Nelson Cavaquinho documentário curta-metragem em preto e branco e 35mm sobre o sambista, desconcerta. Captado em 1969 pela lente de Leon Hirszman, um Nelson Cavaquinho de 59 anos de idade é flagrado divagando suas impressões sobre a música e a vida em sua casa no dia-a-dia tranqüilo de Bangu, caminhando pela vizinhança simples caminhando pela vizinhança simples e, principalmente, cantando com sua embargada voz, o indefectível dedilhar debochado de seu violão (tão irresistível de se imitar, para quem é violonista) e um olhar comovente que consolida de vez o caráter comovente de sua poesia popular.
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tire seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dorrr
pena ser tão curto... muito bom!!
A tristeza cantada de uma forma alegre e bonita na mais singela humildade. Isso que a lente captou foi passado, porque essa simplicidade, tanto da música, do samba, das casas, do modo de viver do povo em comunidade hoje se perde com um aburguesamento mesmo das classes mais baixas. É notável ver isso e pregado em muito tempo pela própria esquerda governista, que de mãos dadas com o capitalismo, quis desmembrar esta peculiaridade tão brasileira de ser das comunidades.
E hoje se abarrotam-se aos montes nas mais diversas periferias os "minha casa minha vida" que sofrem da síndrome de serem condomínios, e nestes, com regras rígidas, nem espaço para um samba existe. É um cotidiano que se vive, e se nota essa mudança, sem contar, é claro, da demonização dos evangélicos pela música de raiz negra quanto ao gesto mais racista de uma parcela da população que rebaixa o samba a uma categoria de música que não presta. E, quando não só isso, hoje com a mercantilização massiva da música, a indústria cultural gerou monstros a serem consumidos, e esta simplicidade é mesmo passado, basta ver que não há mais músicas tristes, as que mais chegam a isso são as músicas ditas "de corno" dos sertanejos modernos. Sem qualquer originalidade, e com traços roubados de outros ritmos.
Ótimo documento. Dois mestres que fazem falta Nelson e Leon.
A camaradagem do morro, a cachaça, a tristeza, o samba.