Filmado na Roma contemporânea, o filme mostra uma série de encontros com "antigos" romanos, como a manipulação econômica e social da "antiga" sociedade levaram a ditadura cesarista.
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As Novas Desventuras de Cliff Booth
Absolutamente genial...
No começo, intimida um pouco (como qualquer filme straubiano), mas logo tudo passa a fazer sentido, a desvendar-se na práxis dialogística: no primeiro diálogo, constatamos o brilhante e recorrente recurso anacrônico, que adiantará a inserção do 'verfremdungseffekt' brechtiano. Porém, o roteiro possui um intento que é também narrativo, ao demonstrar os ancestrais imperiais dos bancos (comparados ao Inferno, num brilhante momento schoenberguiano) e da bolsa de valores atual. Os depoimentos não são apenas representados pelos eloqüentes atores, mas sentidos como experiências pessoais, narrados como fofocas intimamente prejudiciais. O contraponto renitente com as andanças daquele automóvel em ruas estreitas e abarrotadas de gente fez com que eu temesse um acidente, ou algo assim, mas o acidente é a História em si, enquanto narrada por vencedores colonizatórios que convertem os choros de feridos em gritos alegres de escravos do sistema econômico esmagador. Genial, insisto. O casal Straub em uma de suas experiências mais céleres (passa muito rápido) e efetivas. Genial, genial, genial! (WPC>)
Do romance inacabado de Brecht, "Os Negócios do Senhor Júlio César", quatro cidadãos vestidos de antigos romanos (um banqueiro, um agricultor ex soldado, um advogado e um escritor), comentam sobre a passagem da sociedade escravista para a mercantil, da oligarquia do Senado e dos latifundiários para a autocracia - tudo alternado com as incursões pelo centro histórico congestionado de Roma. Não é um filme didático, mas uma metáfora sobre a história e seus ensinamentos que possibilitou ao casal Straub-Huillet uma abordagem poética (rigorosa, mas com sentimento) da figura de Júlio Cesar.