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Duração
Depois de uma noite mal-dormida, o protagonista acorda com a campainha da porta tocando insistentemente. Pelo olho mágico, vê um desconhecido de terno e gravata, barba e cabelos longos, que lhe lembra alguém que não consegue identificar. Não sabe o porquê daquele homem estar ali nem quem ele é, mas tem uma certeza imediata: ele representa uma ameaça à sua vida. Veste-se às pressas, aproveita uma distração do visitante e escapa de sua própria casa. Com a certeza de que o desconhecido está em seu percalço através da cidade, ele passa a desconfiar de tudo e de todos numa fuga sem destino, que penetra cada vez mais fundo no seu próprio mundo.
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- filme mais diferente que eu vi do Ruy Guerra e achei muito bom, com a experiência adquirida ele saiu muito bem do padrão
- toda a confusão do filme e a narrativa fragmentada parece ser para emular a bagunça da cabeça do protagonista
Difícil digerir. Narrativa confusa e fragmentada. Para quem curte o estilo, vale a pena.
Adaptado do romance homônimo de Chico Buarque, Estorvo representou o Brasil na competição do 53º Festival de Cinema de Cannes. O enredo acompanha um homem que acorda com o som da campainha e, através do olho mágico da porta, se depara com um indivíduo de terno e gravata que o lembra alguém, apesar de não se recordar quem. A partir disso, tomado por uma sensação inexplicável de que sua vida está ameaçada, o protagonista foge sem destino, desconfiando de tudo e de todos.
Com ritmo acelerado, narrativa fragmentada, personagens estranhos e uma atmosfera de paranoia, o longa conduz o espectador em uma viagem experimental incômoda. Confundindo real e imaginário a partir de uma linguagem visual criativa, inovadora e urgente, Ruy Guerra propõe (assim como Chico Buarque em seu livro) uma reflexão sobre o mal-estar moral e político da sociedade contemporânea. Vale ressaltar o incrível trabalho do diretor de fotografia Marcelo Durst, que, inclusive, rendeu ao filme o prêmio de Melhor Fotografia no Festival de Gramado em 2000.
O roteiro segue quase literalmente o romance homônimo de Chico, mas a estratégia funciona, já que a prosa de Estorvo também se assemelha a uma câmera subjetiva trêmula, turva, fragmentada. Guerra acrescenta ao caos narrativo uma montagem onírica, sotaques latinos, portunhóis, cariocas, além de uma narração em off que se mistura com cards de filmes mudos e a própria fala do protagonista. O mundo quebrado, sem identidade - mas que conhecemos muito bem - do livro é brilhantemente contemplado pelo olhar do diretor. Leiam e assistam!
Exibido várias vezes na segunda metade da década de 2000 pela TV Cultura, deixando suas noites mais sonolentas, "Estorvo" é um filme com uma trama interessante, mas de difícil digestão, e claramente não é para todos os públicos.