O primeiro longa-metragem de Daniel Bruhl como diretor é uma peça de teatro (muito) bem filmada, e eu me surpreendi ao descobrir que, na verdade, é um roteiro original. Porque estamos tão habituados a filmes como esse serem adaptações, que quando alguém traz exatamente essa mesma estrutura direto para as telas é um tanto quanto excêntrico. E tudo me admira aqui, tanto os rumos da narrativa, quanto a direção sensacional do Daniel Bruhl e seu domínio constante do jogo de cena entre os dois atores - todas as saídas e entradas de cena são no ponto exato da tensão, assim como as participações dos personagens secundários vez ou outra, assim como a coreografia entre o ataque e a reação diante do que acontece ao longo do filme. E tem os detalhes saltam aos olhos, ainda que a câmera raramente feche o plano em alguma coisa ou objeto, fotograficamente, Next Door é um filme muito sagaz ao realçar certas coisas, como a presença da aliança na mão de Daniel, que desde o comecinho está ali, aparecendo, e aparecendo bem, de alguma forma, antes mesmo do filme nos apresentar sobre o que ele realmente é.
É gratificante também quando assistimos a qualquer coisa audiovisual e percebemos que o diretor filmou do jeito <i>certo</i> tal cena, tal virada da história, ou mesmo uma cena-chave para a narrativa. E eu percebi isso na cena em que Clara, a esposa do protagonista, entra na história: o enquadramento que ele escolhe para representá-la, e, com a ajuda da montagem de Marty Schenk, o momento exato em que o filme resolve cortar do rosto dela para o rosto dele, para as mãos, até a saída daquele lugar. É simplesmente um momento inacreditável de tão alinhado com a proposta narrativa. E isso se repete ao longo de todo o tempo em um filme que, a propósito, é muito bem sustentado por ambos os atores, que se apoiam no diálogo do início ao fim.
Palmas pro Daniel por ter um auto-conhecimento tamanho ao ponto de saber se dirigir tão bem quanto ele fez aqui. Mas talvez seja porque ele conhece esse personagem, até demais.
Acho que Daniel fez um ótimo trabalho com Next Door!
O primeiro longa-metragem de Daniel Bruhl como diretor é uma peça de teatro (muito) bem filmada, e eu me surpreendi ao descobrir que, na verdade, é um roteiro original. Porque estamos tão habituados a filmes como esse serem adaptações, que quando alguém traz exatamente essa mesma estrutura direto para as telas é um tanto quanto excêntrico. E tudo me admira aqui, tanto os rumos da narrativa, quanto a direção sensacional do Daniel Bruhl e seu domínio constante do jogo de cena entre os dois atores - todas as saídas e entradas de cena são no ponto exato da tensão, assim como as participações dos personagens secundários vez ou outra, assim como a coreografia entre o ataque e a reação diante do que acontece ao longo do filme. E tem os detalhes saltam aos olhos, ainda que a câmera raramente feche o plano em alguma coisa ou objeto, fotograficamente, Next Door é um filme muito sagaz ao realçar certas coisas, como a presença da aliança na mão de Daniel, que desde o comecinho está ali, aparecendo, e aparecendo bem, de alguma forma, antes mesmo do filme nos apresentar sobre o que ele realmente é.
É gratificante também quando assistimos a qualquer coisa audiovisual e percebemos que o diretor filmou do jeito <i>certo</i> tal cena, tal virada da história, ou mesmo uma cena-chave para a narrativa. E eu percebi isso na cena em que Clara, a esposa do protagonista, entra na história: o enquadramento que ele escolhe para representá-la, e, com a ajuda da montagem de Marty Schenk, o momento exato em que o filme resolve cortar do rosto dela para o rosto dele, para as mãos, até a saída daquele lugar. É simplesmente um momento inacreditável de tão alinhado com a proposta narrativa. E isso se repete ao longo de todo o tempo em um filme que, a propósito, é muito bem sustentado por ambos os atores, que se apoiam no diálogo do início ao fim.
Palmas pro Daniel por ter um auto-conhecimento tamanho ao ponto de saber se dirigir tão bem quanto ele fez aqui. Mas talvez seja porque ele conhece esse personagem, até demais.