Na Sérvia, durante as manifestações estudantis contra o regime do presidente Slobodan Milosevic, em 1996, Stefan, de 15 anos, precisa passar pela revolução mais difícil de todas: enfrentar a mãe, porta-voz e cúmplice do governo corrupto contra o qual ele e os amigos se rebelaram.
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Após a morte de Tito, a Iugoslávia passou a ruir e antigas feridas que antes pareciam estancadas, voltaram a sangrar. O nacionalismo ferrenho tomou conta do aparato estatal e o que antes era homogêneo, unido e promissor, se tornou obscuro e de futuro incerto. O filme toma uma decisão um tanto equivocada ao meu ver: parte do pressuposto que o partido socialista de Milosevic é, necessariamente, um reflexo da liga dos comunistas que um dia foi liderado por Tito, um homem respeitado e amado por muitos. Assim como seu partido, que surgiu da luta e resistência dos partisans.
Consequentemente, esse problema contextual prejudica bem a concepção do retrato por mascarar, ou omitir, informações importantes para o entendimento geral do que acontecia na Sérvia na década de 90. Por ser uma obra de ficção que reflete a realidade, creio que seja um trabalho que não abraça o todo e manipula um pouco o espectador a entender o conflito apenas através de um espectro. Isso me incomoda bastante.
No mais, o drama em si, seu enredo, me ganham bem. Acho interessante a relação entre mãe e filho, o desencontro ideológico que o meio proporciona àquelas personalidades e os dilemas que a moral perante o fator emotivo ocasionam. Inclusive, é um filme que trabalha muito bem o desenvolvimento não apenas de trama, mas dos personagens que ali estão também.
Uma pena que se delimita a entender um contexto de maneira superficial e pobre, pois caso se atentasse a esse importante detalhe, poderia ser muito melhor. Ainda assim, gosto da maioria das decisões que toma e fecha de uma forma contundente.