O velho Rei Lear decide entregar seu trono às suas três filhas e solicita comentários delas sobre sua devoção e amor a ele. Goneril e Regan, as filhas mais velhas casadas, bajulam seu pai com declarações profusamente exageradas de devoção filial, mas Goneril, solteira e mais jovem, se recusa a tentar superar suas irmãs na insinceridade e declara sua lealdade a seu pai em termos mais subjugados. O rei egocêntrico deserda-a um ataque de pique e bane, bem como Kent, um de seus ministros mais leais, que teve a ousadia de criticar as ações do rei. O velho Lear não é feliz na aposentadoria como o primeiro e, em seguida, ambas as suas filhas viram as costas para o seu pai, agora impotente. Cordelia, agora casada com o rei da França, permanece fiel ao seu pai, apesar de seu tratamento, e invade a Inglaterra com o exército francês na esperança de restaurar o seu pai para o trono. Enquanto isso, o filho ilegítimo do Duque de Gloucester, Edmund, conspira para o pior.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Intrinsecamente contraditório.
Para Godard nada parece ser tão complicado quanto as coisas mais simples. Por isso, esperar que seu filme "King Lear", fosse uma passível adaptação cinematográfica típica da tragédia de Shakespeare, é no mínimo, por parte do público, um total desconhecimento sobre o diretor ou incoerência, por parte da crítica.
Embora algumas linhas da peça de Shakespeare, sejam usadas no filme, apenas três personagens (Lear, Cordelia e Edgar), são, digamos assim, "apresentados". King Lear é, sem confessionalismos algum, um filme difícil, e assim é, pois se considerarmos Godard um diretor insano (no sentido positivo disso), temos nesse seu experimento visual, o ápice da insanidade humana ao questionar a arte em mundo recém-saído de um grande desastre nuclear (em referência ao episódio de Chernobyl).
Encaro os filmes de Godard como uma louvável experimentação, o que lhe torna indiscutivelmente original a cada filme. Godard é um dos raros, quase único diretor que consegue afirma o cinema através da negação, assim mais do que apresentar ou afirmar o que é cinema, Godard discute sobre as várias possibilidade de ser e fazer cinema. E faz isso rindo e debochando do público, mas não em uma zombaria gratuita e desnecessária ao contrário disso, os risos são diante a nossa caretice em assimilar as narrativas de um filme, buscando compreensão e lógica para tudo, inclusive na arte, que historicamente buscou sempre romper com o convencional, levando em conta o própria incoerência que é a humanidade e sua desastrosa forma de viver.