Não tenho certeza se os diretores desse filme são Shin Sang-ok e Choi Eun-hee. Pelo que pesquisei, esse filme é do diretor Kyun Soon Joo, que dirigiu unicamente esse longa.
Mas fora isso, "A Broad Bellflower" é um prato cheio para entender um pouco dos filmes da Coreia do Norte, que é um país tão fechado para o resto do mundo. Eu diria que o cinema norte-coreano, sem contar o cinema da União Soviética, é um dos objetos mais provilegiados para se pensar a relação entre cinema e política e as diversas configurações do realismo socialista.
A grosso modo, o realismo socialista nasceu em meados da década de 1930 na União Soviética com a prerrogativa de delimitar o cinema a uma forma de educar o proletariado através da doutrina socialista e do conceito da guerra de classes. Contudo, apesar de ter surgido como um método que deveria superar o realismo crítico (como o neorrealismo italiano), que se abstraia em denunciar os problemas da sociedade burguesa sem propor uma perspectiva de transformação, e o naturalismo, que apenas descrevia determinado setor da sociedade, ele se degenerou num “envernizamento da realidade”.
Claro que essa é uma visão simplória do que realmente foi e pode ser o realismo socialista. Depois da União Soviética, países como Vietnã, Albânia, China e Coreia do Norte adaptaram a ideia às suas diferentes realidades. No caso da Coreia do Norte, por exemplo, identificamos traços dessa estética mesclados à ideia do Juche, que é a ideologia dominante nas artes e em toda estrutura governamental, militar e política do país.
O Juche, apesar de ter nascido através das ideias marxistas-leninistas, adapta a filosofia política à realidade coreana. Sinteticamente, o Juche (que pode ser traduzido como “autossuficiência”) propõem que o proletariado é o próprio mestre de sua revolução, sendo ele o responsável pela materialização de sua independência. Nesse sentido, a massa deveria alcançar a revolução através de uma independência geopolítica, autossuficiência bélica e econômica, voluntarialismo, nacionalismo e, acima de tudo, culto à personalidade de Kim Il-sung e sua família.
O Juche impera em todas as áreas da Coreia do Norte e, por isso, não seria diferente com o cinema. A estética Juche no cinema tem suas raízes principalmente nos escritos de Kim Jong-il sobre o papel do filme na sociedade coreana.
Curiosamente, o segundo líder norte-coreano tinha grande interesse pelas artes cinematográficas e, por conta disso, dedicou parte de seu trabalho definindo qual seria a estética dominante - e única permitida - nos filmes do país. Em seu livro “On The Art of Cinema” é possível observamos uma série de orientações acerca de como seria o filme ideal: endereçado às massas, o cinema deveria cumprir um papel social de educar o proletariado quanto a luta de classes e a ideologia Juche.
Essas características se mostram bem claras ao assistimos "A Broad Bellflower". Despido de um cuidado estético e repleto de zoons - que me doíam a cabeça -, o longa é feito pelo governo diretamente para às massas. A narrativa é simples e lembra a estrutura canônica, com agente causal, início, meio e fim. As diversas inserções propagandísticas, que são usuais em todos os filmes norte-coreanos, se anexam a histórica quase como um argumento, onde no fim, tudo se resume a benéfica revolução socialista, que cai como uma luva para salvar toda a sociedade norte coreana dos males do capitalismo.
Não tenho certeza se os diretores desse filme são Shin Sang-ok e Choi Eun-hee. Pelo que pesquisei, esse filme é do diretor Kyun Soon Joo, que dirigiu unicamente esse longa.
Mas fora isso, "A Broad Bellflower" é um prato cheio para entender um pouco dos filmes da Coreia do Norte, que é um país tão fechado para o resto do mundo. Eu diria que o cinema norte-coreano, sem contar o cinema da União Soviética, é um dos objetos mais provilegiados para se pensar a relação entre cinema e política e as diversas configurações do realismo socialista.
A grosso modo, o realismo socialista nasceu em meados da década de 1930 na União Soviética com a prerrogativa de delimitar o cinema a uma forma de educar o proletariado através da doutrina socialista e do conceito da guerra de classes. Contudo, apesar de ter surgido como um método que deveria superar o realismo crítico (como o neorrealismo italiano), que se abstraia em denunciar os problemas da sociedade burguesa sem propor uma perspectiva de transformação, e o naturalismo, que apenas descrevia determinado setor da sociedade, ele se degenerou num “envernizamento da realidade”.
Claro que essa é uma visão simplória do que realmente foi e pode ser o realismo socialista. Depois da União Soviética, países como Vietnã, Albânia, China e Coreia do Norte adaptaram a ideia às suas diferentes realidades. No caso da Coreia do Norte, por exemplo, identificamos traços dessa estética mesclados à ideia do Juche, que é a ideologia dominante nas artes e em toda estrutura governamental, militar e política do país.
O Juche, apesar de ter nascido através das ideias marxistas-leninistas, adapta a filosofia política à realidade coreana. Sinteticamente, o Juche (que pode ser traduzido como “autossuficiência”) propõem que o proletariado é o próprio mestre de sua revolução, sendo ele o responsável pela materialização de sua independência. Nesse sentido, a massa deveria alcançar a revolução através de uma independência geopolítica, autossuficiência bélica e econômica, voluntarialismo, nacionalismo e, acima de tudo, culto à personalidade de Kim Il-sung e sua família.
O Juche impera em todas as áreas da Coreia do Norte e, por isso, não seria diferente com o cinema. A estética Juche no cinema tem suas raízes principalmente nos escritos de Kim Jong-il sobre o papel do filme na sociedade coreana.
Curiosamente, o segundo líder norte-coreano tinha grande interesse pelas artes cinematográficas e, por conta disso, dedicou parte de seu trabalho definindo qual seria a estética dominante - e única permitida - nos filmes do país. Em seu livro “On The Art of Cinema” é possível observamos uma série de orientações acerca de como seria o filme ideal: endereçado às massas, o cinema deveria cumprir um papel social de educar o proletariado quanto a luta de classes e a ideologia Juche.
Essas características se mostram bem claras ao assistimos "A Broad Bellflower". Despido de um cuidado estético e repleto de zoons - que me doíam a cabeça -, o longa é feito pelo governo diretamente para às massas. A narrativa é simples e lembra a estrutura canônica, com agente causal, início, meio e fim. As diversas inserções propagandísticas, que são usuais em todos os filmes norte-coreanos, se anexam a histórica quase como um argumento, onde no fim, tudo se resume a benéfica revolução socialista, que cai como uma luva para salvar toda a sociedade norte coreana dos males do capitalismo.
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