo. Um filme concentrado ao básico, mas com muitas observações nas entrelinhas. Tratado documental que mexerá ainda mais comigo numa revisão, certeza! (WPC>)