Em Beirute, os trabalhadores da construção da Síria estão construindo um arranha-céu enquanto ao mesmo tempo suas próprias casas estão sendo bombardeadas. Os trabalhadores estão trancados no local de construção. Eles não têm permissão para deixá-lo depois das 7 da noite. O governo libanês impôs toques de noite aos refugiados. O único contato com o mundo exterior para esses trabalhadores sírios é o buraco através do qual eles saem pela manhã para começar um novo dia de trabalho. Separados de sua pátria, eles se reúnem à noite em torno de um pequeno aparelho de televisão para receber as notícias da Síria. Atormentados por angústia e ansiedade, enquanto sofrem a privação dos direitos humanos e dos direitos dos trabalhadores mais básicos, eles continuam esperando por uma vida diferente.
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É agonizante ver aqueles trabalhadores a não sei quantos meros de altura, trabalhando sem proteção alguma. É agonizante vê-los também no chão, onde dormem. Não estão seguros nem lá em cima nem cá embaixo. Suas casas são bombardeadas. Um ciclo que nunca termina nem começa, apenas segue: construir prédio atrás de prédio após bombardeios, após guerras. Estão no Líbano levantando novos prédios que tomam o lugar dos prédios que há pouco foram derrubados pela guerra. Na Síria, país de origem, os prédios são bombardeados e caem, para depois serem reconstruídos num ciclo que não começa e não termina: segue. O cheiro e o gosto de cimento são passados de geração em geração, de mão em mão: foram seus pais, agora são eles que trabalham na reconstrução de prédios de cidades que foram bombardeadas. E, muito provavelmente, serão seus filhos, se sobreviverem. Mas, ainda que sobrevivam, não escapam à guerra: ficam a reconstruir o que ela quase levou. Um filme triste, ora silencioso e ora de um barulho estridente - os sons das bombas são tão reais que tiram o espectador da cadeira, chega a assustar e doer. A cena do gato após o bombardeio cortou o coração. A metáfora dos prédios, o achar que estão em cima deles de dia (construindo-os) e abaixo deles à noite (dormindo, presos com o toque de recolher por serem sírios), e a constatação de que são os prédios, sempre eles, que estão acima de todos nós e, quando caem, levam-nos consigo, para depois levar-nos a reconstruí-los. Um ciclo que não começa nem termina: segue.