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Dois meio-irmãos, um indígena e um branco, embarcam em uma jornada através do tempo e do espaço. Eles viajam de sua casa remota em Shamattawa para a vibrante paisagem urbana dos anos 1980.
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Endless Cookie é um daqueles filmes que fogem completamente do convencional. O traço da animação é diferente, mas o que mais chama atenção é que ele não busca representar as pessoas de forma realista; ele transforma cada personagem na ideia do que ele representa. Isso dá ao filme uma identidade muito própria.
A história acompanha dois irmãos que vivem distantes: um mora na cidade e o outro permanece em uma comunidade indígena no Canadá. Separados pela vida adulta, pelas famílias e pela distância, eles tentam reconstruir a conexão por meio das memórias. O grande elo entre eles é a figura do pai, e as lembranças compartilhadas acabam sendo a maneira de conhecerem um ao outro novamente.
À primeira vista, o filme pode parecer uma sequência de memórias aleatórias, mas, aos poucos, elas se revelam como histórias cheias de significado. A sensação é a de estar sentado ao redor de uma fogueira ouvindo pessoas contarem episódios marcantes de suas vidas.
Outro aspecto interessante é o caráter metalinguístico: o filme mostra o processo de produção do próprio documentário, intercala momentos das gravações com a convivência entre os irmãos e ainda utiliza fotografias reais. Isso cria uma proximidade muito grande com as pessoas retratadas, aproximando os personagens animados de suas versões reais.
É um filme muito diferente de tudo o que já assisti, mas essa diferença está longe de ser um defeito. Pelo contrário, é uma experiência sensível, divertida e nostálgica. Minha única ressalva é a duração: como não há uma estrutura tradicional de começo, meio e fim, acredito que ele poderia ser um pouco mais curto. Ainda assim, terminei a sessão satisfeita e com a sensação de ter ouvido boas histórias que permaneceram comigo.