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Duração
O jovem escritor, Mati, espreita pela a janela da casa da sua ex-mulher e, sem sucesso, tenta aproximar-se de outras mulheres. August Kask é um barbeiro que vive uma vida cinzenta e que se aproxima de uma menina, mas a sua aproximação é erradamente tomada como pedofilia. A mãe solteira, Laura, vê uma novela estúpida na televisão e afasta de si os homens porque não consegue confiar neles. Maurer, o arquiteto, pensa no bem-estar da humanidade, mas esquece-se da sua própria mulher que, por sua vez, procura consolo em Theo, o empregado do guarda-volumes. As mulheres gostam de Theo, mas devido ao seu baixo status social, não o levam a sério. Gentilmente estilizado e indiferente, o mundo de Baile de Outono avança firmemente na direção do Inverno. O que este mundo pode demonstrar é a possibilidade de riso ainda assim, num local onde a esperança há muito que se tornou um bem escasso.
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Baseado em um romance de Mati Unt (Sugisball - 1979), Baile de Outono é um filme tenso e com poucos diálogos.
A trilha sonora de Ulo Krigul e a fotografia de Mart Taniel compõem um cenário melancólico onde os personagens buscam dar sentido às suas vidas; o drama vivido aqui é universal.
Talvez 120 minutos sejam muito para as histórias de Sugisball, pois os personagens são tratados com muita superficialidade, não é um filme fácil de digerir.
Eu era como a grama que não seria jamais arrancada”. Fernando Pessoa. Uma espécie de soco, de facada e de riso. O cinza predomina na paisagem e nas pessoas. Tudo é frio, gélido, distante, glacial. Lembrou-me pela temática e pelo modo de apresentá-la o cinema de Roy Andersson. Aqui há tbm um profundo silêncio q pode ser pensado ora como espaço para a reflexão, ora como o vazio. Os personagens vagam, andam, tentam o encontro, o salto ( no abismo) e dão de cara com o nada, com a solidão, com a falta, com a ausência. Deus certamente não veio por estar muito ocupado ou por não existir mesmo. Assim, todos apenas buscam a seu modo torto e desesperado a felicidade. Q por certo tbm não existe completamente. O tom é pessimista, triste e ao q tudo indica não há mesmo esperança nem para nós e nem para eles.
Não é um filme para todos os públicos, para mim um filme regular, algumas histórias interessantes e outras bem sem gracinha. Nota 4,0.
Sempre a procura de algo ou alguém que os tire de seus limbos habituais. Assim são as figuras criadas por Veiko Öunpuu para Baile de Outono.
Uns querem, outros não querem - outros ainda lhe são impostos. E mesmo que bem devagar, todos estão mudando. Ou parecem que estão.
"Você é como um personagem de Bergman, só que menos humano. Um pobrezinho sofrendo por causa do silêncio do seu Deus, se debatendo em seu próprio mundo preto e branco".