Do diretor Andrew Rossi (Page One: Inside the New York Times, The First Monday in May) vem um retrato eletrizante da escritora e artista Okwui Okpokwasili e de seu aclamado show Bronx Gothic. Enraizada nas memórias de sua infância, Okwui - que trabalhou com artistas conceituais como Ralph Lemon e Julie Taymor - funde dança, música, drama e comédia para criar um espaço fascinante no qual o público pode se envolver com uma história sobre duas meninas negras de 12 anos na década de 1980. Com o acesso sincero a Okwui e seu público fora do palco, o documentário permite uma visão incomparável do processo criativo do show, bem como das complexas questões sociais incorporadas nele.
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É fato que a arte performática perde o impacto quando se põe uma anteparo na frente dela, neste caso, a tela do cinema. Desse modo, o trabalho da artista Okwui Okpokwasili em suar, regurgitar e expressar a raça negra à plateia enfraquece-se quando vista pelas lentes deste documentário, muito embora não o bastante para não provocar o impacto e a reflexão desejada.
Seu enfoque está na questão racial, em como o passado escravo do negro permanece encrustado no imaginário social, sobretudo na maneira com que os brancos imaginam, por suas ações, que aquele corpo deve ser alvo de idêntica violência infligida em seus antepassados escravos. Assim, Okwui expõe porque permanece fundamental debater esse tópico mesmo séculos após a abolição da escravidão, mesmo sob o argumento de que "minha família jamais escravizou alguém", defendendo, assim, a produção artística que problematiza esse embate social.
Ademais, o trabalho dirige seu olhar à criação da artista, enfatizando sua rotina e seu relacionamento com o trabalho e a família, ajudando a montar as peças do quebra-cabeças que a inspira a uma performance tão autêntica, honesta e intensa como a retratada.
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