Um grupo de homens comandados por um ancião tentam deter uma invasão à cidade de Aquilea. Os invasores introduzem uma máquina para uma invasão em massa, mas ao longo do filme se entende que a invasão é absoluta e impossível de definir. A derrota dos defensores é evidente desde o princípio.
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Não obstante ter sido coescrito por Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares (e na verdade só o assisti por causa disso), isso não o salvou de ser um dos filmes mais chatos que já vi. História totalmente tediosa.
Em 1978, durante a ditadura militar argentina, o filme INVASIÓN dirigido por Hugo Santiago acabou se perdendo. Em 2004 ele foi finalizado e depois restaurado. O roteiro conta com a colaboração de dois gigantes da literatura argentina, Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares. Ricardo Aronovich é o fotografo. O filme carrega nas frases dos personagens a densidade de seus roteiristas. A Obra parece um filme policial, ficção cientifica ou drama político. Como todo grande filme sempre ultrapassa os limites do gênero. A obra foi um fracasso de bilheteria, mas um sucesso de crítica. Foi premiado em Cannes e até recentemente ficou esquecido. Uma excelente obra do cinema fantástico, que precisa ser vista e revista.
Achei um bocado confuso, não a história, mas a motivação dos personagens.
Achei o filme um bom dispositivo para se pensar como se constroem formas de resistência e ação política. Feito em 1969, o filme remete instantaneamente aos períodos das ditaduras latino-americanas (aqui no Brasil desde 1964) e na Argentina em 1978. Os questionamentos em relação as possibilidades de se resistir quando a maioria das pessoas parece quieta frente as mudanças, as formas dessa resistência, seus sacrifícios e vitórias...não é à toa que o filme foi quase destruído pela ditadura argentina, uma vez que ele propõe, mesmo frente às condições mais árduas, redes de esperança e luta.
Além disso, usar o cenário de Buenos Aires como Aquilea foi uma bela sacada; se ficciona a realidade, não se descola a situação de invasão de um plano concreto para uma realidade distópica, mas se deixa bem marcado que as possibilidades de mudanças, suas lutas, negociações, resistências e avanços se dão no presente, incessantemente.
Em celulóide, a maravilha borgiana que faz pensar, que remete a uma Ilíada. Em certos trechos, quando a gravata do Herrera tá amassada, nota-se a nouvelle vague fazendo efeito, pois ele fica a cara do godardiense Eddie de Alphaville. Mas o laço mais comovente que temos com a França aqui, talvez seja o de gratidão pelo trabalho árduo que Pierre-André Boutang, o Laboratório LTC, Aronovich etc fizeram pra restaurá-lo. Inspiradoras garra e estratégia do Sr. Porfírio na defesa de Aquiléa.