Der Nachtmar (O Pesadelo, em alemão), escrito e dirigido pelo alemão Achim Bornhak, que assina o filme como AKIZ, foi premiado como melhor filme internacional de 2016 no Festival Internacional do Filme Fantástico de Fantaspoa, e mesmo que talvez não mereça ser considerado o melhor filme fantástico do ano, vale a pena ser conferido por ser uma obra que desafia a mente do espectador sem se preocupar em oferecer soluções simples ou explicações rasteiras para o drama psicológico sofrido pela personagem principal. Tina (Carolyn Genzkow, em uma ótima atuação), tem dezessete anos e frequenta com as amigas festas regadas a música eletrônica pesada e drogas. Certa noite, em uma festa em um local isolado, aparentemente sofrendo de uma bad trip causada por alguma droga, Tina vê uma criatura estranha e entra em pânico. Depois de um momento que alude diretamente à obra de David Lynch, Tina vê a criatura novamente em casa. À medida que seus encontros com a criatura se repetem, a sanidade de Tina passa a ser questionada por ela própria, por seus pais e por seu psiquiatra. Mas quando a fronteira entre delírio e realidade é transposta, Der Nachtmar torna-se cada vez mais misterioso e angustiante, à medida que Tina se aproxima de um colapso mental total. Com um clima reminiscente das obras O Inquilino e Repulsa ao Sexo, de Roman Polanski, com o isolamento progressivo de Tina abrindo portas para o questionamento de seu estado mental e da validade de suas visões, Der Nachtmar pode ser interpretado de diversas maneiras, e este é o grande mérito do filme. Se aceito simplesmente pelo que se vê na tela, o filme deixa muitas perguntas em aberto e pode parecer pretensioso. Mas se o espectador mais engajado se detiver para explorar as possíveis representações do que é apresentado e o lado subjetivo dos acontecimentos dentro e fora da mente de Tina, o filme adquire camadas abertas à especulação e debates que certamente resultarão em teorias interessantes sobre do que o filme realmente se trata. O conselho dado antes do filme deve ser seguido à risca: assista-o no volume máximo, e se possível em um cinema, ou em um ambiente bem escuro. A trilha sonora agressiva, que pontua a tensão interior de Tina e também contrasta com as cenas mais contemplativas, e a edição estroboscópica em certos trechos são elementos fundamentais do filme e não devem de forma alguma serem relevados a segundo plano. Quanto menos se souber a respeito de Der Nachtmar antes de assisitir ao filme, mais saborosa será a experiência. Assista ao filme de mente aberta que as recompensas oferecidas compensarão as poucas falhas no roteiro, agradando tanto ao público de filmes fantásticos em geral quanto àqueles que gostam de explorar e desenvolver suas próprias teorias sobre o que foi visto.
Der Nachtmar (O Pesadelo, em alemão), escrito e dirigido pelo alemão Achim Bornhak, que assina o filme como AKIZ, foi premiado como melhor filme internacional de 2016 no Festival Internacional do Filme Fantástico de Fantaspoa, e mesmo que talvez não mereça ser considerado o melhor filme fantástico do ano, vale a pena ser conferido por ser uma obra que desafia a mente do espectador sem se preocupar em oferecer soluções simples ou explicações rasteiras para o drama psicológico sofrido pela personagem principal.
Tina (Carolyn Genzkow, em uma ótima atuação), tem dezessete anos e frequenta com as amigas festas regadas a música eletrônica pesada e drogas. Certa noite, em uma festa em um local isolado, aparentemente sofrendo de uma bad trip causada por alguma droga, Tina vê uma criatura estranha e entra em pânico. Depois de um momento que alude diretamente à obra de David Lynch, Tina vê a criatura novamente em casa. À medida que seus encontros com a criatura se repetem, a sanidade de Tina passa a ser questionada por ela própria, por seus pais e por seu psiquiatra. Mas quando a fronteira entre delírio e realidade é transposta, Der Nachtmar torna-se cada vez mais misterioso e angustiante, à medida que Tina se aproxima de um colapso mental total.
Com um clima reminiscente das obras O Inquilino e Repulsa ao Sexo, de Roman Polanski, com o isolamento progressivo de Tina abrindo portas para o questionamento de seu estado mental e da validade de suas visões, Der Nachtmar pode ser interpretado de diversas maneiras, e este é o grande mérito do filme. Se aceito simplesmente pelo que se vê na tela, o filme deixa muitas perguntas em aberto e pode parecer pretensioso. Mas se o espectador mais engajado se detiver para explorar as possíveis representações do que é apresentado e o lado subjetivo dos acontecimentos dentro e fora da mente de Tina, o filme adquire camadas abertas à especulação e debates que certamente resultarão em teorias interessantes sobre do que o filme realmente se trata.
O conselho dado antes do filme deve ser seguido à risca: assista-o no volume máximo, e se possível em um cinema, ou em um ambiente bem escuro. A trilha sonora agressiva, que pontua a tensão interior de Tina e também contrasta com as cenas mais contemplativas, e a edição estroboscópica em certos trechos são elementos fundamentais do filme e não devem de forma alguma serem relevados a segundo plano.
Quanto menos se souber a respeito de Der Nachtmar antes de assisitir ao filme, mais saborosa será a experiência. Assista ao filme de mente aberta que as recompensas oferecidas compensarão as poucas falhas no roteiro, agradando tanto ao público de filmes fantásticos em geral quanto àqueles que gostam de explorar e desenvolver suas próprias teorias sobre o que foi visto.