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Documentário sobre os "murais" de Los Angeles, ou seja, as pinturas nas paredes da cidade. Quem os pintou. Quem pagou por eles. Quem os vê. Como esta cidade, que é a capital do cinema, se revela, sem efeitos especiais, nas paredes murmurantes.
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Coisa linda ver a Agnes contar a história de uma cidade através da artes feita por essas pessoas.
Tudo começa com uma simples curiosidades sobre os murais e termina com um grande ensaio sobre como é importante fazer arte com tudo o que a vida te dá, mesmo que isso seja apenas muros em branco. Neles você pode canalizar sua dor, falar de deuses, mostrar trabalhadores, celebrar um casamento frustrado, denunciar violência policial, fazer uma fachada para seu negócio (seja um matadouro ou uma zona), imaginar uma cidade vazia por meio de um reflexo, e o que mais você quiser e conseguir.
Tudo aqui é um mural, até a própria pele. A arte é a diferença entre sobreviver e viver.
Fazer arte com o que se tem é muito bem abordado também em Em busca dos jardins de nossas mães, da Alice Walker.
Mais uma vez a cineasta traz um brilhantismo próprio ao traduzir a filmagem de murais de ruas de Los Angeles em histórias singulares do cotidiano de pessoas.
A arte expressa em forma por vezes marginal, outras em forma de encomenda de artistas simpl[orios trespassa os parâmetros da dita arte culta exposta no interior de galerias e ateliês para acessos corriqueiros do encontro da grande cidade e as mazelas que a compõe.
Agnes vai de encontro a essas pessoas invisíveis ao olho de um espectador do dia a dia e nos brinda com uma obra ímpar.
Pasmei com o encontro de Lynn Carey, cantora underground da cena hard rock californiana, mais conhecida durante a carreira como Mama Lion, artista que teve grande participação em obras conjuntas com Neil Merryweather, esse por sua vez canadense recém-falecido e igualmente vivera no mesmo ostracismo artístico dela. A música que toca de fundo nesse momento, inclusive, é dela, lançada em álbum de díficil acesso chamado Good Times.
Valor do registro e da expressão. Ver as pessoas contarem sua própria história, muito lindo isso.
Varda aponta sua lente para muros, eles dizem mais do que parece. Também vêem-se minorias, mostra que a opressão usa como expressão e válvula de escape a arte. Incrível como o filme tece uma história à outra. O futuro talvez seja uma onda que nos levará.
O cinema da Varda, é uma parada muito atual, é assustador como alguns temas discutidos no filme (infelizmente) não mudaram, como a violência e a xenofobia contra os Mexicanos, mas é legal ver a integração da comunidade mexicana e os murais em L.A e triste pensar que aqueles murais hoje nem deve existir por lá mais, apagados por prédios e muros maiores