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Data de lançamento
12 Fev. 2008Duração
Sung-nam, um sul coreano na casa dos quarenta, viaja até Paris para escapar à prisão, depois de ter fumado marijuana. Para trás deixa a mulher e uma carreira bem sucedida como pintor. Na capital francesa reencontra uma antiga namorada e descobre uma comunidade de artistas coreanos. Entre estes, Sung-nam conhece uma jovem estudante de artes e a sua colega de quarto, por quem fica iremediavelmente apaixonado.
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Esse filme tem dois problemas básicos. Primeiro o de contar uma história onde quase nada acontece em duas horas e meia de duração. Uma hora e meia seria mais do que suficiente. Segundo faltou o roteiro explicar algumas situações como o fato do protagonista mesmo alegando ter pouco dinheiro viver tanto tempo em Paris, que presumo não deve ser um lugar barato para sobreviver. Se bem que o roteiro acaba arrumando uma solução preguiçosa para resolver esse problema em certo momento
(o dinheiro que ele ganha no cassino).
– Mas não deveríamos ter um pouco de respeito por uma obra de arte?
– Bem, eu ligo para a pintura, não para o título.
De certa forma, "Noite e Dia" confronta uma espécie de idealização comum das artes plásticas e dos artistas. Nessa perspectiva, a sequência em que acompanhamos dois personagens discutindo sobre a pintura de Gustave Courbet é bem sugestiva. A própria figura do protagonista torna-se uma chave importante para refletirmos a respeito dessa questão. Hong Sang-soo e Kim Yeong-ho concebem um personagem estúpido, errôneo, mas acima de tudo verdadeiro, desnudado. Eles trazem à luz Kim Sung-nam, antítese daquele pintor canonizado pelo nosso imaginário coletivo. Sung-nam é o cara que observa as fezes de um cachorro tal qual contempla um quadro de Courbet.
– (...) É difícil dizer se a loucura gera a arte, ou se é a arte que nos torna loucos.
Complicado formular algo decente sobre uma obra que está me despertando tantas inquietações... Me parece que existe, ainda, uma qualidade antropológica nesse registro semi-documental que assiste o exílio de um sul-coreano na França. Querendo ou não, Sang-soo acaba tecendo um comentário interessante acerca de problemas como migração, deslocamento e carência. Ele consegue suscitar isso mesmo concentrando a narrativa na intimidade de Sung-nam e ambientando-o naquele microcosmo-coreano em Paris. No final das contas, podemos assimilar tanto os explícitos dramas pessoais do protagonista quanto às problemáticas de adequar-se em uma nova cultura. Enfim, é ainda mais curioso – e não menos fascinante – confundir-se com a transformação do filme nos 20 minutos finais, a partir do momento em que Sung-nam volta para Seul. Toda a disposição de Sang-soo para uma reflexão meio freudiana a respeito de desejos e sonhos intensifica-se pra caramba.
Crise existencial de artista é uma coisa que enche o saco, mas é tão bonito o rosto. Hang Sang-soo sabe explorar como ninguém tais episódios em seus filmes, e aqui o sentimento de impotência pessoal e artística é aumentado pelo fato de seu protagonista, um pintor sul-coreano que está em crise à beira do colapso, vai passar uma temporada em Paris, o que só aumenta o estrangeirismo de sua própria condição.
obra-prima.
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