Cenas filmadas em vários países do Mediterrâneo, com assuntos variados, são exibidas diversas vezes durante o filme, sempre separadas e com diferentes durações. As imagens são acompanhadas por um texto de Phillippe Sollers e trilha sonora de Antoine Duhamel.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
A cenas são bonitas, achei que ia ver uma autópsia kkkk
Coitado do(s) touro(s) (?¿?).
Filme que irrita profundamente qualquer espectador. Seu texto é deliberadamente sem nexo, e visualmente as imagens que deveriam ser metafóricas se transformam num amontoado repetitivo e oco. Salvam-se algumas tomadas e a trilha sonora.
Basicamente é um documentário que mostra sequências de imagens diversas que evocam tanto o passado como o presente da humanidade utilizando-se também de uma narração em off cujo conteúdo pelo menos para mim foi de difícil entendimento na maior parte do tempo. São imagens que impressionam e são valorizadas por uma bela trilha sonora. Peca um pouco pelo excesso de repetição de algumas delas, como as que mostram a crueldade de uma tourada. Visualmente o documentário é impecável, mas faltou nele um sentido mais claro e objetivo para justificar tudo o que foi mostrado nele.
Apesar da nota alta, confesso que NÃO entendi o filme. Não consegui imergir-me em sua estrutura/construção poética, não catei suas referências européias metaforicamente gerais, não me sinto apto a interpretar discursivamente a proposta íntima do filme enquanto manifestação autoral, por mais que Ismail Xavier tenha proposto chaves hermenêuticas interessantíssimas em seu clássico livro subintitulado A OPACIDADE E A TRANSPARÊNCIA. Mas, ainda assim, ouso confessar com toda sinceridade que o ritmo monocórdico do filme me seduziu, que me vi suspenso no tempo por aqueles 45 minutos repletos de imagens repetitivas, bonitas (vide o plano móvel do pomar em que se destaca uma laranja madura em primeiro plano), cruéis (as diversas mortes de touros num tradicional esporte espanhol) e ostensivamente atreladas ao discurso sobre a memória que o filme apregoa... E, nesse sentido, que impecável uso da trilha sonora de Antoine Duhamel. Que inteligente emulação do modo godardiano de pôr a natureza (humana, inclusive) em cena, através de um tom de montagem que remete aos filmes radicais que Guy Debord realizava na mesma época! Que demonstração efetiva de que os diretores envolveram-se direta e intimamente com a profusão poética que emana de cada fotograma! Posso não ter gostado tanto quanto a maioria de seus admiradores, mas me vi afetado por este filme, encantado, enfeitiçado, apaixonado... É belo, no sentido mais lato e militante do termo: BELO! (WPC>)