Um homem (Alexander Roberts) está dirigindo no caminho de volta para casa quando sofre um repentino apagão da consciência. Ele vai recobrar os sentidos num trailer no meio do deserto, sofrendo de uma perda completa da memória. Quem o ajuda a se adaptar à nova realidade é Calypso (Nathalie Merchant), uma mulher misteriosa que diz nada saber dele além do nome: Ulisses. Apesar de Calypso lhe devotar todo o afeto e compreensão, ele logo começará a querer encontrar algum sentido para essa situação absurda que parece nunca ter fim.
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O deserto, a identidade, o não pertencimento e a busca. Podemos, por certo, dizer serem estes os motes dessa releitura fílmica do episódio da Odisseia em que o herói grego se vê perdido e achado lá numa ilha, aqui num deserto uma ilha sem limites ou fronteiras. Mais do que espaço físico da imposição de um destino, uma maldição, o deserto como lugar e não lugar, é território anímico por excelência, plenitude de uma interioridade vacilante, dúbia, presa a si do desejo da memória perdida e da volta para uma casa que se pressente sem se saber ao certo. Metáfora da condição humana no mundo que lhe é estranho e mortal. Tema gnóstico? Labirinto sem paredes, prisão sem muros onde se vaga na vã tentativa de um retorno sempre adiado ao lar que se perdeu ou se partiu. Viagem de si a si mesmo: dor mítica, destino, regresso: Ítaca.