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Um dia, no hospital, Straub pediu que lhe trouxessem o texto da Divina Comédia. Após ter duvidado por muito tempo de lá encontrar uma passagem que pudesse trabalhar para a tela, ele escolheu um fragmento do Canto XXXIII do Paraiso, os dois terços finais, ou seja, os vinte e seis últimos tercetos do poema. Nestes, Dante descreve seu reencontro com o divino.
No filme, Giorgio Passerone recita esta parte do poema, precedido por sete minutos de tela negra com a música Déserts, de Edgard Varèse.
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Após 7 minutos escuridão e a música infernal de Edgard Varèse, apenas as palavras do Canto XXXIII (Paraíso), da Divina Comédia, ali só permanecem: áspero, resistente e livre, o monólogo, na voz de Giorgio Passerone, ilumina a cena.
Parece que o Straub sozinho ficou mais sombrio. Gosto demais da forma como ele traz o poema do Dante, que antes eu só tinha visto assim, em algo parecido com cinema, nos vários recitais do Roberto Benigni na RAI.
Lindo e maravilhoso filme, mesmo em sua simplicidade.