Ada tem 19 anos. Um homem que ela conhece a convida para jantar. Tudo corre tão depressa. Ela não se defende. Apesar disso ou por causa disso, ela volta duas vezes para confrontar esse homem. A história da garota se entrelaça com outras, cada uma diferente, mas da mesma forma —uma história desagradável, insana e comum.
Vencedor do Prêmio do Júri no Festival Visions du Réel.
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Este é um projeto que não facilita em nada para o espectador - e isso vale para todos os aspectos do documentário. A começar pela proposta - que eu só fui entender pós-sessão conversando com um amigo.
Na Mostra acontece muito disso, entramos em um filme sem saber o que será dele, e a diretora Alexe Poukine claramente não está a fim de nos municiar com informações por meio de subtítulos, legendas com nomes de personagens e atores, sua câmera fica estática, enquadrando os atores e atrizes que compartilham a leitura de um mesmo texto - de uma garota de nome Ada - e depois relatam as próprias experiências em casos de abuso.
Ada tem 19 anos. Um homem que ela conhece a convida para jantar. Tudo corre tão depressa. Ela não se defende. Apesar disso ou por causa disso, ela volta duas vezes para confrontar esse homem. A história da garota se entrelaça com outras, cada uma diferente, mas da mesma forma —uma história desagradável, insana e comum.
O que desperta maior interesse no documentário é a diversidade daqueles que vão se apresentando, ao total são 14 pessoas, homens e mulheres heterossexuais, homens gays e lésbicas, com isso, a cada nova leitura da carta de Ada, cada um tem as próprias histórias a serem contadas, para as mulheres é muito mais "fácil" se lembrarem de casos de abusos - embora não seja nada fácil falar sobre - já para os homens há uma certa mão na consciência acerca de relações sem consentimento, alguns chegam a confessar que já ultrapassaram limites com os próprios parceiros.
O problema é que o projeto se resume apenas a isso, a identidade de Ada permanece uma incógnita, assim como a de seu agressor, assim como as daqueles que estão conversando diretamente com Poukine e conosco. Em suma, é uma grande sessão de terapia filmada, mas a falta de um contraponto para todos aqueles depoimentos deixa o projeto aquém do que poderia ser.