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Duração
Para manter um dos exercícios estilísticos mais impressionantes a serem gerados pelo cinema independente americano contemporâneo, “Man Push Cart” precisa fazer algumas imposições. Pessoalmente, a apatia do personagem principal, Ahmad, é artificial, forçada, especialmente quando o vemos perder as estribeiras por causa de um gato morto cedo demais para se tornar realmente “de estimação”. Existe algo sim dentro de Ahmad que ainda pulsa, uma vontade, uma culpa, sei lá. O que o impede de tomar alguma atitude na vida, o que justifica sua passividade frente aos abusos que sofre? As ambições do diretor. Paira o espírito da Bruna Niilistinha. Astro de rock em seu país natal, Ahmad trocou tudo para ficar ao lado de seu amorrrr, vendendo café num dos vários carrinhos estacionados pelas esquinas de Nova York. Quando ela morre, ele se descobre sem chão nem perspectivas. A sogra o impede de ver o próprio filho. Ele labuta apenas para manter-se em sua vida insatisfatória. Ele é apático perante a possibilidade de revitalizar a carreira. Ele é apático perante a possibilidade de envolvimento com a espanhola cuidando da banca de jornal do tio.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Ramin Bahrani é um diretor que sabe lidar com os problemas sociais, e provou isso na obra-prima do cinema atual “Man Push Cart”.
A trama segue a história de Ahmad, um paquistanês reconhecido como astro do rock em seu país que mudou para os Estados Unidos com sua esposa e filho para cuidar de um quiosque nas ruas nova iorquinas. A esposa do protagonista morre subitamente e seu filho é tirado dos seus braços, contudo isso não o impede de seguir sua vida para traçar rumos melhores e ter seu filho de volta. O diretor Ramin Bahrani conduz a história com maestria ao retratar Nova York de uma maneira completamente diferente aos olhos de Woody Allen, por exemplo, e sim atenta aos imigrantes que partem dos seus países de origem para ocuparem profissões “menores’’ em um país altamente desenvolvido. Ahmad é um personagem um tanto curioso, é por trás da apatia (ou indiferença à vida) que esconde a solidão de um homem em busca de construir seus sonhos e procura alguma saída (que não seja o quiosque) para preencher o vazio que assola dentro de si, um gato para substituir a ausência paterna ou uma jovem jornaleira para fazê-lo esquecer do passado interrompido abruptamente. Sem apelar ao melodrama barato, Ramin Bahrani criou uma obra impressionante que se desenvolve com extrema beleza e simplicidade conduzida por um elenco de atores não muito conhecidos, mas competentes. A sequência final da obra é sufocante e paralisa o coração do espectador ao mostrar a destruição de um sonho que se mantém vivo na mente de um homem.
Não seria exagero dizer que a obra de Ramin Bahrani é um filme iraniano feito nos Estados Unidos. Em um filme belo e trágico, “Man Push Cart” é a prova de que o sonho americano nem sempre é possível e que se para uma pessoa torná-lo real, será preciso carregar o peso de tal ambição com persistência e jamais pensar em desistir.