Em 1942, Iván Bojko foi tirado à força de sua aldeia natal pelos nazistas e levado para a Alemanha para trabalhos forçados. Em 1948, ele imigrou para o Brasil como refugiado da Segunda Guerra Mundial e nunca mais conseguiu voltar para a Ucrânia. 68 anos depois, Iván Bojko a sua terra natal, numa verdadeira viagem de “volta ao passado”, aos 91 anos de idade.
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Um documentário tocante que vale a pena ser assistido! Gostei muito!
História emocionante!
Um filme pode ser analisado de inúmeras maneiras. Eu, leigo no assunto, só posso avaliar conforme meu sentimento e não tecnicamente. Sei que não deve ter sido um filme com grande financiamento, nem com uma grande equipe. Mas é impossível não se comover com a história.
Segundo Carlos Nougué, grande Tomista brasileiro "...o fim da obra de arte não é fazer o belo, não é fazer coisas belas (o que implicaria uma clara tautologia), mas sim, fazendo o belo, fazendo coisas belas, deleitar ou comprazer o homem...".
Então, partindo dessa premissa, seria redundante falar que o filme é uma bela obra de arte. Digo então que é uma obra de arte, pois propende a mim ao belo e ao verdadeiro.
Mais uma fantástica produção de Guto Pasko. Esperava que o filme fosse mais voltado aos relatos de um passado terrível, mas o que vi superou completamente essa expectativa.
Além do passado que naquilo tudo resultou, somos convidados a visitar uma cultura viva, autêntica, nos olhos de didos, babas e dos jovens de uma Ucrânia ainda rural e tradicional. Iván Bojko não foi somente um refugiado, mas um dos vários que compunham a OUN, era um nacionalista ucraniano que se emociona ao saber do destino trágico de outros jovens nacionalistas de sua aldeia. Um mundo espiritual entre a Cruz e a Espada. Quantos dos nossos antepassados não gostariam de dispor da oportunidade de retornar à Ucrânia para rever seus parentes depois de ter chego no Brasil? Quantos também não vieram parar no Sul do mundo por causa de um inimigo mais poderoso e em maior número, escorraçados por aqueles que diziam nem existir uma Ucrânia? E os que deram sua vida pela pátria livre e não puderam morrer ao lado de seus camaradas?
Outra reflexão que o filme traz aos descendentes diz da permanência e da manutenção da herança cultural recebida. Se a cultura ucraniana sobreviveu àquelas duras provas, aos tempos negros nos quais até os kobzars eram executados, qual seria nosso papel, hoje, para que ela sobreviva diante de um mundo globalizante? Agora, a Ucrânia é livre - embora se encontre em meio das ambições da União Europeia e de Moscovo, que buscam novamente dividi-la - e nada nos impede de conservar a memória viva, mas será que conseguiremos levar adiante o legado? As banduras de Iván aparecem aqui como símbolo, significando que o povo que tem música, cultura, tem raízes e unidade; que na Tradição se Vive e que nela persiste o espírito do povo.
Só há o que agradecer a Guto Pasko por, novamente, compartilhar sentimentos tão significativos através de sua arte. A fotografia é impecável, e, o mais importante, a forma com que a história é narrada nos situa no coração da emoção do reencontro, do pertencimento e do demorado regresso ao lar. Nada consegue transmitir melhor os valores humanos do que uma história verídica transbordando em sentimentos honestos após as privações do tempo.
forte, lindo, belíssimo, parabéns pelo registro desta emocionante história dentre tantas outras que fazem parte da construção do nosso país