Anxo retorna à sua cidade natal, na zona rural da Galiza. Lá, ele é recebido com preocupação pelos vitoriosos e derrotados, que vêem nele o perigo de mergulhar de volta em suas memórias silenciadas.
Eloy Enciso propõe este teatro filmado em que avatares sociais erigidos durante e após o regime do ditador fascista espanhol Francisco Franco declamam textos históricos de autores consagrados: Max Aub, José Maria Aroca, o argentino Rodolfo Fogwill, Ángeles Malonda e muito mais. Do ponto de vista literário, exclusivamente, a narrativa é um banquete de palavras para quem gosta de saciar esta fome por arte na forma mais pura e bruta. Para quem ama cinema, não há muito senão o teatro filmado, com atuações solenes, menos dramáticas, e o cenário que tenta servir de palco ao que está sendo dito.
Não digo que não seja relevante, quanto mais nos dias atuais em que vemos o assustador retorno da ideologia fascista de forma sorrateira e desembaraçada, apenas não é cinematográfico ou ao menos não o bastante. Eloy Enciso até tenta criar o texto próprio a partir da colcha de retalhos dos autores de que tomou o discurso de empréstimo; em certo grau, o diretor-roteirista cria o seu Frankenstein, e dá sentido próprio as ideias extraídas de contextos literários múltiplos. Este Frankenstein começa sua caminhada na cidade, antes de ruminar na floresta quem exatamente é, com a desconfiança de que ao término do percurso permanece sem saber a resposta.
A crítica social está presente menos por obra da direção, mais por trabalho do texto, até porque ao recorrer, na maioria das vezes, a planos fechados ou quando não escuros, Eloy despreza o poder da imagem – o que, ex., A Metamorfose dos Pássaros não abdicou com uma proposta não idêntica, mas semelhante. O resumo de ideias articuladas – a invisibilidade da pobreza e deficiência, a carência de empatia, a condição do preso – sufoca-se nesta estrutura preguiçosa e, por que não, deselegante.
Eloy Enciso propõe este teatro filmado em que avatares sociais erigidos durante e após o regime do ditador fascista espanhol Francisco Franco declamam textos históricos de autores consagrados: Max Aub, José Maria Aroca, o argentino Rodolfo Fogwill, Ángeles Malonda e muito mais. Do ponto de vista literário, exclusivamente, a narrativa é um banquete de palavras para quem gosta de saciar esta fome por arte na forma mais pura e bruta. Para quem ama cinema, não há muito senão o teatro filmado, com atuações solenes, menos dramáticas, e o cenário que tenta servir de palco ao que está sendo dito.
Não digo que não seja relevante, quanto mais nos dias atuais em que vemos o assustador retorno da ideologia fascista de forma sorrateira e desembaraçada, apenas não é cinematográfico ou ao menos não o bastante. Eloy Enciso até tenta criar o texto próprio a partir da colcha de retalhos dos autores de que tomou o discurso de empréstimo; em certo grau, o diretor-roteirista cria o seu Frankenstein, e dá sentido próprio as ideias extraídas de contextos literários múltiplos. Este Frankenstein começa sua caminhada na cidade, antes de ruminar na floresta quem exatamente é, com a desconfiança de que ao término do percurso permanece sem saber a resposta.
A crítica social está presente menos por obra da direção, mais por trabalho do texto, até porque ao recorrer, na maioria das vezes, a planos fechados ou quando não escuros, Eloy despreza o poder da imagem – o que, ex., A Metamorfose dos Pássaros não abdicou com uma proposta não idêntica, mas semelhante. O resumo de ideias articuladas – a invisibilidade da pobreza e deficiência, a carência de empatia, a condição do preso – sufoca-se nesta estrutura preguiçosa e, por que não, deselegante.