O vídeo produzido pela SOF-Sempreviva Organização Feminista apresenta reflexões feministas sobre a mercantilização do corpo e da vida das mulheres, sobre a construção social da sexualidade e a prostituição. O vídeo foi produzido com apoio da Fundação Heinrich Böll Brasil.
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Tecnicamente, bem ruim. Péssima edição de som, os depoimentos são cheios de ruídos, eco, vozes de pessoas no fundo. A imagem/fotografia também não é das melhores, com sombra no rosto de algumas entrevistadas.
A própria montagem é bem pobre encadeando os depoimentos de forma bem linear, sem muito uso de imagens para além dos próprios depoimentos em si e sem uso de trilha sonora durante ou entre os depoimentos. A entrevistadora não conseguiu extrair momentos de forte emoção nos depoimentos, o que seria comum diante das situações de violações vividas por algumas depoentes, nem conseguiu construir essa atmosfera de emoção no filme.
Quanto ao conteúdo das entrevistas, achei interessante e enriquecedora a segunda parte, sobre o MAB (Movimentos dos Atingidos por Barragens) e da questão da prostituição nas barragens. Desconhecia essa realidade, apesar de já ter visto documentários sobre situações análogas, como estradas, pontos de concentração de caminhões.
A primeira parte não curti, particularmente porque sou a favor da regulamentação da prostituição. A situação atual é uma situação de invisibilização dessas mulheres, que não têm, basicamente, direitos trabalhistas e, como mencionado num dos depoimentos, trabalham muitas vezes em regime análogo ao de escravidão, o que é uma situação que deve ser coibida, por ser crime, não tratada como uma realidade inerente à prostituição em si. Além disso, penso que uma regulamentação traria uma maior quebra do estigma dessas trabalhadoras, facilitando não só a cobrança de valores por seus serviços, mas também tutela da polícia, apesar de ser bem difícil de imaginar essa parte.
Enfim, a busca por serviços sexuais é uma realidade. Manter a situação atual, sem qualquer tutela ou reconhecimento legal é fechar os olhos para essa realidade. É o mesmo que acontece quanto a questão das drogas e do aborto, que são, pior, criminalizados. Penso que dizer que a prostituição é um mal em si por ser, de fato, na prática, terrível para a maioria das mulheres envolvidas, é similar a dizer que o aborto é um mal em si por ser na prática terrível para a maioria das mulheres envolvidas. Regulamentar o aborto traz uma quebra de tabu e uma proteção às mulheres que querem praticá-lo, sendo que as que mais sofrem e morrem por isso são, obviamente, as pobres, precisamente da mesma forma que regulamentar a prostituição traria/trará uma quebra de tabu e uma proteção às mulheres dessa realidade, sendo que, da mesma forma, as que mais sofrem por isso são as pobres. A prostituta de luxo cobra caro, mora no seu ap alugado, paga sua faculdade e impõe regras aos seus clientes, assim como a mulher rica paga pelo seu aborto na clínica ou hospital particular com higiene e médico, enquanto a prostituta pobre é escravizada, estuprada e roubada e a mulher pobre aborta com pessoas sem o menor conhecimento, locais insalubres e acabam tendo diversas complicações de saúde e algumas vezes a morte.
Ótimo documentário. Denuncia muito bem a falsa liberdade que o capitalismo vende às mulheres. A mercantilização de nossos corpos e sexualidade é problemática e serve somente para perpetuar a estrutura vigente.
Sobre o quão absurda e errônea é a proposta de regulamentar a prostituição no Brasil. Só beneficiaria ainda mais os exploradores, não é de se espantar que tenha sido um macho que a criou e outro macho que a "melhorou".
Chocante o depoimento da Nanci. E o que as mulheres da MAB falam é uma realidade que dói, realidade essa encoberta inclusive por grandes empresas.