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Data de lançamento
30 Março 2008Duração
Escritores, desenhistas, editores, familiares e críticos concedem entrevistas acerca de períodos áureos da História em Quadrinhos da Argentina para a composição deste documentário dirigido por Daniela Fiore. Nomes e trabalhos de artistas expoentes ausentes como Hector Oesterheld, Alberto Beccia, Hugo Pratt e tantos outros são relembrados devidamente.
Outros também são tanto mencionados, quanto entrevistados: Elsa Oesterheld, Irma Breccia, Francisco Solano López, Roberto Fontanarrosa, Carlos Trillo, Enrique Breccia, Enrique Alcatena, Horacio Altuna, Salvador Sanz, etc.
Além do mais, este documentário também usa técnicas criativas de animação elaboradas pela diretora, que também é desenhista, em parceria com o artista de animação Julio Nicolás Azamor, no decorrer da execução do filme.
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De acordo com sua entrevista para o "Roda Viva", até onde a lembrança, do que escreve isto, chega, a quadrinista Maitena já vinha fazendo quadrinhos (com influência subversivo-punk) desde antes de seu trabalho célebre "Mulheres Alteradas". Por sua vez, o quadrinista Liniers tem feito um trabalho notável com suas tiras "Macanudo" e outras. Levando em consideração estas duas ausências lamentáveis e mais a ausência do próprio Quino (se um erro de apontamento não se faz presente aqui, em virtude de pouca lembrança de alguns aspectos do documentário), cuja "Mafalda" é um dos baluartes principais de sua obra, estas são umas das quase nulas incorreções do filme.
Mas é de se perdoar, pois elaborar um trabalho documental de tamanha envergadura evidentemente não é fácil. E sempre lembrando que o colaborativo trabalho de animação de Daniela Fiore e Julio Nicolás Azamor proporcionou um aspecto artístico especial e único ao filme. Além disso, tal conjunto se projeta como um importante documento para ser exportado para o resto do mundo que se interessa por esta arte muitas vezes subestimada, que é a História em Quadrinhos. Neste caso uma maravilhosa "vertente" estilístico-internacional, os Quadrinhos argentinos, que diga-se de passagem é simplesmente suprema, e de não dever absolutamente nada para estadunidenses, europeus ou japoneses; com exemplos como "El Eternauta" (lançado aqui pela editora "Martins Fontes") de Hector Oesterheld (que foi e teve as quatro lindas filhas vitimadas pelos fedorentos milicos da ditadura argentina, conforme documentado no livro Bienvenido, este lançado aqui no Brasil pela editora "Zarabatana"); e graphic novels de Salvador Sanz, como "Noturno", que conta uma requintada história de horror moderno, envolvendo aspectos "insectópteros", ornitológicos e aeronáuticos de forma poética, e "Angela Della Muerte" fazendo citações hiper-intertextuais de ícones do passado, do presente, da vida, da não vida e da essência primata ou primitiva, como a "Vênus de Willendorf", macaquinho de brinquedo batendo pratos, "King Kong" e macaco cobaia de foguete espacial para narrar uma insólita história de horror e de conspiração governamental. Ambas estas obras lançadas pela já mencionada "Zarabatana".
Enfim, los hermanos argentinos quadrinistas são formidáveis e este documentário é prova disso.