Marlon Riggs era precioso. Já havia favoritado "Línguas desatadas" e aqui não foi diferente, inclusive todo seu trabalho se conecta de maneira muito especial. Pra assistir com revolta (do mundo) mas também com carinho (pelo mundo).
Marlon Riggs define o indefinível numa América traçada por diferentes cores, gestos, valores e culturas numa mesma comunidade. É através dos conflitos da própria raça que ele busca as respostas para as questões que uniram o povo por uma luta em comum. Marlon se coloca dentro do documentário já em uma posição de afeto e intervenção, parte o trabalho é de sua equipe para registro do seu espírito vivo, a outra é o próprio entrevistando e filmando. Pode-se interpretar todas aquelas falas e diálogos como as lembranças e memórias que o Marlon teve na cama antes de morrer, suas reflexões e pensamentos sobre o que divide e une a gente como comunidade.
Gosto que os relatos trazem memórias e lembranças de um tempo árduo e triste, contam sobre disputas, conflitos, masculinidade, suas origens, machismo, repressão. Tentam explicar como que cada valor define e se coloca no homem negro, como ele chega a ser um ser humano através da vivência de fatores negados durante mais de cem anos. Mas mais do que isso, os relatos são cotidianos e demonstram certa compaixão em transmitir o verdadeiro diálogo, uma certeza que antes e depois os entrevistados colocaram um sorriso no rosto somente pela sensação de fazer parte daquilo, muito maior que eles.
A narrativa vai e volta, através de uma edição metafórica pelas performances de dança, poesia, transição de planos e recortes fotográficos cuja única divisão se dá pelos diálogos. Uma entrada que vai sem parar numa história que sai do individuo de modo a definir o coletivo. O mais interessante é como cada um ali responde sobre um assunto através de uma perspectiva para a comunidade negra, o corte entre diferentes noções já cria um discurso tanto de descontrole das narrativas na medida que rompe com o usual, e por outro lado como definidor de uma divisão plural de um mesmo povo. É a história pelos mais diversos personagens.
Cabe também a própria indefinição no retrato dos entrevistados, diversos, seja na cor, orientação sexual ou gênero. O ponto da África dentro da América é o mais forte, em 10 minutos uma diversidade de opiniões, com um registro ímpar de uma pequena comunidade a recriar a vivência.
O título te chama pela definição e a forma sustenta pela indefinição.
Marlon Riggs era precioso. Já havia favoritado "Línguas desatadas" e aqui não foi diferente, inclusive todo seu trabalho se conecta de maneira muito especial. Pra assistir com revolta (do mundo) mas também com carinho (pelo mundo).
perfeito
Marlon Riggs define o indefinível numa América traçada por diferentes cores, gestos, valores e culturas numa mesma comunidade. É através dos conflitos da própria raça que ele busca as respostas para as questões que uniram o povo por uma luta em comum. Marlon se coloca dentro do documentário já em uma posição de afeto e intervenção, parte o trabalho é de sua equipe para registro do seu espírito vivo, a outra é o próprio entrevistando e filmando. Pode-se interpretar todas aquelas falas e diálogos como as lembranças e memórias que o Marlon teve na cama antes de morrer, suas reflexões e pensamentos sobre o que divide e une a gente como comunidade.
Gosto que os relatos trazem memórias e lembranças de um tempo árduo e triste, contam sobre disputas, conflitos, masculinidade, suas origens, machismo, repressão. Tentam explicar como que cada valor define e se coloca no homem negro, como ele chega a ser um ser humano através da vivência de fatores negados durante mais de cem anos. Mas mais do que isso, os relatos são cotidianos e demonstram certa compaixão em transmitir o verdadeiro diálogo, uma certeza que antes e depois os entrevistados colocaram um sorriso no rosto somente pela sensação de fazer parte daquilo, muito maior que eles.
A narrativa vai e volta, através de uma edição metafórica pelas performances de dança, poesia, transição de planos e recortes fotográficos cuja única divisão se dá pelos diálogos. Uma entrada que vai sem parar numa história que sai do individuo de modo a definir o coletivo. O mais interessante é como cada um ali responde sobre um assunto através de uma perspectiva para a comunidade negra, o corte entre diferentes noções já cria um discurso tanto de descontrole das narrativas na medida que rompe com o usual, e por outro lado como definidor de uma divisão plural de um mesmo povo. É a história pelos mais diversos personagens.
Cabe também a própria indefinição no retrato dos entrevistados, diversos, seja na cor, orientação sexual ou gênero. O ponto da África dentro da América é o mais forte, em 10 minutos uma diversidade de opiniões, com um registro ímpar de uma pequena comunidade a recriar a vivência.
O título te chama pela definição e a forma sustenta pela indefinição.