Cagalera (Benny Emmanuel) e Moloteco (Gabriel Carbajal) são dois amigos adolescentes que vivem na Cidade do México. Insatisfeitos com sua difícil situação financeira, eles decidem tomar medidas drásticas e acabam se envolvendo com o mundo do crime.
Eu estou até hoje afetada por este filme. Cai nele de paraquedas pelo simples fato de ser direção do Gael e em nenhum momento dimensionei a força abrupta que iria me baquear. Fiquei em choque. A iluminação desse filme é sinistramente calculada e planejada, toda a atmosfera abafada que ele constrói com luz e cor é digno de contemplação. Ao mesmo tempo que tudo isso não vem de graça, mas dentro de um contexto insano clássico, como diz o amiguinho nos comentários aqui embaixo, das classes subalternas nessa America quente e sufocada. É terrível estar parada vendo um filme em constante movimento, com dois protagonistas extremamente desamparados e tomando decisões a torto e a direita sem o mínimo espaço de reflexão, porque a vida não deixa e aí segue ladeira abaixo. Sinixxxxxxxxxxxxxxxxxxtro. Tão forte quanto nosso brasileiro Bacurau. Uma pérola cinematográfica em pleno 2019 lixo F@da-se Bolsonaro
Impressiona que este seja apenas o segundo longa dirigido pelo mexicano Gael García Bernal, astro de Amores Brutos, dirigido por seu compatriota Alejandro González Iñárritu.
Bernal vai a San Gregorio Atlapulco, um bairro pobre ao sudeste da Cidade do México, para acompanhar dois jovens, Cagalera (Benny Emmanuel) e Moloteco (Gabriel Carbajal), que passam o dia fazendo rimas em ônibus para ganhar alguns trocados, quando os passageiros não colaboram por boa vontade a dupla parte para uma maneira mais agressiva de lhes arrancar dinheiro.
É um retrato típico de qualquer país latino-americano, estão ali as mazelas da classe menos provida, Cagalera tem em casa o pai alcoólatra que sustenta a família e a mãe presa neste relacionamento abusivo, e no meio de tanta falta de perspectiva nossos dois jovens acabam seduzidos pelo mundo do crime.
Bernal transita de maneira precisa entre o drama e o humor e este é o grande trunfo de sua direção. Desde o início ele nos envolve com a dupla explorando bem as virtudes de cada ator, quando quer nos fazer rir ele aposta nas reações espontâneas e pessimistas de Emmanuel e no jeito inocente e permissivo de Carbajal (toda a sequência do assalto à loja de lingeries é hilária), e quando quer nos incomodar Bernal não tem medo algum em mostrar que ambos têm atitudes imorais como sequestrar uma criança. É uma realidade cruel.
Para apelar ao drama também não é muito difícil, dada a situação e local em que eles se encontram, seja dentro de casa onde o quarto que Cagalera divide com mais dois irmãos parece o único refúgio longe do pai ou nas ruas onde o crime impera; como uma tragédia anunciada, no terceiro ato o filme toma proporções tensas e desesperadoras num conflito a la western que finda de maneira quase poética para Cagalera. É como Chicuarotes se mostra desde o início, desesperançoso.
Onde consigo assistir? :/
Direção boa! Mas o fim...
Muito bem dirigido, pena que o roteiro não acompanha e se mostra extremamente pobre no final.
Eu estou até hoje afetada por este filme. Cai nele de paraquedas pelo simples fato de ser direção do Gael e em nenhum momento dimensionei a força abrupta que iria me baquear.
Fiquei em choque. A iluminação desse filme é sinistramente calculada e planejada, toda a atmosfera abafada que ele constrói com luz e cor é digno de contemplação. Ao mesmo tempo que tudo isso não vem de graça, mas dentro de um contexto insano clássico, como diz o amiguinho nos comentários aqui embaixo, das classes subalternas nessa America quente e sufocada. É terrível estar parada vendo um filme em constante movimento, com dois protagonistas extremamente desamparados e tomando decisões a torto e a direita sem o mínimo espaço de reflexão, porque a vida não deixa e aí segue ladeira abaixo.
Sinixxxxxxxxxxxxxxxxxxtro. Tão forte quanto nosso brasileiro Bacurau. Uma pérola cinematográfica em pleno 2019 lixo F@da-se Bolsonaro
Impressiona que este seja apenas o segundo longa dirigido pelo mexicano Gael García Bernal, astro de Amores Brutos, dirigido por seu compatriota Alejandro González Iñárritu.
Bernal vai a San Gregorio Atlapulco, um bairro pobre ao sudeste da Cidade do México, para acompanhar dois jovens, Cagalera (Benny Emmanuel) e Moloteco (Gabriel Carbajal), que passam o dia fazendo rimas em ônibus para ganhar alguns trocados, quando os passageiros não colaboram por boa vontade a dupla parte para uma maneira mais agressiva de lhes arrancar dinheiro.
É um retrato típico de qualquer país latino-americano, estão ali as mazelas da classe menos provida, Cagalera tem em casa o pai alcoólatra que sustenta a família e a mãe presa neste relacionamento abusivo, e no meio de tanta falta de perspectiva nossos dois jovens acabam seduzidos pelo mundo do crime.
Bernal transita de maneira precisa entre o drama e o humor e este é o grande trunfo de sua direção. Desde o início ele nos envolve com a dupla explorando bem as virtudes de cada ator, quando quer nos fazer rir ele aposta nas reações espontâneas e pessimistas de Emmanuel e no jeito inocente e permissivo de Carbajal (toda a sequência do assalto à loja de lingeries é hilária), e quando quer nos incomodar Bernal não tem medo algum em mostrar que ambos têm atitudes imorais como sequestrar uma criança. É uma realidade cruel.
Para apelar ao drama também não é muito difícil, dada a situação e local em que eles se encontram, seja dentro de casa onde o quarto que Cagalera divide com mais dois irmãos parece o único refúgio longe do pai ou nas ruas onde o crime impera; como uma tragédia anunciada, no terceiro ato o filme toma proporções tensas e desesperadoras num conflito a la western que finda de maneira quase poética para Cagalera. É como Chicuarotes se mostra desde o início, desesperançoso.