Dirigido por
Data de lançamento
13 Julho 2008Duração
Generation Kill é uma minissérie de televisão dividida em 7 episódios. Lançada em 2008 é baseada no livro de mesmo nome de Evan Wright, narra sua experiência como repórter com o 1° Batalhão de Reconhecimento do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos durante a invasão do Iraque em 2003. A série estreou em 13 de julho de 2009.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
É bem mais realista q os filmes e séries comuns, mas tbem mais chato, normal. Piadas ruins, normal tbem, mas é a realidade kk
Excelente minissérie, sendo do criador de The Wire o nível de qualidade é garantido.
Só tem uma coisa que achei uma falha ridícula:
O personagem Baptista, é retratado como um "brasileiro". Mas nas cenas em que ele fala a língua nativa, claramente dá pra perceber que tá falando um espanhol e tentando arriscar um português. E além disso o ator que faz ele nem é brasileiro. Acharam que que não ia ter nenhum brasileiro assistindo e que ninguém ia perceber? Kkkkk. Mas enfim, isso não tira o brilho dessa excelente obra, foi só uma observação interessante.
Um tempo atrás eu estava jogando Insurgency e um colega de partida se irritou por ter sido atingindo por outro colega (fogo-amigo). Ele ficou tão puto que fez da nossa partida um inferno. E algo que ele disse foi: "vocês acham que, numa guerra de verdade, os soldados atingiriam os próprios colegas"? Na hora eu lembrei que sim, isso acontece--pelo menos é o que dizem na web.
Porém, assistir essa série--que muitos elogiam por ser precisa--me fez ver quão atrapalhada pode ser uma operação militar, mesmo as executadas por forças armadas tão bem preparadas e organizadas como as dos Estados Unidos.
A quantidade de vezes que esses fulanos erram os alvos, acertam em inocentes ou quase matam uns aos outros é surpreendente. Erros que podem ocorrer pela incompetência de um soldado, uma richa entre oficiais, um deslize de um civil ou uma simples fatalidade.
Generation Kill e a representação da Guerra ao Terror... A minissérie trouxe uma visão pouco usual do conflito no Iraque
A data de 11 de setembro de 2001 é essencial para entender muitas produções do início do século XXI. O atentado cometido pela Al-Qaeda em Nova York desencadeou um efeito em cadeia global nos anos seguintes que envolveu duas guerras em países do Oriente Médio; a deposição de dois regimes ditatoriais e a substituição da paranoia sobre a ameaça comunista pela ameaça muçulmana.
Decisões políticas extremamente controversas foram tomadas sob a égide da proteção da segurança nacional (não só nos Estados Unidos mas também em algumas nações da Europa) que incluíam, dentre algumas coisas, aplicação de “interrogatórios aprimorados” (que nada mais eram do que torturas) de prisioneiros em locais secretos como Guantánamo e Abu Ghraib.
Além de espionagem de cidadãos ou alvos potencialmente valiosos, do ponto de vista da inteligência, praticada pelos governos. Um exemplo é o infame Patriotic Act, sancionado pelo governo de George W. Bush, no qual órgãos de segurança como a NSA (Agência de Segurança Nacional) tinham plena liberdade para vigiar quaisquer indivíduos sem precisar passar pelos devidos trâmites legais.
Basta assistir aos filmes ‘Snowden – Herói ou Traidor‘ e "O Relatório" que com realismo dramático e impactante o comportamento dos EUA após o evento pós 11 de setembro.
Evidentemente não foi apenas o governo que sentiu as reverberações da fatídica data mas também os meios de comunicação e do entretenimento; enquanto que os telejornais revezavam entre a confusão devido a maiores informações do que havia ocorrido e o apoio às iniciativas militares, setores como os quadrinhos, por exemplo, colocavam seus heróis em um ponto de reflexão sobre a tragédia (Amazing Spider-Man #36 é um ótimo exemplo desse quadro).
As reverberações do atentado ecoaram em diversas mídias.
Já na indústria cinematográfica a questão não foi discutida tão abertamente de imediato. Um dos primeiros filmes a lançar pós ataque, ainda que não estivesse ligado ao tema, foi Falcão Negro em Perigo. A obra dirigida por Ridley Scott propôs uma adaptação do episódio ocorrido em Mogadíscio, na Somália, no qual um grupo de fuzileiros norte-americanos se viu cercado por combatentes de milícias locais.
As forças do tio Sam, à ocasião, estavam no país para garantir a implementação de um plano para distribuição de alimentos conduzido pela ONU aos cidadãos que estavam sendo vitimados pela fome. Ao longo do tempo muitas críticas foram tecidas à forma como o filme lidou tanto com a representação de somalis quanto dos próprios soldados norte-americanos.
Apesar de bastante elogiado pelo apuro visual, a obra foi ganhando ao longo tempo a etiqueta de “propaganda das forças armadas” por idealizar o episódio de Mogadíscio como uma luta do bem contra o mal. Esse pensamento, ao final de 2001 e início de 2002, estava bem alinhado com o que se propagava das ações dos Estados Unidos para responder a Al Qaeda em solo afegão.
Ridley Scott abordou o incidente do Blackhawke sem deixar de dialogar com o pós 11 de setembro
Conforme os anos avançaram, a operação para depor Saddam Hussein se desenvolvia no Iraque e as primeiras denúncias de abusos por parte das forças de ocupação começaram a ganhar conhecimento do público. Seguindo a trilha mais crítica que começava a ser traçada sobre os conflitos no Iraque e Afeganistão, o cinema norte-americano não tardou a apresentar narrativas que lançassem uma visão fora do eixo patriótico.
O ano de 2008 foi especialmente prolífico para esse tipo de abordagem, apresentando uma gama considerável de projetos que se propuseram a demonstrar a realidade crua do conflito. Rede de Mentiras, também de Ridley Scott, dissecou a forma como as organizações de inteligência estavam agindo em solo estrangeiro.
Já Guerra ao Terror acompanhou o ponto de vista de uma dupla de fuzileiros em plena ocupação do Iraque, privilegiando a paranoia dos combatentes ao precisar lidar com um ambiente totalmente hostil à eles; com isso o espectador experimenta a mesma sensação de dúvida que permeia a mente dos personagens.
A paranoia dos soldados das forças de ocupação no Iraque em “Guerra ao Terror” indicou uma mudança de percepção
Foi nesse período também que a HBO lançou a minissérie Generation Kill, com uma proposta não exatamente inédita (muitas das produções focadas na Guerra do Vietnã fizeram o mesmo) porém diferente para o conflito. Ambientado durante a invasão ao Iraque, a produção acompanha uma companhia de fuzileiros rumando para o novo país.
Ao longo do trajeto vão surgindo situações em que os personagens expõem uma desconstrução da figura do herói de guerra, não raramente os combatentes demonstrando pouco apreço pelo apoio de cidadãos norte-americanos; das tradições militares ou respeito pelos habitantes locais.
Declaradamente a intenção dos presentes é a pura e simples vontade de matar; tal sensação é declarada mais de uma vez quando eles se veem fora de uma situação de combate. Não há alívio pela segurança mas sim frustração por ainda não terem visto a ação.
Sob esse ponto de vista, a minissérie brinca com a idealização da guerra feita pelos próprios soldados, este sendo um tema recorrente em produções sobre conflitos em tempos recentes, como visto em Platoon. Da mesma forma como ocorre no filme de Oliver Stone, a crescente leva os personagens (e o público) a lidarem com um choque de realidade sobre os horrores da guerra.
Uma das melhores séries que eu já assisti na vida, talvez a obra fictícia mais próxima da realidade sobre a Guerra do Iraque sob a perspectiva dos soldados americanos já produzida.