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Portugal, finais dos anos 60. Tomás Palma Bravo (Rogério Samora), o Delfim, o Infante, é o herdeiro de um mundo em decomposição. É ele o dono da Lagoa, da Gafeira, de Maria das Mercês (Alexandra Lencastre), sua mulher infecunda, de Domingos, seu criado preto e maneta, de um mastim e de um “Jaguar E”, que o leva da Gafeira a Lisboa e às putas.
Um caçador, detective e narrador, que todos os anos volta à Lagoa para caçar patos-reais, descobre, um ano depois, que Domingos apareceu morto na cama do casal Palma Bravo e que Maria das Mercês apareceu a boiar na Lagoa.
Quanto a Tomás Palma Bravo e ao mastim, dizem-lhe que desapareceram sem deixar rasto. E que da neblina da Lagoa se ouvem agora misteriosos latidos.
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Baseado no aclamado romance de José Cardoso Pires, “O Delfim” é visto por muitos como um dos maiores feitos do cinema português desses últimos tempos. Talvez não chegue a tanto – há meia dúzia de filmes do Manoel de Oliveira que eu colocaria à frente – mas verdade seja dita, ao narrar a trágica história do casal Tomás Palma Bravo e Maria das Mercês, Fernando Lopes faz um retrato interessantíssimo da sociedade portuguesa nos duros anos 60, que em muitos aspectos ainda encontra ecos no presente. Vale destacar também o excelente trabalho dos protagonistas.