Um casal de idosos vive em uma região remota dos Andes e enfrenta os desafios da vida cotidiana enquanto carrega a tristeza de não ver seu filho há anos.
Eu ia dar uma nota menor por conta da cena final... mas o corte seco parece tão avassalador quanto o grito sem fim ao final de Teorema. Fico imaginando nas implicações desse filho q nunca retornou: ele realmente se perdeu nas grandes cidades... ou também morreu? No fim, cultural ou física, a morte dele preenche o filme na ausência até engolir os próprios pais...
Que filme lindo e muito triste. Uma história avassaladora de abandono social dos aborígenes, onde os jovens tem que sair das suas terras para trabalhar longe de seus familiares, deixando os mais velhos abandonados a própria sorte. O filme é triste porque mostra a solidão na velhice, o abandono, a luta pela vida de um casal de idosos e suas dificuldades para sobreviver num ambiente inóspito, sujeito às intempéries dos altiplanos peruano. O filme foi feito com Câmara de ângulo fechado. Com a Câmara fixa o diretor Óscar Catacora mostra a realidade de Wilka(Vicente Catacora) e Praxsi( Rosa Nina) a dificuldade, a fé em sua entidades das montanhas. A fotografia é um sonho de beleza. O final é de cortar o coração, mas mostra a grandeza do amor do casal de idosos, em nenhum momento eles deixaram de amar e cuidar do outro. Tem algumas curiosidades, o diretor Óscar Catacora faleceu em 2021 com 34 anos, a atriz Rosa Nina nunca assistiu a um filme, Vicente Catacora é avô do Óscar Catacora , o filme foi gravado em Aymará língua nativa dos aborígenes dos altiplanos Peruano. É uma obra maravilhosa que vale a pena ser visto.
Magnífica experiência cinematográfica de alteridade, Wyñaypacha tem como debate transversal uma realidade cruel de comunidades tradicionais, indígenas e camponesas latino-americanas: a evasão da sua juventude que migra em peso para as grandes cidades em busca de novos modus vivendi em ocupações mais "urbanitas". Ocorre nas comunidades do sul camponês e indígena do México; no altiplano peruano (vide o filme), nos interiores do Brasil e em mais outras tantas realidades disso que chamamos américa latina. Com tal fenômeno, o que acaba por se perder são línguas e partes de nossa identidade cultural: formas de ver, representar e atuar sobre o mundo bastante particulares.
Única crítica que tenho sobre o filme, embora não saiba expressar tecnicamente, é a utilização de enquadramentos sempre fechados. Pensando nisso, imaginei que talvez pudesse ser um elemento para demonstrar o tamanho da responsabilidade de Willka e Phaxsi sobre suas próprias vidas naquele contexto. Pouco importava mostrar as belezas da paisagem andina em tomadas abertas se o que o filme queria mostrar mesmo era justamente o "encarceramento" dos dois naquele árduo cotidiano. Diante daquela imensidão, na verdade o que existia era só a presença um do outro para a manutenção da vida.
A fotografia é linda, mas a câmera sempre fixa não ajuda na contemplação, em poucos segundos os olhos já captaram a paisagem e não nos sobra mais nada. Os diálogos não entregam muita coisa e são bastante artificiais. Não serve pra documentário e tão pouco como entretenimento, aguentei 15 árduos minutos
É um dos filmes mais duros sobre o sofrimento da cultura andina.
Acho q não vou me recuperar tão cedo da cena das ovelhas... =[
Spoiler desse filme e de Teorema, do Pasolini, logo abaixo:
Eu ia dar uma nota menor por conta da cena final... mas o corte seco parece tão avassalador quanto o grito sem fim ao final de Teorema. Fico imaginando nas implicações desse filho q nunca retornou: ele realmente se perdeu nas grandes cidades... ou também morreu? No fim, cultural ou física, a morte dele preenche o filme na ausência até engolir os próprios pais...
Fica aquela pergunta também: Wawa, onde vc está?
Assistido em 4 de Setembro de 2023.
Que filme lindo e muito triste. Uma história avassaladora de abandono social dos aborígenes, onde os jovens tem que sair das suas terras para trabalhar longe de seus familiares, deixando os mais velhos abandonados a própria sorte. O filme é triste porque mostra a solidão na velhice, o abandono, a luta pela vida de um casal de idosos e suas dificuldades para sobreviver num ambiente inóspito, sujeito às intempéries dos altiplanos peruano. O filme foi feito com Câmara de ângulo fechado. Com a Câmara fixa o diretor Óscar Catacora mostra a realidade de Wilka(Vicente Catacora) e Praxsi( Rosa Nina) a dificuldade, a fé em sua entidades das montanhas. A fotografia é um sonho de beleza. O final é de cortar o coração, mas mostra a grandeza do amor do casal de idosos, em nenhum momento eles deixaram de amar e cuidar do outro. Tem algumas curiosidades, o diretor Óscar Catacora faleceu em 2021 com 34 anos, a atriz Rosa Nina nunca assistiu a um filme, Vicente Catacora é avô do Óscar Catacora , o filme foi gravado em Aymará língua nativa dos aborígenes dos altiplanos Peruano. É uma obra maravilhosa que vale a pena ser visto.
Magnífica experiência cinematográfica de alteridade, Wyñaypacha tem como debate transversal uma realidade cruel de comunidades tradicionais, indígenas e camponesas latino-americanas: a evasão da sua juventude que migra em peso para as grandes cidades em busca de novos modus vivendi em ocupações mais "urbanitas". Ocorre nas comunidades do sul camponês e indígena do México; no altiplano peruano (vide o filme), nos interiores do Brasil e em mais outras tantas realidades disso que chamamos américa latina. Com tal fenômeno, o que acaba por se perder são línguas e partes de nossa identidade cultural: formas de ver, representar e atuar sobre o mundo bastante particulares.
Única crítica que tenho sobre o filme, embora não saiba expressar tecnicamente, é a utilização de enquadramentos sempre fechados. Pensando nisso, imaginei que talvez pudesse ser um elemento para demonstrar o tamanho da responsabilidade de Willka e Phaxsi sobre suas próprias vidas naquele contexto. Pouco importava mostrar as belezas da paisagem andina em tomadas abertas se o que o filme queria mostrar mesmo era justamente o "encarceramento" dos dois naquele árduo cotidiano. Diante daquela imensidão, na verdade o que existia era só a presença um do outro para a manutenção da vida.
A fotografia é linda, mas a câmera sempre fixa não ajuda na contemplação, em poucos segundos os olhos já captaram a paisagem e não nos sobra mais nada. Os diálogos não entregam muita coisa e são bastante artificiais. Não serve pra documentário e tão pouco como entretenimento, aguentei 15 árduos minutos