História de dois melhores amigos, um aspirante a roteirista, Elliot e o outro aspirante a ator, John, cujos sonhos do super-estrelato já fracassaram. Com os seus 30º aniversários iminentes, o desespero crescente e o mundo obcecado por celebridades, John e Elliot decidem que neste 24/7 existem mais maneiras de ficarem famosos, mesmo que infames.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
"O que os depravados cidadãos estadunidenses querem? Todas as coisas sórdidas e sem censura: diários de prisão, tell-alls (espécie de ramo televisivo no qual o convidado literalmente se abre perante a câmera falando tudo - e mais um pouco - de sua vida/memórias), livros erótico-culinários ilustrativos. Não precisamos de fama, Elliot; infâmia, é o que recompensa."
Confesso que Nerdland me chamou inicialmente a atenção não pelo roteiro sarcástico ou por expor a decadência moral dos nossos irmãos do Norte (ou no fim seria do mundo ocidental?). Conheci a animação por meio de um post naquela rede social que leva nome de livros e é azul na página do Geek. E, confesso mais uma vez, não estava preparado pro que iria ver.
De início Nerdland choca. É bizarramente chocante. Expor valores sociais dos EUA do século XXI (e muitas vezes de nós mesmos) já é algo relativamente batido nesse campo, e Simpsons, South Park e Family Guy estão aí pra provar isso. Bojack Horseman, mais recentemente, vem puxando tal questão no campo mais dramático. O x da questão é que Nerdland expõe da maneira mais crua e (in)sensível possível.
Busca incessante pela fama, jornais que sobrevivem de gore, valores descartáveis e demais coisas que vemos e convivemos no nosso dia a dia, seja pela televisão ou internet, se fazem aqui presentes embalados por uma batida eletrônica que chega a lembrar em alguns momentos o jogo Hotline Miami. Inúmeras referências "culturais" também estão presentes aqui: na cena
em que eles planejam assassinar a vizinha, uma religiosa cristã, notamos pendurado na sala aquele quadro de Jesus Cristo mal restaurado que virou meme na internet,
Nerdland atrai mais por esses fatores. Não é das coisas mais engraçadas que o cara pode escolher ver, mas em um futuro próximo - e aqui fica a dica - poderia dar uma ótima fonte para se pensar como alguns norte-americanos viam a si mesmo, e sua sociedade e cultura, em inícios do século XXI.