Duração
Amel é médica de emergência em um hospital na Argélia. Ela se esforça, na medida do possível, para conciliar sua profissão e sua juventude, apesar da guerra civil. Uma noite, voltando para casa, Amel constata que seu marido jornalista desapareceu e decide partir a sua procura. Vai acompanhada de Khadidja, uma enfermeira que, em sua juventude, ficou conhecida nos combates pela independência.
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O filme se passa na década de 1990 e tem como pano de fundo a guerra civil argelina, em que grupos islamistas fundamentalistas diversos entraram em confronto direto com o governo capitaneado pela Frente de Libertação Nacional.
Eu acho interessante pensar em como Khadidja e Amel encarnam a história, a memória e a busca por um rumo da Argélia independente. Em um momento isso fica bastante evidente:
Após a soltura das duas pelos islamistas fundamentalistas, quando elas descem a montanha, há um diálogo em que Amel, a jovem doutora, começa a discutir com a Khadidja, uma velha enfermeira, a respeito da tentativa de encontrar Murad, o marido desaparecido de Amel. Aqui a discussão sobre a fracassada tentativa e a memória do passado nacional se entrelaçam: Amel se queixa por não ter pedido ajuda de Khadidja e diz que irá encontrar o marido sozinha; ao mesmo tempo, também se queixa da guerra de libertação contra a colonização francesa, da qual Khadidja participou. Não pediu que Khadidja fizesse nem um e nem outro, por que ter de arcar com as consequências dessa ação? A dominação francesa, este governo ou a peste: o que seria pior? Essa insatisfação demonstra a frustração com os descaminhos da Argélia pós-colonial, com seus conflitos e violência cotidiana.
Khadidja responde: apesar de tudo, não fosse sua geração, as posteriores ainda estariam lustrando os sapatos dos franceses.
Na itinerância errante das duas podemos enxergar a própria errância de uma Argélia marcada pela violência em diferentes dimensões. Mais do que isso, de uma população em meio a essa violência toda: os traumas do passado colonial, os grupos fundamentalistas, as arbitrariedades do Estado pós-independência, a opressão de gênero, não saber se seus filhos estão mortos ou estão matando.
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Barakat! é não mais do que a imagem se fazendo, se conhecendo e se libertando dentro daquilo que conhecemos como Cinema.
O cinema francês já me proporcionou filmes melhores. XD