A vida de uma jovem estudante de música sofre uma reviravolta inesperada quando seu namorado morre tragicamente em um acidente de carro, forçando-a a reformular seu caminho.
Da trilogia foi o filme que gostei menos, porém não deixa de ser mais uma boa obra do Petzold, um filme sensível onde o silêncio e as ações falam muito mais do que as palavras proferidas.
Indicado ao Prêmio do Público no Festival de Cannes. Filme que encerra a Trilogia dos Elementos, o primeiro Undine com o elemento água, o segundo Céu Vermelho com o elemento fogo e este com o elemento ar. O título remete a uma peça chamada "Um Barco no Oceano" do compositor Maurice Ravel e a passagem dela que dá nome ao filme se conecta a mensagem de luto e ao fluxo da vida que o diretor quer passar. Dos três, achei este o mais fraco, mas ainda assim é muito bom como qualquer coisa que eu já tenha assistido do diretor é. Paula Beer e Barbara Auer estão ótimas e fazem a química do filme funcionar, mas não posso deixar de comentar o carisma do ator Matthias Brandt em todas as cenas que aparece. Há elementos que são recorrentes na obra de Petzold, como a questão de Doppelgängers, personagens que são como reflexos de outros, o que faz que o "espelhos" da música de Ravel e do título faça todo o sentido. Petzold é um dos meus diretores contemporâneos favoritos, acho que merece muito ser assistido e interpretado, pois sua arte é poderosa.
Entendi que a proposta gira em torno do luto e de como cada personagem lida com a perda, mas, pra mim, a forma como isso é construído ficou mais estranha do que envolvente. Durante a maior parte da experiência, me senti mais incomodada do que envolvida, principalmente por não conseguir me conectar emocionalmente com a Laura. A forma como ela passa a
[/spoiler] viver "do nada" na casa de uma mulher que não conhece — pedindo pra ficar lá, dormindo num quarto que ela nem sabe de quem é, comendo etc e convivendo com pessoas totalmente desconhecidas como se fosse algo normal —[spoiler]
me pareceu muito deslocada da realidade. Isso acabou gerando não só incômodo, mas também uma tensão constante, porque eu ficava sem saber até onde aquilo poderia ir. Em vários momentos pensei “caraca, essa menina é meio doida”, justamente por ela se colocar em situações que, pra mim, soam perigosas ou completamente fora do esperado.
Além disso, a Laura me pareceu uma personagem sem muito filtro e, em alguns momentos, até invasiva. Pequenas atitudes me causaram desconforto, como quando
[/spoiler] ela se intromete em conversas ou tenta interferir em situações que não dizem respeito a ela — por exemplo, nas vezes em que impede o Max de ir atrás dos pais ou quando questiona diretamente o que eles estavam cochichando[spoiler]
. São comportamentos que, pra mim, reforçam essa sensação de que ela não tem muito filtro, meio deslocada de uma lógica mais “realista” de convivência.
Ao longo do filme, acabei entendendo muito mais o lado da família do que o dela(não é difícil entender o porquê da reação de cada um com a presença da Laura ali). Só depois, lendo algumas interpretações, consegui enxergar uma possível explicação para o comportamento da Laura que me causou incômodo: talvez esse comportamento venha de um estado de
[/spoiler] anestesia emocional após o acidente, uma forma de fugir da realidade e evitar encarar a própria vida. [spoiler]
Ainda assim, durante a experiência, isso não ficou claro o suficiente pra mim, e o incômodo permaneceu.
Também dá a entender que a própria vida da Laura fora dali não era exatamente estável ou satisfatória. Parece que existe um certo distanciamento emocional na
[/spoiler]presença da Laura. Aos poucos, eles vão acolhendo ela, muito por perceberem que aquilo faz bem para a Betty, que claramente ainda está muito afetada pela perda da filha. Com o tempo, essa presença também parece aproximar a própria família, que antes dava sinais de distanciamento.[spoiler]
Durante boa parte do filme, acabei entendendo mais o lado da família do que o da própria Laura. Só que, no final, esse entendimento também vira desconforto: a forma como eles
É aquele tipo de situação em que você entende o motivo, mas ainda assim acha problemático.
No geral, entendi o que o filme quis explorar e até consegui enxergar algumas camadas depois, mas não consegui me conectar durante a experiência. Saí com uma sensação estranha — mais de desconforto do que de reflexão.
Da trilogia foi o filme que gostei menos, porém não deixa de ser mais uma boa obra do Petzold, um filme sensível onde o silêncio e as ações falam muito mais do que as palavras proferidas.
Indicado ao Prêmio do Público no Festival de Cannes. Filme que encerra a Trilogia dos Elementos, o primeiro Undine com o elemento água, o segundo Céu Vermelho com o elemento fogo e este com o elemento ar. O título remete a uma peça chamada "Um Barco no Oceano" do compositor Maurice Ravel e a passagem dela que dá nome ao filme se conecta a mensagem de luto e ao fluxo da vida que o diretor quer passar. Dos três, achei este o mais fraco, mas ainda assim é muito bom como qualquer coisa que eu já tenha assistido do diretor é. Paula Beer e Barbara Auer estão ótimas e fazem a química do filme funcionar, mas não posso deixar de comentar o carisma do ator Matthias Brandt em todas as cenas que aparece. Há elementos que são recorrentes na obra de Petzold, como a questão de Doppelgängers, personagens que são como reflexos de outros, o que faz que o "espelhos" da música de Ravel e do título faça todo o sentido. Petzold é um dos meus diretores contemporâneos favoritos, acho que merece muito ser assistido e interpretado, pois sua arte é poderosa.
BLOG: FILMESTRANGEIROS
INSTAGRAM: @filmestrangeiros
É sobre como encarar o luto e a conexão com outros a nossa voltam que vivem o mesmo
objetos falantes no silêncio berrante dos humanos, singelismo do design emocional.
Entendi que a proposta gira em torno do luto e de como cada personagem lida com a perda, mas, pra mim, a forma como isso é construído ficou mais estranha do que envolvente. Durante a maior parte da experiência, me senti mais incomodada do que envolvida, principalmente por não conseguir me conectar emocionalmente com a Laura.
A forma como ela passa a
[/spoiler] viver "do nada" na casa de uma mulher que não conhece — pedindo pra ficar lá, dormindo num quarto que ela nem sabe de quem é, comendo etc e convivendo com pessoas totalmente desconhecidas como se fosse algo normal —[spoiler]
Além disso, a Laura me pareceu uma personagem sem muito filtro e, em alguns momentos, até invasiva. Pequenas atitudes me causaram desconforto, como quando
[/spoiler] ela se intromete em conversas ou tenta interferir em situações que não dizem respeito a ela — por exemplo, nas vezes em que impede o Max de ir atrás dos pais ou quando questiona diretamente o que eles estavam cochichando[spoiler]
Ao longo do filme, acabei entendendo muito mais o lado da família do que o dela(não é difícil entender o porquê da reação de cada um com a presença da Laura ali). Só depois, lendo algumas interpretações, consegui enxergar uma possível explicação para o comportamento da Laura que me causou incômodo: talvez esse comportamento venha de um estado de
[/spoiler] anestesia emocional após o acidente, uma forma de fugir da realidade e evitar encarar a própria vida. [spoiler]
Também dá a entender que a própria vida da Laura fora dali não era exatamente estável ou satisfatória. Parece que existe um certo distanciamento emocional na
[/spoiler]relação com o pai, e alguns sinais de que ela já carregava questões mal resolvidas antes mesmo do acidente.[spoiler]
Por outro lado, achei interessante a dinâmica da família. Apesar do
[/spoiler]estranhamento inicial do pai e do filho,[spoiler]
[/spoiler]presença da Laura. Aos poucos, eles vão acolhendo ela, muito por perceberem que aquilo faz bem para a Betty, que claramente ainda está muito afetada pela perda da filha. Com o tempo, essa presença também parece aproximar a própria família, que antes dava sinais de distanciamento.[spoiler]
Durante boa parte do filme, acabei entendendo mais o lado da família do que o da própria Laura. Só que, no final, esse entendimento também vira desconforto: a forma como eles
[/spoiler]continuam acompanhando a vida dela, indo atrás, observando de longe, beira algo invasivo e até perturbador,[spoiler]
[/spoiler]nove dias com eles.[spoiler]
No geral, entendi o que o filme quis explorar e até consegui enxergar algumas camadas depois, mas não consegui me conectar durante a experiência. Saí com uma sensação estranha — mais de desconforto do que de reflexão.
[Visto em: 24 de Abril de 2026]