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Um grupo de terroristas atormenta a comunidade rural de Patara e mata os pais do pequeno Cirilo, que precisa fugir para a cidade de Huamanga e se refugiar na casa de alguns tios. Cansado dos abusos e mal-tratos que recebe, ele tenta viajar para Lima para escapar da miséria e das adversidades.
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Mais um tocante drama andino peruano, dessa vez todo produzido e filmado em Ayacucho. Dios Tarda Pero No Olvida retrata varios problemas rotineiros e pouco divulgados que o povo daquela região sofre ou sofria, como os ataques sofridos nos pequenos povoados andinos por organizações terroristas. Até choca um pouco quando a gente fica sabendo que havia organizações terroristas em um país tão próximo que forçavam as pessoas a entrar pra seu exército, tomavam seus bens, suas terras, muita gente morreu assim, crianças ficaram órfãs, e muitos andinos tiveram que abandonar suas vidas pacatas, simples, porém extremamente próspera em alimentos para passar humilhações nas grandes cidades. Enfim, algo que qualquer um aficcionado por história deveria estudar, mas de preferência ouvir de um legítimo peruano, que os familiares foram vítimas desses ataques, porque assim como aqui, não duvido que lá os livros didáticos também sejam tendenciosos e haja uma romantização dessa corja.
Além dos ataques terroristas, o sofrimento que o jovem protagonista sofre ao ir morar com seus tios, convivendo com alcoolismo, violência doméstica, exploração infantil. O tio do menino é um dos personagens mais detestáveis que já vi e é revoltante a falta de atitude da tia, mas compreensível, levando em conta que la na serra alguns costumes são um tanto quanto retrógrados, tal como aqui já foi.
Um filme tocante que me agradou bastante, assisti no embalo de El Huerfanito, mas enquanto o diretor puneño nos mostrava o sofrimento de uma criança andina de forma mais doce, a partir do olhar da criança, aqui é tragédia atrás de tragédia. Acaba com um gosto de quero mais, mas vi que tem uma sequência que eu ainda não encontrei na Internet.
É impressionante e ao mesmo tempo revoltante o tão pouco respaldo que essas produções andinas tem até mesmo pelo pessoal de lá. É algo tão rico de sentimento que até mesmo os recursos mais precários passam despercebidos, esse sim é o cinema peruano que deveria ser exportado, mas assim como aqui, lá o foco é investir em cinema lacrador...