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O documentário faz um panorama da história do cinema italiano nos anos 1930 e 1930, onde surgiram as primeiras divas cinematográficas do país. Em um cenário que envolvia política, drogas e sexo, a produção artística se estabelecia em meio ao fascismo. Inspirado no livro Hollywood Babylon, de Kenneth Anger.
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Documentário informativo sobre o surgimento da Cinecittà, um conjunto de estúdios cinematográficos inaugurado em 1937 em Roma. Criada com o objetivo de originar um complexo industrial tão poderoso quanto Hollywood, fora uma iniciativa de Benito Mussolini, que também era editor da revista Cinema, um dos maiores veículos impressos do período, cuja importância garantiu até mesmo a criação de um prêmio dedicado às obras cinematográficas, inspirando-se no Oscar.
De cunho didático, nem por isso desinteressante, o filme é composto por imagens de arquivo que mostram o auge das produções italianas no momento da ascensão fascista, intercalando-as com ilustrações que dramatizam alguns dos casos orais fornecidos pelos entrevistados, ou ainda por monólogos em PB com diversas mulheres que interpretam atrizes famosas da época, como Doris Duranti, símbolo do regime fascista, e Alida Valli.
Segundo um dos depoimentos, a Cinecittà “foi formada por golpes e pelo sucesso a qualquer custo”. Na Itália dos anos 1930, instalou-se uma “legião da decência”, preocupando-se em mostrar a burguesia e o enaltecimento de valores morais e paternalistas. As personagens eram enrijecidas e viviam em mansões, traçando uma hierarquia de classes sociais. Essas narrativas insípidas e de uma utopia traiçoeira escondiam as contradições do período, logo, por ironia, as obras com tais características eram conhecidas como “filmes de telefones brancos”, porque sempre havia um plano de um telefone branco em algum cômodo das casas, símbolo que ficou atrelado à mesocracia. Paradoxalmente, no backstage das produções, rolavam muitas drogas, prostituição e abusos contra as atrizes, humilhadas e expostas sexualmente a troco dos holofotes.
Em “Cinecittà Babilonia”, ao ressuscitar algumas das mais importantes atrizes italianas da época, no formato de monólogos que denunciam os abusos que marcaram suas carreiras, Marco Spagnoli faz uma singela e importante homenagem às mulheres que ajudaram a construir a Cinecittà, mas que sempre estiveram à sombra e à violência dos homens.