Dirigido por
Duração
Sara ama Marcos e eles estão esperando um bebê. Ele a ama, mas também ama Sofia. Sopia não gosta de ser enganada; ela preferiria alguém que lhe desse importância. Alguém como André, só que ele já vive com Rita, sua esposa. Ela, por sua vez tem interesse em cuidar da jovem Natasha, a quem todos ficariam felizes de tirar proveito. E o que dizer de Jimmy e especialmente Etele, que, por sinal, tem tesão por Sara? Este grupo de habitantes da contemporânea Budapeste estão unidos por complicadas e mercenárias relações, emoções que extorquem e laços de dependência humilhante. Em situações semelhantes, homens e mulheres se comportam de maneiras diferentes.
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A música do começo, sem dúvidas, é a melhor parte do filme:
Cansado desse bar,
o garçom é minha desgraça.
Cansado dessa TV
do meu quarto de hotel.
Cansado das mulheres
que arranham, mas não mordem.
Cansado desses caras
que não fazem nada certo.
Cansado do caos,
cansado da ordem.
Cansado do silêncio,
e dessa gritaria.
Cansado do carrasco,
e da enfermeira.
Cansado da virgem
e cansado da puta.
Cansado do que começa,
cansado do que termina.
Cansado da guerra,
cansado da paz.
Cansado do negro,
cansado do amarelo,
Cansado do judeu,
e do ariano.
Cansado das receitas
e cansado dos médicos.
Cansado do sexo
e dos preservativos.
Cansado do comerciante,
cansado do Papa.
Cansado da água benta,
cansado da droga.
Os filmes de György Pálfi costumam ser de caráter peculiar, sempre com um teor um tanto folclórico. Seus personagens são quase sempre marcantes, seja no aspecto físico ou personalidade, contido ou espalhafatoso. Em Não Somos Amigos essa forma mais ácida de desenvolvimento fica pra trás e dá lugar pra um formato diferente na filmografia do diretor, mas conhecida da galera: um filme com muitos personagens e uma divisão equilibrada de presença, trazendo situações que vão ligando um personagem a outro, no melhor estilo "cidade pequena" que vemos as vezes.
Uma teia que vai se formando, entregando a condição, personalidade e desejos de seus personagens, malandros, sujos, carentes e o que for. Câmera aproximada, muito foco nos rostos perdidos de Budapeste num filme que se for ver bem, não foge tanto assim da filmografia de Pálfi em termos de direção, sempre apontando a contradição humana e seus trambiques, nesse aproximando mais das relações afetivas.
É interessante como o diretor amarra os personagens num ciclo que é até um pouco forçado como eles se relacionam. Porém é um filme que expõe uma realidade bem crua e pessimista da sociedade, principalmente envolvendo relacionamentos amorosos.
A câmera na mão o tempo todo com poucos cortes e a inexistência de trilha sonora me faz lembrar o Dogma 95, inclusive pela naturalidade das autações.
A "trilha sonora", que são as músicas húngaras que tocam no filme, são muito boas e relacionam diretamente com os personagens, é um personagem a mais dessa história que conta bastante destalhes sobre eles e sobre a situação em que vivem.
achei esse link: https:// rutracker. org.pl/viewtopic.php? t=2553772
Gostei bastante do filme.O "prólogo" do filme com as crianças conversando em uma creche, antes do corte que leva ao filme propriamente dito me passou a idéia de uma certa infantilidade dos personagens no filme, como se fossem crianças grandes, adultas. Percebi um certo diálogo, influência, enfim, do já clássico "Trainspotting" (do Danny Boyle) em relação a esse filme, não sei exatamente o porque.Roteiro urgente, dinâmico, histórias simples, mas que prendem, se ligam. Acho que é o filme que mais gostei desse diretor, até o momento (embora taxidermia seja impactante).