Ambientado na URSS pouco antes de seu colapso, o filme mostra a rebeldia da adolescente Vera e seu ambiente familiar, marcado pelo alcoolismo do pai e pela mediocridade da mãe.
A direção é excelente: bastante naturalista, chegamos mesmo a esquecer que trata-se de um filme. É tudo tão cotidiano, compassado e, ao mesmo tempo, escandaloso, que pomo-nos no lugar de opressão da personagem-título, que não recebe sequer a exclusividade do sofrimento. Todos os personagens são massacrados por uma conjuntura social extremamente maquínica e próxima da falência. É impressionante o modo como as sirenes, apitos e buzinas demarcam as seqüências, bem como os veículos que aparecem na tela. A abordagem parece documental, de tão efetiva em sua denúncia. Mas o apelo subjetivista é dissolvido, em razão do que foi dito antes (a amplitude generalizada do sofrimento nacional - e proletário), de modo que o filme transcende o próprio título: Vera é quase um personagem randômico, visto que o que acontece com ela acontece com tantas e tantas... Não por acaso, os momentos mais dolorosos são aqueles em que ela é mostrada ao lado de sua melhor amiga, tadinhas. Ótima descoberta tardia: mui compreensível o impacto polêmico que ele causou à época do lançamento. Quem adorou o recente VERÃO, deliciar-se-á com este filme já clássico. Dolorosamente clássico, de uma era sem volta, para o bem e para o mal! (WPC>)
A Pequena Vera é da época da Perestroika e causou um certo furor na época pela atuação desinibida da Natalya Negoda. Lembrem-se que se trata de um filme soviético.
O início do filme é bem legal e mostra a vida dos jovens por trás da Cortina de Ferro, mas logo cai no lugar comum e o que vemos é um drama que poderia ocorrer em qualquer cidade do mundo. O filme se estende desnecessariamente por mais de 2 horas.
Primeiro exercício do cinema russo dentro da realidade já então cansativa da rebeldia hollywoodiana, consegue ser impactante no sentido de que a esperança por ora mostrada entre alguns personagens, diante da incerteza do futuro dentro de uma sociedade em transição, parece hoje um ensaio gasto, mas naquela época - 1988 - soava como o som de uma bomba de nêutrons no meio do território soviético.
A direção é excelente: bastante naturalista, chegamos mesmo a esquecer que trata-se de um filme. É tudo tão cotidiano, compassado e, ao mesmo tempo, escandaloso, que pomo-nos no lugar de opressão da personagem-título, que não recebe sequer a exclusividade do sofrimento. Todos os personagens são massacrados por uma conjuntura social extremamente maquínica e próxima da falência. É impressionante o modo como as sirenes, apitos e buzinas demarcam as seqüências, bem como os veículos que aparecem na tela. A abordagem parece documental, de tão efetiva em sua denúncia. Mas o apelo subjetivista é dissolvido, em razão do que foi dito antes (a amplitude generalizada do sofrimento nacional - e proletário), de modo que o filme transcende o próprio título: Vera é quase um personagem randômico, visto que o que acontece com ela acontece com tantas e tantas... Não por acaso, os momentos mais dolorosos são aqueles em que ela é mostrada ao lado de sua melhor amiga, tadinhas. Ótima descoberta tardia: mui compreensível o impacto polêmico que ele causou à época do lançamento. Quem adorou o recente VERÃO, deliciar-se-á com este filme já clássico. Dolorosamente clássico, de uma era sem volta, para o bem e para o mal! (WPC>)
A Pequena Vera é da época da Perestroika e causou um certo furor na época pela atuação desinibida da Natalya Negoda. Lembrem-se que se trata de um filme soviético.
O início do filme é bem legal e mostra a vida dos jovens por trás da Cortina de Ferro, mas logo cai no lugar comum e o que vemos é um drama que poderia ocorrer em qualquer cidade do mundo. O filme se estende desnecessariamente por mais de 2 horas.
Primeiro exercício do cinema russo dentro da realidade já então cansativa da rebeldia hollywoodiana, consegue ser impactante no sentido de que a esperança por ora mostrada entre alguns personagens, diante da incerteza do futuro dentro de uma sociedade em transição, parece hoje um ensaio gasto, mas naquela época - 1988 - soava como o som de uma bomba de nêutrons no meio do território soviético.
Filme pra lá de bom.