"Falar de uma geração que nasceu na década de 70, que cresceu jogando Atari, quando computador era artigo de luxo e internet fazia parte de filme de ficção científica. Uma geração que viu o Brasil se abrir para o mundo da MTV e das tvs a cabo, aumentando a influência americana e do mundo em nossas vidas, que viu ainda criança o Brasil passar de uma ditadura a uma democracia e que foi as ruas com a cara pintada para exigir um impeachment. Uma geração que viu as redes sociais nascerem, que viu os celulares nascerem e ficarem cada vez menores, que viu o vinil virar cd e que hoje viu os dois viraram mp3. Uma geração que evoluiu, que transformou mas que tem suas raízes no romantismo das festas de garagem, onde meninos levavam bebida e meninas levavam comida, onde ao se chegar em casa a pergunta era "mãe, alguém ligou?". Onde amigos que viajavam para longe mandavam cartas pelo correio com selos que contavam um pouco da história da vida em lugares distantes. Um romantismo que ficou encapsulado, porque não teve tempo de evoluir com a rapidez do mundo nos últimos vinte anos, e que contribui para que uma boa parte dessa minha geração de trinta anos, ainda não esteja casada, ainda não tenha filhos, ou os que têm, o fazem com certa dificuldade em aceitar ser pai e mãe. Uma geração que ainda se emociona com os filmes do John Hughes, especialmente "Curtindo a Vida Adoidado", e se assusta vez ou outra quando se dá conta de que o Nirvana e o movimento grunge que vivemos, logo agora, como se fosse ontem, já aconteceu há vinte anos atrás. Falar da minha geração, falar sobre crescer, falar sobre amizade e música, falar sobre os sonhos, sobre os amores e os corações partidos, foi o que me motivou a escrever e o que me motiva a dirigir o filme "Canções Para Diana". E agora, escrevendo as últimas linhas desse texto penso que falando sobre a minha geração e sobre se tornar adulto, estou falando também das gerações que já foram e as que serão e que tiveram e terão as suas modernidades, as suas músicas, os seus filmes e os seus desafios, mas onde todos tiveram e terão que crescer um dia."
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=3hHCR5bhV10
"Falar de uma geração que nasceu na década de 70, que cresceu jogando Atari, quando computador era artigo de luxo e internet fazia parte de filme de ficção científica. Uma geração que viu o Brasil se abrir para o mundo da MTV e das tvs a cabo, aumentando a influência americana e do mundo em nossas vidas, que viu ainda criança o Brasil passar de uma ditadura a uma democracia e que foi as ruas com a cara pintada para exigir um impeachment. Uma geração que viu as redes sociais nascerem, que viu os celulares nascerem e ficarem cada vez menores, que viu o vinil virar cd e que hoje viu os dois viraram mp3. Uma geração que evoluiu, que transformou mas que tem suas raízes no romantismo das festas de garagem, onde meninos levavam bebida e meninas levavam comida, onde ao se chegar em casa a pergunta era "mãe, alguém ligou?". Onde amigos que viajavam para longe mandavam cartas pelo correio com selos que contavam um pouco da história da vida em lugares distantes. Um romantismo que ficou encapsulado, porque não teve tempo de evoluir com a rapidez do mundo nos últimos vinte anos, e que contribui para que uma boa parte dessa minha geração de trinta anos, ainda não esteja casada, ainda não tenha filhos, ou os que têm, o fazem com certa dificuldade em aceitar ser pai e mãe. Uma geração que ainda se emociona com os filmes do John Hughes, especialmente "Curtindo a Vida Adoidado", e se assusta vez ou outra quando se dá conta de que o Nirvana e o movimento grunge que vivemos, logo agora, como se fosse ontem, já aconteceu há vinte anos atrás. Falar da minha geração, falar sobre crescer, falar sobre amizade e música, falar sobre os sonhos, sobre os amores e os corações partidos, foi o que me motivou a escrever e o que me motiva a dirigir o filme "Canções Para Diana". E agora, escrevendo as últimas linhas desse texto penso que falando sobre a minha geração e sobre se tornar adulto, estou falando também das gerações que já foram e as que serão e que tiveram e terão as suas modernidades, as suas músicas, os seus filmes e os seus desafios, mas onde todos tiveram e terão que crescer um dia."